O motivo disso tudo…

Sinceramente, até agora o mais difícil do trabalho foi escolher o tema do nosso documentário.

Isso é até engraçado, porque o fato de podermos escolher livremente qualquer coisa que nos interesse, ao invés de a Escola nos limitar a algo quadradinho e acadêmico, fez com que, de forma quase inconsciente, tentássemos escolher aquilo que pensamos ser “o que os professores querem ver”, ou seja, de forma confusa, exatamente o oposto do que propuseram!

Passamos pelas ideias mais diversas, como educação, a vida noturna em São Paulo, intervenções urbanas como o grafite, até que, depois de muitas tentativas falhas de obter algo criativo e original e muitas (muitas mesmo) ideias rejeitadas, não encontramos outro jeito que não fosse pedir ajuda para nossa professora, Teresa. A primeira coisa que ela nos disse foi: “o que vocês gostam?”, e, apesar da dificuldade de responder diretamente essa pergunta, achamos que foi ai que realmente nos tocamos do quanto esse projeto era nosso. Totalmente e somente nosso. Ela não iria nos dar um tema prontinho, tudo dependia somente de nós.

Refletindo sobre aquela questão, acabamos tendo uma ideia que seria, de fato, nossa! Desde o início, queríamos tratar sobre algo que tivesse um efeito humanizador na metrópole, ou seja, algo que a tirasse da condição de anônima e cinza. Um dia, passeando pela rua, uma de nós viu uma daquelas frases que alguém escreve em postes, muros, ou até no chão, e te colocam pra pensar na vida, nem que seja por apenas um minuto. Aquilo é humano, e aquilo torna os anônimos caminhando apressados pela cidade, também, humanos. O problema era: quem é esse alguém? Como faríamos um documentário sobre algo que não era assinado e não tinha nenhum autor óbvio para entrevistar? Desanimamos e quase desistimos mais uma vez do tema.

E é aí que entra uma mulher chamada Camila Lordelo. Essa paulistana tem um projeto incrível e trabalha escrevendo, imprimindo e espalhando versos tocantes por toda a cidade. Decidimos falar com ela e, para nossa incrível surpresa, ela aceitou participar do nosso projeto, topou a entrevista e tudo, e ficou super entusiasmada com nossa ideia! “Fico feliz e grata de ver mais gente abrindo espaço para a poética, para a sensibilidade, para a comoção na cidade grande. Há tanta beleza espalhada por aí! Quanto mais gente puder ajudar as pessoas a enxergarem, melhor.” Ler isso de alguém totalmente de fora do projeto e da escola é incrivelmente gratificante e o sentimento que isso nos trouxe foi indescritível. Estamos cada dia mais entusiasmadas e ansiosas com o projeto, se é que isso é possível.

PS.: Nos foi dito nos comentários que o tema em si não tinha ficado claro, então queríamos explicar que o tema central é a humanização de São Paulo, mas restringimos esse tema tão amplo a apenas uma pessoa, a Camila, para torná-lo mais pessoal.

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