Diário de viagem – roteiro 1

Dia 1…

Quarta feira, finalmente tinha chegado! Finalmente eu ia vivenciar o tão falado e elogiado Móbile na Metrópole. Cheguei na escola e pela primeira vez em todos os estudos do meio, minha mãe não chorou (de verdade que até o ano passado não tinha um que ela não tivesse chorado). Acho que ela não estava considerando que eu ia viajar e acho que nem eu, afinal, eu nem ia sair de São Paulo não é mesmo? Mas mal sabia eu que na verdade, eu ia conhecer um lugar totalmente novo, eu não tinha a menor noção de como minha visão da cidade era limitada, acho que depois desse projeto eu e todos os alunos podemos dizer que viajamos, mesmo que para São Paulo.

Chegando na escola encontrei os meus amigos e foi aí que eu comecei a sentir aquele clima gostoso pré estudo do meio, todo mundo super animado e ansioso. Meu grupo, nomeado como grupo 1, foi apelidado de Viagens na nossa terra, em homenagem ao livro que estamos lendo em literatura e ao professor, João Cunha, que foi nos acompanhar durante os três dias. A partir daí começou oficialmente o Móbile na Metrópole 2015! As diferenças entre esse estudo do meio e qualquer outro já foram percebidas no início da viagem. Sem ônibus fretado. Fomos ao terminal Santo Amaro, para de lá irmos de transporte público até a nossa primeira parada, a ocupação Cambridge.

Entrada da ocupação Cambridge

Nela fomos super bem recebidos pela coordenadora e por alguns moradores, conhecemos o espaço, vimos alguns quartos e como funciona a rotina e a separação de trabalho entre os moradores, foi incrível, de verdade, quebrou com vários preconceitos que eu tinha sobre as ocupações em geral. Depois dessa visitação fomos andando para o CRAI (Centro de Referencia e Acolhida ao Imigrante), onde entendemos um pouco melhor como o imigrante se insere na sociedade paulista e como é a chegada dele no Brasil, me decepcionou um pouco o fato de o governo da cidade não ter uma organização que lide com esse tipo de situação, tendo em vista que o CRAI foi criado por imigrantes. Seguimos  para a escola de samba ‘Vai-Vai’, no bairro do Bixiga, e conversamos com um homem e uma mulher que representavam a escola, eles criaram um monólogo de mais ou menos duas horas e o que mais me impressionou dentre todas as coisas era o entusiasmo e o orgulho que eles tinham ao falar de duas vidas e, principalmente, da escola. Chegando a hora do almoço ninguém falava sobre outra coisa além de sua fome e cansaço, fomos então comer no “Concheta”, um restaurante de massas muito gostoso que tinha uma tradição que eu nunca vi em nenhum outro lugar, em certo horário os funcionários e os clientes ficavam batendo as panelas umas nas outras gerando o maior barulho do mundo, deixando a atmosfera do lugar muito animada, não tenho palavras para descrever o tanto que eu me diverti nesse almoço. Na frente do restaurante tinha um museu homenageando o dono do restaurante em que almoçamos, o Senhor Walter e acabamos conhecendo o lugar que mostrava varias coisas que ele fez para o bairro e que enfatizava o lema dele; “Quando se tem uma ideia,  só é preciso força de vontade para torná-la realidade”. Acabando a visita, fomos ao teatro “Os fofos encenam”, que por incrível que pareça, não é uma escola de artes cênicas para crianças, mas um grupos de atores adultos que encenam peças muitas vezes com temas polêmicos. De lá, tentamos ir para a Vila Itororó, mas ao chegar lá tivemos a noticia de que os casarões que ocupam aquele espaço estavam sendo restaurados, então voltam ao hotel de ônibus. Mas nosso dia não acaba por ai, tivemos a noite oficinas de Break, Parkour e Stickers, foi muito legal ver a movimentação da praça a noite e ver os nossos instrutores (no meu caso, de Break) competindo! Voltamos para o hotel muito cansados e empolgados para o próximo dia.

Dia 2…

O tema do segundo dia para o grupo Viagens na nossa terra era Arte, arte nas suas mais variadas formas, desde grafite nos muros até exposições com a mais ênfase no corpo humano, como a de Marina Abramovic, acho que era o dia mais esperado por mim, e as minhas expectativas foram ultrapassadas!

Mural dos Gêmeos que foi tema do documentário “Cidade Cinza”, na 23 de Maio

Andamos do nosso hotel até a Avenida 23 de Maio, discutindo sobre as diversas intervenções urbanas presentes no percurso, e colocando em pauta a discussão sobre “o que é grafite e o que é pichação, como podemos diferenciá-los (se é que existe alguma diferença entre eles) e se um é melhor que o outro”. Conhecemos nesse passeio o painel ilustrado pelos Gêmeos, tema base para o documentário Cidade Cinza que postamos há um tempinho atrás e que vimos em sala de aula. É lindo. Colorido, realmente lindo, era como se os Gêmeos dessem vida para a avenida. O plano era ir para a Galeria do Vermelho, mas ela estava fechada. Sendo assim, seguimos para o  SESC e fomos para a tão falando exposição de Marina Abramovic que foi interessantíssima, algo que eu nunca tinha visto antes, totalmente único e inesperado ela expôs coisas como um vídeo dela pelada só com o rosto coberto dançando, bizarro né. Durante essa visita o João Cunha reuniu o grupo 1  e perguntou se nós considerávamos aquilo arte, ele obteve respostas de todos os tipos, como; “não, sim, depende e não sei”, e na hora eu pensei, isso pode até não ser considerado arte por alguns,  mas é sem sombra de duvida algo muito  polêmico e eu ainda não sei direito o que eu achei da exposição, e de verdade, acho que não vou saber nunca. Ainda no SESC, fomos para uma exposição também muito diferente, entramos em uma sala completamente desarrumada, para não dizer destruída, toda pichada, suja. Nela tinha um homem, cuja aparência parecia com a da sala, que falou ‘’vocês podem fazer o que vocês quiserem com o meu corpo e com a sala, aproveitem!”. Ninguém soube o que fazer na hora, começamos pintando um pouquinho a parede e os nossos amigos, mas depois, rapidamente, perdemos o controle, juro, pintamos os olhos a boca, teve gente que até jogou tomate nos outros! Foi sensacional, nada que eu falar vai descrever metade do que eu senti na hora, todo mundo tão feliz, rindo junto, sensacional. Saímos de lá para a rua parecendo obras de arte, e é claro que por onde a gente passava as pessoas olhavam e comentavam, não só pela pintura mas porque o nosso grupo andava cantando, cantando alto, cantando músicas já muito conhecidas e  variadas como sertanejo ou músicas como “i will survive”! Ai, estava um clima tão alegre, tranquilo e gostoso, todo mundo tão unido isso desde os alunos e professores até as pessoas que passavam por nós, que se contagiavam com a gente! Chegamos então ao Beco do Batman, lá vimos  mais grafites incríveis sendo o nosso guia o Enivo, um dos artistas de rua mais influentes em São Paulo! Ele nos contou um pouco de sua trajetória e nos mostrou sua galeria, a “A7MA”. Depois voltamos ao hotel exaustos e muito realizados! À noite teve o sarau, foi muito legal ver todo mundo junto ouvindo os alunos e professores, contarem piadas, cantarem (um parabéns especial ao João Cunha que cantou sem nenhum instrumento uma música lindíssima). Depois disso fomos dormir muito, mas muito felizes mesmo!

Dia 3…

Sobre o terceiro dia já tem o vídeo que eu postei semana passada (esse), eu só queria acrescentar que durante muitos momentos na viagem parecia que eu estava em qualquer outro lugar que não São Paulo, achei isso muito esquisito e legal ao mesmo tempo, por isso eu acho que posso falar que viajamos para a nossa própria cidade, e foi uma viagem incrível! Vou usar esse finalzinho só para agradecer mesmo, ao grupo 1, ao João Cunha, aos professores em geral, aos monitores, e a todo mundo do nosso ano que fez com que essa viagem tão especial, tenho certeza que todos que participaram vão lembrar com muito carinho.

O queridíssimo grupo 1 em uma exposição que fomos no último dia

Sofia

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