Diário de viagem – roteiro 4

…dia 1

Chegamos na escola por volta das 6h30, deixamos as malas juntas para que os ônibus fretados as levassem para o hotel e sentamos nos grupos para trocar telefones, discutir como íamos para os lugares, essas coisas. Olhamos o roteiro: Zona Norte. O problema era chegar lá, mas um dos integrantes do grupo, o Paulo, sabia que caminho a gente tinha que pegar. Seguimos as instruções dele, pegando o ônibus para ir até o metrô mais próximo. Fomos até a Estação do metrô Armênia e só observamos as coisas lá, ainda completamente perdidos.

“eu tenho coração de poeta” – escrito no lugar de poesia da Biblioteca do Carandiru

Depois, tínhamos que chegar no Terminal Rodoviário Tietê, mas o Paulo foi proibido de ajudar, o que tornou as coisas mais difíceis, mas o fato é: conseguimos. Lá pedimos para a Teresa para ficar uma meia hora por ali e ela concordou, dizendo que quem fazia a viagem éramos nós, então acabamos andando bastante e fazendo várias entrevistas. As primeiras foram difíceis. Não sabíamos que tipo de pessoa deveríamos abordar e a vergonha era absurda, mas foi tudo fluindo e deu certo. Perguntamos para as pessoas como elas definiriam o conceito de “intervenções urbanas” e como estas eram importantes ou tocantes para elas. As respostas eram diversas e isso só tornava tudo aquilo ainda mais divertido. Uma moça de Santos disse pra gente que o jeito que as pessoas se vestem também poderia ser considerado, na opinião dela, uma intervenção urbana, pelo efeito que as vestimentas tem nas pessoas e pela diversidade entre tais estilos que, segundo ela, é enorme em SP. Nunca tínhamos parado para pensar por esse lado e é engraçado o quanto pessoas de fora conseguem perceber e fazer análises tão diferentes, muito mais do que nós, que vivemos isso todos os dias.

Saindo do terminal, andamos pela a Avenida Cruzeiro do Sul, na qual está a chamada Galeria Aberta, que é cheia de grafites incríveis, tiramos várias fotos, lógico. Andamos até o Parque da Juventude, onde conseguimos conversar com alguns policiais (fizemos um vídeo sobre isso que vai ser postado logo logo) e fomos à Biblioteca do Carandiru, que era incrível! Tinha uma parte só de poesia que era um amor, até escrevemos a nossa própria (tem vídeo disso chegando também).

Grafite na Galeria Aberta

Cruzando o parque, fomos até o Museu Penitenciário Paulista, em que um homem falou sobre a história do Carandiru, como era a vida lá, etc sob uma perspectiva do Estado, foi de um jeito bem quadradinho e ouso dizer que um pouco monótono também, então foi cansativo, até porque, todos estavam famintos. Foi a única parte desses 3 dias que teve esse ritmo mais parado e expositivo.

Finalmente fomos almoçar, no restaurante que se chama Conceição Discos. Comemos um arroz com frango e quiabo que estava muuuuito gostoso, de verdade! De sobremesa, tinha um pudim ou um brownie, os dois incrivelmente delicioso (mas o pudim ainda mais).  Além da comida maravilhosa, o lugar também é incrível, único e aconchegante, cheio de desenhos e frases nas paredes pretas

Andamos por um bairro muito bonito e tranquilo, com a arquitetura bastante clássica e todo arborizado, até a Oficina de Corpo Zé Maria, sobre a qual já falei um monte no outro post, mas lá fizemos exercícios de confiança, alongamentos, etc. Saímos e fomos, em silêncio, como também já comentei, até a Ocupação Marconi, onde conversamos com duas pessoas, que contaram sobre o funcionamento da ocupação, mostrando que é muito mais organizada do que pensávamos, e tiraram algumas dúvidas.

Na parede do Conceição Discos

Estávamos voltando para o hotel e paramos para fazer um fechamento na Praça da República. Terminado isso, jantamos. Depois, saímos de novo e eu, Ana, fui para a oficina de parkour, foi super legal (eu ri muito), mas eu percebi que realmente não levo jeito para escalar os muros e fazer coisas que exigem uma certa força, mas o importante é que eu tentei, né. Já eu, Rafa, fui para a oficina de break e devo confessar que foi incrível.Eu já tinha feito 1 ou 2 anos de aulas de hip hop (ou street dance, como eles gostam de chamar), mas mesmo assim, a oficina conseguiu me acrescentar novos aprendizados e foi incrivelmente divertida. O mais engraçado era ver como as pessoas paravam em volta da gente, tanto na praça quanto na rua. Parecia que eles esperavam que a gente fosse virar um grupo de 20 ninjas do break e que ia ser imperdível, e, mesmo que não tenha sido assim, todo mundo continuava lá, incentivando, aprendendo ou só ouvindo a música, me senti muito parte da cidade nesse momento. Voltamos para o hotel e, acabadas depois de tudo isso, dormimos.

Depois do almoço no Conceição Discos

…dia 2

Eram 7h40 e o grupo 4 estava reunido no saguão do hotel, tínhamos que estar na Federação Espírita às 8h30. Decidimos ir de metrô, o que depois descobrimos ter sido uma grande besteira, porque era a uns 10 minutos andando do hotel, mas fica o aprendizado né. Lá uma mulher tirou nossas dúvidas e explicou como funcionava a Federação, depois todos tomamos um passe e fomos embora. O trabalho deles lá é bem diferenciado, uma vez que não tem nenhuma restrição com religião ou qualquer outra coisa. Se você está passando por problemas, eles tem um programa que te ajuda, seja você judeu, católico ou ateu. Inclusive, existe um Centro Espírita para o qual você pode ligar em qualquer momento do dia para que um atendente leia uma frase de um livro para você. Tem momento nos quais isso realmente ajuda muito. Aí está o telefone deles para vocês, é uma boa dica: 3106-4403

Andamos até o Mosteiro Budista Busshinji, no bairro da Liberdade, entramos e tiramos várias dúvidas com o monge (que também fazia faculdade de arquitetura!!). Depois, fizemos o zazen, um tipo de meditação em que ficamos sentados olhando para a parede por uns 5 minutos, que passaram incrivelmente rápido, numa posição muito engraçadinha, é até mais fofa do que as que a gente vê em filmes. Cara, budismo é incrível.

Saindo de lá, a Teresa nos guiou até um restaurante chinês chamado Rong He, comemos um monte de coisas, como frango xadrez, yakissoba, um negocinho parecido com guioza e várias outras coisas (muuito gostosas).

Pegamos o metrô e fomos até o CCSP (Centro Cultural São Paulo), onde sentamos e conversamos, como eu também já falei no outro post. Lá tivemos tempo para dar uma volta e conhecer o lugar, fazendo entrevistas, tirando fotos e até mesmo só andando e observando tudo. Tinha uma exposição super interessante!

Exposição no CCSP

Fomos de metrô, de novo, para a Casa das Rosas, na Paulista, lá só demos uma volta e depois paramos para ouvir a Teresa cantar (<3).

Saímos, pegamos o metrô até a Augusta e começamos a descer a rua até nos depararmos com uma loja muito legal (chamada Augusta Arts), do lado de uma feirinha de food trucks também muito legal, que não estava dentro dos nossos planos, mas entramos mesmo assim.

Continuamos a caminhada até chegar na Loja Caos, uma loja de antiguidades na qual realizamos nosso fechamento do dia. Voltamos andando para o hotel e jantamos lá. Mais tarde, lá pras 20h30 fomos para o sarau. Este aconteceu em um pequeno auditório/teatro e nos surpreendemos com os talentos de nossos colegas e professores também, cantando e tocando vários instrumentos.

Voltamos para o hotel e cantamos parabéns para as 3 pessoas que faziam aniversário naquela semana. Fomos para os quartos e, mais uma vez, dormimos direto.

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Na frente do templo budista.

…dia 3

Nos encontramos no saguão às 8hs em ponto. O roteiro do dia era andar de bicicleta, mas ninguém sabia direito para onde nós íamos. Pegamos as bikes na Praça da República e, depois de colocar os capacetes, ajeitar os bancos, etc, partimos.

No dia anterior, a Teresa tinha dito que a bicicleta era uma coisa mais individual, então seria bem diferente dos outros dias, não haveria tanta união. Ficamos meio chateadas, mas ok, né.

Bom, fomos em direção ao parque do povo, mas sem ter muito o que fazer quando chegássemos lá, era só pelo passeio. A frase que melhor descreve o dia é “tudo é travessia”.

Bem no comecinho do trajeto, a Rafa sentiu que não ia aguentar, porque suas pernas estavam doendo muito, então voltou para o hotel e se uniu ao grupo 3.

No Parque do Povo depois da pedalada. (Foto do blog https://mnm152cg7.wordpress.com/)
No Parque do Povo depois da pedalada. (Foto do blog https://mnm152cg7.wordpress.com/)

Não sei exatamente o nome das ruas pelas quais passamos, só sei que acabamos indo para um café da manhã dos ciclistas na Faria Lima, tinha um brownie tão gostoso! Foi lá que entregamos o presentinho da Teresa, que eu já mencionei, também, no outro post, foi tão fofo! Não aguento, juro.

Continuando: chegamos no Parque do Povo (depois de 17 km!!), deixamos as bikes lá e nos despedimos dos monitores tão fofos que tinham nos acompanhado durante o trajeto. Pegamos um trem da CPTM até um lugar que eu não consigo me lembrar agora e depois pegamos o metrô até o Belém.

Almoçamos em um pequeno self-service e andamos até a Vila Maria Zélia, lugar onde assistimos a peça Hygiene, do grupo XIX de teatro. Mas antes de realmente vê-la, fizemos o fechamento do grupo. Mesmo a bicicleta sendo supostamente individual, conseguimos fazer disso uma coisa em grupo e ficamos mais unidos do que nunca. Foi tão fofo!!! Nos abraçamos (eu que comecei, assim como todos os outros abraços em grupo hahaha) e foi aí que eu comecei a chorar. Não teria como o grupo 4 ser mais fofo, de verdade!

Foto: http://www.focoincena.com.br/hygiene/1398

Mas enfim, assistimos a peça. Eu gostei muito! Pelo fato de ficarmos em pé e acompanhando os atores andando pelo cenário, foi criada uma proximidade entre nós e a peça, algo muito diferente e interessante. No final, sentamos, conversamos com os atores e depois fizemos um fechamento do 2o ano inteiro. Os professores, monitores e os próprios alunos falaram coisas fofíssimas e super emocionantes.

Entrei no ônibus fretado e fiquei tão triste… Pensei que não teria mais grupo 4 junto e nem Móbile na Metrópole. Ainda bem que eu estava errada, já até nos encontramos, como eu contei aqui!!

O EM foi só um empurrãozinho para nos fazer perceber a cidade e despertar nossa curiosidade, mas o MNM não acaba com os três dias. São Paulo não é só feia, não é só cinza e não é só Moema. Agora nós não vemos a rua, nós reparamos nela.

Um pouquinho de esforço já fez com que todo mundo abrisse os olhos e descobrisse SP como uma cidade completamente diferente do que imaginávamos.

Ana e Rafa

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