Eduardo Srur

No dia 13 de março eu fiz meu primeiro post (não obrigatório) aqui {como passou rápido, meu deus}. Ele era sobre um projeto do Attack Intervenções Urbanas.

Admito que aquele post é muito pouco desenvolvido e bem ruinzinho, mas foi bem no começo, não dava para esperar muito né. Mas enfim, o vídeo que está nele é um exemplo de intervenção da Attack, empresa fundada e dirigida pelo artista Eduardo Srur. Você pode estar se perguntando por que eu estou falando disso mais de três meses depois, então vou explicar: como estamos fazendo um mini-documentário, entramos em contato com o Eduardo e muito provavelmente faremos uma entrevista com ele em julho. Sendo assim, vim falar um pouquinho mais dele.

Eduardo Srur é um artista visual paulistano nascido em 1974 e conhecido, hoje, por suas intervenções urbanas. No entanto, ele começou sua trajetória de artista visual com a pintura e somente a partir de 2002 passou a se dedicar às intervenções. “Suas obras se utilizam do espaço público para chamar a atenção para questões ambientais e o cotidiano nas metrópoles, sempre com o objetivo de ampliar a presença da arte na sociedade e aproximá-la da vida das pessoas” (site dele). Ele realiza diversas intervenções urbanas na cidade de São Paulo e já participou de exposições em vários países, como Cuba, França, Suíça, Espanha, Holanda, Inglaterra e Alemanha.

“Eduardo Srur tem uma urgência: ser visto e ouvido. Talvez não ele pessoalmente, mas suas ideias e seu desconforto com o que vê. O resultado são intervenções/manifestos artísticos nascidos da observação e do incômodo que brotam da sua relação com a cidade de São Paulo, o espaço público onde nasceu e que divide com outros quase 11 milhões de pessoas.” (coluna de Paulo Lima)

Escolhi algumas intervenções dele que eu gosto para falar um pouquinho:IMG_0001

A intervenção PETS era composta por esculturas gigantes na forma de garrafas plásticas. A exposição ocupou, em 2008, as margens do rio Tietê, em São Paulo, por dois meses e foi vista por mais de 60 milhões de pessoas. A obra foi visitada por 3 mil crianças e professores da rede pública de ensino. No final da exposição, o material plástico das garrafas infláveis foi transformado em centenas de mochilas desenhadas pelo artista Jum Nakao e doadas às escolas que fizeram o passeio.

IMG_0003Trampolim foi uma intervenção feita em 2014 no rio Pinheiros, nela
vários bonecos foram colocados na ponta de pranchas azuis posicionadas em diversas pontes que cruzam o poluído rio. O mais interessante não é a intervenção em si, mas a reação das pessoas,
houve 300 ocorrências no Corpo de Bombeiros (pensando ser pessoas reais e não bonecos), selfies e grande número de posts nas redes sociais. Além disso, uma das esculturas levou um tiro de revolver e outra teve a cabeça decepada.

(as imagens acima são do site do Eduardo Srur)

Foto: http://www.clubedecriacao.com.br/ultimas/arvores-caidas/

Árvores caídas foi inaugurado no dia 27/6 e está ocorrendo na Praça da Paz do Ibirapuera. De acordo com esse site, “o projeto foi criado em janeiro, quando São Paulo ficou caótica por causa da queda de 1.700 árvores – aproximadamente 700 em apenas 4 dias. Diversas ruas foram interditadas, o trânsito ficou infernal e, no Parque Ibirapuera, as pessoas praticamente tropeçavam em árvores caídas, o que deu nome ao projeto. A prefeitura, responsável pelo manejo dos troncos, não deu conta de retirá-los. A causa de tantas quedas em janeiro foi a intensidade de chuvas, o vento, a idade avançada das árvores, a infestação de pragas e o manejo irregular. Passado o verão, o problema foi deixado de lado, mas, com certeza, se nada for feito, acontecerá novamente quando a temporada de chuvas voltar. O objetivo do projeto #ARVORESCAIDAS é conscientizar o público sobre a importância das árvores para a cidade e como deve tratá-las para evitar que a situação observada em janeiro se repita.” Assim, Srur fixou no chão um tronco de eucalipto com um manequim de cabeça para baixo agarrado a ele. Isso representaria a relação invertida do homem com a natureza.

Tem algumas palestras dele aqui, e eu achei essa bem legal, nela Srur fala um pouco mais sobre algumas das suas intervenções (inclusive sobre o PETS) e seus significados:

Informações: facebook, instagram

Analu

Making of – argumento

Oi!!

Postamos nosso argumento (aqui) há alguns dias e como essa semana foi um pouco menos corrida por causa do começo das férias (aleluia), resolvemos fazer um making of. Ficou meio grandinho, mas como já tínhamos cortado tudo o que dava, preferimos deixar assim mesmo.

Esperamos que vocês gostem e riam tanto quanto nós!! 🙂 ❤

PS.: eu, Analu, fiquei morrendo de vergonha percebendo o quanto eu sou dramática

“Los coches nos vuelven invisibles”

Oi gente!

Esse post deveria ter sido feito há um tempinho já, mas só tive tempo (e disposição) para fazer isso agora, então vamos lá né.

Bommm, sábado, dia 13 de junho, ou seja, final de semana anterior a semana de provas (sim, aquele que você morre estudando), fui fazer o que? Assistir a um documentário no parque do Ibirapuera, é lógico!

Umas 10 pessoas (ou menos, não sou boa de estimativa) encontraram a Teresa na praça do Monumento às Bandeiras e nós andamos até o Auditório Ibirapuera. Sentamos e conversamos até o documentário começar, mas a exibição não foi dentro do auditório, e sim na área externa. O filme foi projetado na parede em frente a umas 2000 pessoas.

Fui sem saber exatamente o que ia assistir (como sempre, bem perdida). Só sabia que era sobre bicicletas. Acabei descobrindo que era o lançamento de um documentário chamado Bikes vs Carros. Dirigido pelo sueco Fredrik Gertten (que estava lá no parque), o filme mostra como a indústria automobilística influencia nas políticas públicas das cidades e como a bicicleta começa a tentar mudar um pouco disso, não mostrando uma “guerra” por espaço, como sugere o título. Ele retrata diversos locais, como Copenhague, Los Angeles, São Paulo, Toronto, Bogotá, etc, mostrando diferentes pontos de vista em relação à bicicleta e ao modo que ela é utilizada. Por meio de entrevistas com, por exemplo, Aline Cavalcante, ciclista que mora em SP, e Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista, vai sendo mostrada a importância das bicicletas e das ciclovias. O filme mostra nomes e situações um pouco mais cotidianas e acho que, por causa disso, as pessoas foram se aproximando de nós, fazendo com que a Aline, por exemplo, fosse muito mais do que apenas uma ciclista.

O que mais me marcou foi o fato de ele me fazer pensar que talvez a bicicleta seja um meio de humanizar e tornar parte da cidade aqueles que são invisíveis dentro dos carros.

Aqui tem dois trailers que eu achei:

Confesso que eu nunca tinha visto um filme ao ar livre, mas a sensação foi incrível. Poder ver o céu e as estrelas enquanto eu assistia foi uma coisa indescritível, até os aviões que passavam me encantavam! Mas enfim, depois de ter visto o filme comendo o bolo (como sempre delicioso) da Teresa, discutimos um pouco sobre o documentário.

Nessa discussão, falamos um pouco sobre o título, que eu, particularmente, não gosto, assim como a maioria das pessoas que estavam lá. Em relação a isso, encontrei um vídeo do diretor falando um pouco sobre isso e sobre as pessoas que não gostam:

Gostei muito, muito mesmo. Apesar de todos os pontos negativos que existem no filme, eu senti vontade de fazer parte daquilo. Recomendo que todos assistam, de verdade!

Ele já está sendo exibido em São Paulo (Espaço Itaú de Cinema – Augusta e Frei Caneca) e no Rio de Janeiro (Espaço Itaú Cinema) e logo será mostrado em Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Brasilia, Belo Horizonte, Salvador, João Pessoa e Santos.

Se quiser saber mais, aqui está o site do filme.

Ana

Tapete Voador

Mais uma vez viemos falar sobre um projeto de intervenção incrível que conhecemos! Já mencionamos ele nesse post de Dicas de páginas no Instagram (se você não viu, dá uma olhadinha lá)

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“viver é ficar exposto” (página do facebook do projeto)

Trata-se de um projeto chamado Tapete Voador, em que são colados vários “tapetes” com inscrições poéticas no chão das ruas. Ele foi criado pelos gaúchos Caio, Fernanda e Nadia, que moram em Porto Alegre. Fernanda é diretora de arte e design, o Caio é roteirista, diretor de cena e como a Nadia, todos trabalham com publicidade. Além disso, eles nos disseram que são ligados emocionalmente à arte e à poesia. Para eles, os tapetes são sua forma de voar, de fazer o que acreditam e de compartilhar isso.

“A ideia inicial foi do Caio, inspirado nas palavras escritas em amarelo no chão dos bancos nos sugerindo aguarde“, disseram os criadores, “o primeiro Tapete Voador que surgiu dizia: ‘olhando aqui debaixo, você faz parte do céu’. A ideia é que a calçada esteja falando com a pessoa, esse diálogo com a calçada, com o caminho”.

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(da página do facebook)

Eles escolheram colar no chão “para que as pessoas que andam de cabeça baixa possam ler e interromper a sequência de pensamentos rotineiros. Que sintam-se queridos e convidados a repensar os caminhos, trajetos, destinos. Pensamos em criar espaços para o diálogo entre as pessoas e as ruas por onde passam”.

A intenção é “poder interferir positivamente na vida de alguém, mesmo que seja somente por um segundo”. Eles se inspiram na alegria de viver, buscando provocar uma sensação boa em quem o encontra. Isso faz com que as pessoas se sintam homenageadas, fotografando e compartilhando.

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“vou botar você numa moldura e olhar pra sempre” (da página do facebook)

Achamos que o que nos atraiu para tal projeto foi o fato de as frases serem coladas no chão. Entre todas as intervenções urbanas que vimos nos últimos meses (e olha que foram muitas), essa é a única que encontramos que faz isso. O que estamos questionando com esse trabalho é justamente a falta de olhar ao nosso entorno e a nossa cidade e, incontáveis vezes, isso acontece por estarmos simplesmente olhando para o chão ao caminhar. É incrível que eles tenham captado isso de uma forma tão bonita, tornando a intervenção disponível até para aqueles que não querem, ou esquecem, de olhar. Esse é mais um, dentro de uma variedade incontável de exemplos, dos projetos que fazem todo esse trabalho valer a pena e que concretizam tudo aquilo que queremos mostrar. ❤

Informações: instagram, facebook

Happy

Oi!!!

Não fiz nenhum post nos últimos dias, mas explico que as últimas semanas estiveram muito corridas. Essa, em especial, foi um caos completo, acho que todo aluno da Móbile vai entender. Semana de provas é sinônimo de dormir pouco (tipo umas 5hs no máximo), estudar o dia inteiro e ficar um absurdo de estressada.

Maaaaas não é sobre isso que eu vim falar, apesar de ter uma relação.

Toda semana de provas me deixa com crises imensas sobre todos os temas possíveis e imagináveis, e acho que vocês já devem ter percebido que eu tenho uma crise constante sobre esse negócio de ser feliz. É uma coisa que não entra na minha cabeça.

(Imagem: http://www.deseretnews.com/article/865550146/Happy-documentary-argues-that-everyone-can-become-happier.html)

[Acho importante dizer que não quer dizer que eu me considere triste, não é para levar nesse sentido. Na verdade, eu não sei como me classificar – e não sei nem se quero saber] –> percebe-se nesse momento um início de outra crise

Bom, continuando: cheguei hoje em casa e a primeira coisa que eu fiz foi deitar na cama e abrir o netflix (lógico). Com tudo isso de Móbile na Metrópole e documentários, eu descobri que eu gosto muito deles, ao contrário do que eu pensava antes. O fato é: quando eu abri o netflix, apareceu como indicação pra mim um documentário chamado Happy que, pra ser sincera, eu nunca tinha ouvido falar.

Vendo esse título, é óbvio que eu já abri e comecei a assistir direto.

Dirigido e produzido por Roko Belic, o filme busca entender diversas questões, por exemplo o que faz alguém feliz, se felicidade significa o mesmo para todos, entre outras. Isso foi feito a partir de uma série de entrevistas com pessoas de vários lugares do mundo (Dinamarca, Japão, Butão, Índia, Estados Unidos, Brasil, etc) e alguns investigadores e pesquisadores do tema. Pesquisando sobre o filme, descobri que ele foi inspirado em um artigo do New York Times de 2005 chamado “A New Measure of Well-Being from a Happy Little Kingdom” escrito por Andrew C. Revkin.

Quando acabei de assistir, confesso que me surpreendi (de um jeito positivo) com o filme, apesar de com certeza ele possuir alguns pontos que me incomodam, tipo o final, mas não vou me aprofundar muito nisso porque eu estaria contando demais né. Enfim, achei o filme como um todo fofíssimo e acho que todos deveriam assistir, ainda mais aqueles que tem crises parecidas com as minhas.

Vou deixar bem claro que não, não solucionou as minhas questões, mas me deu uma sensação boa. Não digo de tranquilidade ou conformidade, mas me fez bem de algum jeito que eu não sei exatamente explicar.

Aqui tem o link do site do filme e do documentário online (no caso de, por algum motivo, você não ter netflix).

Espero que gostem!!

Ana

http://sofia-scopel.tumblr.com/image/121136208580

Oi gente, boa tarde! ❤

Eu tive uma crisesinha aqui no meio dos meus estudos pras bimestrais (aquela semana que você morre, literalmente), daquelas que se você espreme sai um belo post reflexivo, sabe?

Bom, me dói o coração dizer que eu, infelizmente, não tenho tempo pra redigir tudo isso e que nessa semana eu vou estar meio ausente por aqui… Mas dói mesmo.

Pra vocês que não tem que estudar (primeiro, que inveja), eu queria deixar essa frase aí, porque, afinal das contas, no final tudo vira poesia. E é aí que está a beleza de toda essa existência. Poesia faz tudo valer a pena, até essas horas incontáveis de estudo e essas fórmulas intermináveis que se misturam em Química, Física e Matemática… Já não sei mais de nada.

E, academicamente, isso me preocupa. Por isso, vou fechar essa janela antes que eu passe horas aqui. Boa noite pra vocês. Muito amor, muitos sorrisos e muita, muita, muita poesia.

Rafa ❤

Um pouco mais sobre intervenções urbanas

Oi! Encontramos um artigo muito interessante, ele trata principalmente do graffiti e da pichação, mas ele também possui vários elementos que podem se referir tanto às intervenções urbanas como um todo quanto ao nosso foco, a poesia. Como não vamos falar de todo o artigo, aqui tem o link para caso você queira ler inteiro.

De acordo com as autoras do texto, Janaina Rocha Furtado e Andréa Vieira Zanella, “A vida nas cidades é marcada pelos afazeres e transações econômico-comerciais nas quais as ruas, estradas e avenidas se apresentam como meios de conexão onde o vai-e-vem, de lá-pra-cá de uma e outra atividade, são intensos e constantes. Algumas vezes sobra tempo para os divertimentos e lazeres, frequentemente bastante custosos. Isto quando os citadinos, e não são todos, possuem o devido acesso aos equipamentos culturais ou de lazer e podem usufruir as produções culturais contemporâneas e bens coletivos nacionais e internacionais, locais ou globais. De modo geral, encontram-se imersos na característica e costumeira fragmentação urbana na qual alguns se reconhecem e outros não.

Embora possamos dizer que está cada vez mais dura, a cidade não está morta. Constitui-se espaço geográfico significativo de ação e possibilidade social de engajamento. A cidade é universo de relações, de encontros, vive, pulsa, e as relações que ali se delineiam vão muito além do desempenho de atividades prático-utilitárias, no interlúdio entre casa e trabalho, casa e escola. Do caos imagético, da fragmentação territorial, do acúmulo e superficialidade de signos, a cidade se ergue em suas pungentes possibilidades. Nela sensibilidades recriadas se inauguram e nela atuam vários grupos heterogêneos que criam, renovam, implicam-se e resistem ao instituído, buscando potencialidades outras de viver e reencantar o cotidiano. É preciso que se pergunte por esses grupos e se pergunte sobre os tantos processos criativos que têm a cidade como contexto e como lugar de atuação, de constituição de práticas e de redes coletivas de significação, que permitem ultrapassar e questionar o que se apresenta inventando uma outra cidade.”

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Esses espaços tem sido produzidos continuamente por meio das intervenções urbanas, seja por meio do graffiti ou dos lambe-lambes com inscrições poéticas. Eles estão presentes no mundo todo, tanto em cidades grandes quanto em cidades pequenas, o que mostra sua grande importância (e sua dimensão). lambes ​

“Para a Psicologia Histórico-Cultural, os processos psicológicos se constituem via relações sociais que, propriamente humanas, são mediadas pela linguagem, ou seja, por processos de significação plurais, contraditórios, polissêmicos que possibilitam sua constituição.” A intervenção urbana subjetiva os criadores, ao mesmo tempo que pode ser lida pelos transeuntes, que podem vir a se relacionar e subjetivar com esta também.

“Para os autores, a palavra resulta sempre da interação de sujeitos, devidamente localizados numa determinada situação social, e opera na realidade e nos sujeitos ali envolvidos. Os diversos sentidos nela implicados, por ser a palavra sempre polissêmica, só podem ser compreendidos, portanto, dialogicamente, dentro do contexto em que são proferidas.”

“Alguns pesquisadores (Abramo, 1994; Vianna, 1997) apontam também que o surgimento de muitos grupos juvenis urbanos, nas últimas décadas, articula-se fundamentalmente às dimensões ou redes de sociabilidade, somada à busca de certa inovação estética por parte desses grupos, como meio para a elaboração simbólica e crítica de seu tempo. Isto acontece à medida que estas manifestações se apresentam como uma forma de resposta à organização social que delimita e estrutura o universo juvenil. Muitos almejam uma via alternativa para a constituição de si, o que frequentemente ocorre nas atividades de lazer (Magnani, 1996), nas quais encontram espaços para tal manifestação.”

De acordo com um dos entrevistados, existe uma gíria que é “Ldrão”, que tem por trás um conceito de que o artista estaria roubando o muro, resgatando-o e entregando-o para todos como arte, o que é uma forma diferente de se entender as intervenções urbanas.

“A cidade é o lugar onde o público e o privado, o sujeito e a coletividade se imbricam, onde as condições, as forças potencializadoras das ações humanas se articulam. Segundo Milton Santos (1996), todo e qualquer espaço é uma manifestação socialmente plena da experiência humana e, sendo assim, a cidade não pode ser compreendida como espaço físico apenas, mas espaço de significação humana. Espaços nos quais os sujeitos interagem uns com os outros, com o meio e seus signos, construindo suas próprias maneiras de significar suas vivências e agir a partir delas. Ao resgatar os muros, ao reivindicar espaços de fala e de afirmação enquanto sujeitos que também habitam e vivenciam os espaços da cidade, estes sujeitos grafiteiros produzem novos sentidos do e no urbano, bem como ressignificam a si mesmos como sujeitos possíveis na cidade (…)” [Apesar do último período tratar exclusivamente do graffiti, todos os artistas que atuam no espaço urbano também possuem essas ações]

Em uma pequena conclusão, os autores mostram que “através das imagens [no nosso caso, das palavras], o graffiti propõe outra relação com o entorno urbano, questionando, a partir de um olhar estético, os territórios, as regulamentações do espaço e estrutura da cidade e das imagens que nela circulam, assim como os problemas coletivos subsistentes. Na heterogeneidade dos discursos visuais, no silêncio destas conversas urbanas, o graffiti se faz e se refaz na incerteza da permanência ou do apagamento, na duração do olhar que passa, que imagina, que significa o urbano.”

https://instagram.com/p/1ziYF1BJpG/?taken-by=kobrastreetart
https://instagram.com/p/1ziYF1BJpG/?taken-by=kobrastreetart

Argumento

Oi, gente! Vocês devem ter visto pelo instagram que temos feito algumas filmagens, então vamos explicar um pouquinho do que se trata: precisávamos criar um argumento para o nosso documentário, ou seja, apresentar justificativas para a relevância do tema que escolhemos. Uma tentativa (bastante difícil) de se colocar em 3 minutos uma prévia do nosso documentário, o que é quase como um trailer de cinema. Fizemos filmagens pelas ruas e também montamos esse cenário incrível, que agora está sendo reutilizado para montar aquele mural. sobre o qual falamos nesse post. Nos sentimos muito mais próximas do produto final desse projeto e, também, do nosso tema ao fazer esse vídeo. Foi muito (muito mesmo) divertido! Colocamos todo o nosso carinho e amor nessa pequena amostra do nosso trabalho. Esperamos muito que vocês gostem <3.

“Últimas conversas”

Eduardo Coutinho. (Foto: https://jornalismoliterarioblog.wordpress.com/2015/02/02/importancia-de-eduardo-coutinho-para-o-jornalismo-brasileiro/)

Ao longo desse primeiro semestre falamos muito sobre documentários de diferentes autorias, no entanto, os de Eduardo Coutinho, considerado um dos maiores diretores de cinema do Brasil, foram os mais enfatizados pelos professores. Ele começou sua trajetória nesse ramo na década de 1950, enquanto estudava Direito. A partir desse ponto, sua carreira seguiu vários caminhos, como a ficção, o jornalismo e, por fim, o cinema documental, no qual possuía filmes caraterizados, principalmente, pelas entrevistas. Como exemplo de seus documentários está “Edifício Master” e “Jogo de Cena”. Em 2014, com 80 anos, Coutinho foi morto a facadas em seu apartamento por seu filho, que sofre de esquizofrenia. Na época da sua morte, ele estava no meio da produção de um documentário, o qual acabou sendo finalizado por João Moreira Salles e nomeado como “Últimas Conversas”. Esse filme foi lançado em 2015 no festival de documentários “É Tudo Verdade”.

No dia 30 de maio tivemos a oportunidade de ir ao Espaço Itaú de Cinema na Augusta para assistir o filme e depois participar de um encontro filosófico, no qual sentamos em uma praça na Paulista e fizemos uma discussão sobre o documentário.

A proposta do “Últimas Conversas” era  falar com adolescentes, entre 16 e 18 anos, vindos de escolas públicas do Rio de Janeiro, sobre os temas mais variados, de religião, bullying, a relação com os pais, a morte, o amor e vários outros assuntos, retratando os típicos comportamentos desses jovens e as dificuldades que muitas vezes enfrentam.

(Imagem: http://cinemaeaminhapraia.com.br/2015/04/15/ultimas-conversas-2014-de-eduardo-coutinho/)

São cenas relativamente simples. Um jovem abre a porta, cumprimenta Coutinho, que tem sempre sua voz no fundo das cenas, senta e vai respondendo às perguntas. Mesmo assim, cada entrevista é incrível do seu próprio jeito, tornando o conjunto que compõe o filme também excepcional. Apesar de existirem trechos muito tristes, há também muitos momentos engraçados, trazendo uma alternância de emoções ao longo do filme que é totalmente verdadeira, sem precisar usar música para provocá-las (sim, não há trilha sonora em nenhuma parte do documentário, o que pode parecer estranho, mas tem um efeito muito incrível).

Por haver uma grande proximidade com a nossa faixa etária, a identificação com o filme é inegável. Não só por causa das histórias ali presentes, mas também pelas atitudes, as desconfianças e os questionamentos próprios da adolescência.

É impressionante, também, a informalidade que Eduardo Coutinho fala com os entrevistados de modo a criar uma aproximação entre eles, fazendo com que sintam se totalmente a vontade  para falar sobre o mais particular de suas vidas. Assim, ele consegue atingir seu objetivo de retratar a realidade e alguns adolescentes de modo surpreendentemente emocionante.

Além de tudo isso, como sabemos da morte de Coutinho, o documentário se torna muito mais impactante, já que o vemos com outros olhos. Não vamos nos aprofundar muito nisso, porque estaríamos contando muito sobre o documentário em si, e a intenção é fazer com que vocês assistam, já que é um filme incrível que todas nós gostamos muito!

Ah, a poesia…

Viemos aqui falar um pouquinho do que nos apaixona: a poesia. Para começar bem, o que é a poesia? A palavra poesia vem do termo latim “poēsis”, que deriva de um conceito grego. Trata-se da manifestação da beleza ou do sentimento estético através da palavra, podendo ser sob a forma de versos ou de prosas. Em todo o caso, o seu emprego mais usual está relacionado com os poemas e com as composições em verso. Com muita dificuldade, se coloca em palavras mais enciclopédicas o que a poesia significa. No dicionário, ela é:

poesia: 1. arte de fazer versos. 2. cada gênero poético. 3. obra em verso, poema. 4. característica do que toca, eleva, encanta. 5. forma especial de linguagem, mais dirigida à imaginação e à sensibilidade do que ao raciocínio. Em vez de comunicar principalmente informações, a poesia transmite sobretudo emoções.

Mas de onde surgiu isso? Fomos procurar mais afundo e não nos surpreendemos a encontrar frases do tipo: “A poesia como uma forma de arte pode ser anterior à escrita.” A poesia, a nossos olhos, é algo metalinguístico e quase metafísico. Não há nada, nenhuma palavra, que a possa explicar tão bem e tão genuinamente quanto ela mesma. A essência do gênero poesia só se passa pelos poemas em si. Quem nunca leu alguma obra de Leminski ou Drummond que falasse sobre o ato de fazer poesia ou sobre os poemas em si? A poesia existe em si e para si. É uma urgência do ser humano de extravasar sentimentos e sensações únicas naquele que escreve. Nesse aspecto um pouco mais poético, achamos um texto do Arnaldo Antunes que fala um pouco sobre isso:

“A origem da poesia se confunde com a origem da própria linguagem.
Talvez fizesse mais sentido perguntar quando a linguagem verbal deixou de ser poesia. Ou: qual a origem do discurso não-poético, já que, restituindo laços mais íntimos entre os signos e as coisas por eles designadas, a poesia aponta para um uso muito primário da linguagem, que parece anterior ao perfil de sua ocorrência nas conversas, nos jornais, nas aulas, conferências, discussões, discursos, ensaios ou telefonemas.
Como se ela restituísse, através de um uso específico da língua, a integridade entre nome e coisa — que o tempo e as culturas do homem civilizado trataram de separar no decorrer da história.
Houve esse tempo? Quando não havia poesia porque a poesia estava em tudo o que se dizia? Quando o nome da coisa era algo que fazia parte dela, assim como sua cor, seu tamanho, seu peso? Quando os laços entre os sentidos ainda não se haviam desfeito, então música, poesia, pensamento, dança, imagem, cheiro, sabor, consistência se conjugavam em experiências integrais, associadas a utilidades práticas, mágicas, curativas, religiosas, sexuais, guerreiras?
No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermediam nossa relação com as coisas, impedindo nosso contato direto com elas. A linguagem poética inverte essa relação pois vindo a se tornar, ela em si, coisa, oferece uma via de acesso sensível mais direto entre nós e o mundo.
Segundo Mikhail Bakhtin, (em “Marxismo e Filosofia da Linguagem”) “o estudo das línguas dos povos primitivos e a paleontologia contemporânea das significações levam-nos a uma conclusão acerca da chamada ‘complexidade’ do pensamento primitivo. O homem pré-histórico usava uma mesma e única palavra para designar manifestações muito diversas, que, do nosso ponto de vista, não apresentam nenhum elo entre si. Além disso, uma mesma e única palavra podia designar conceitos diametralmente opostos: o alto e o baixo, a terra e o céu, o bem e o mal, etc”. Tais usos são inteiramente estranhos à linguagem referencial, mas bastante comuns à poesia, que elabora seus paradoxos, duplos sentidos, analogias e ambiguidades para gerar novas significações nos signos de sempre.
Já perdemos a inocência de uma linguagem plena assim. As palavras se desapegaram das coisas, assim como os olhos se desapegaram dos ouvidos, ou como a criação se desapegou da vida. Mas temos esses pequenos oásis — os poemas — contaminando o deserto da referencialidade.”

um pouquinho do sentimento do que é poesia, traduzido nela própria e em uma imagem colorida (http://lounge.obviousmag.org/efemera/2014/04/permita-ser-ser-atingido-pela-poesia.html)

Embora seja difícil (ou praticamente impossível) definir o marco de início da poesia, foram encontradas inscrições hieroglíficas egípcias que datam do ano 2600 a.C. Estas são o que mais se assemelha a primeira poesia da história, ou, pelo menos, de que se tenha registo. Canções de músicas desconhecidas, mas que tem caráter religioso e que aparecem desenvolvidas em distintos gêneros, como odes, hinos e elegias. Na Antiguidade, a poesia teve um caráter ritual e comunitário, especialmente em povos como os sumérios, os assírios, os babilônicos e os judeus. Além da religião, foram surgindo outras temáticas como o tempo e os trabalhos cotidianos.

Ainda nessa pegada mais histórica, mesmo antes da invenção do alfabeto, os gregos acreditavam que as Musas concediam o dom de desencantar as palavras: eram os Aedos, como os poetas de hoje em dia. Eles compunham canções com liras e, através disso, conseguiam “transmitir os segredos das palavras através da poesia”. Os poemas eram compostos e cantados pelos Aedos e quando as canções passaram a ser escritas, os Aedos desapareceram. A palavra grega mousa significa “canção” ou “poema”. As musas habitavam no templo Museion, termo que deu origem à palavra “museu” definido como o local de preservação das artes e ciências.

Muita cultura, né? Existem muitas curiosidades sobre esses assuntos e a Mitologia Grega, em particular, é algo extremamente interessante. Poesia é uma das coisas mais lindas e naturais desse universo. É a essência de toda a existência humana (e talvez ainda outras). Tudo se deve a poesia – as dores, os amores, as alegrias e as infelicidades – e, por isso, somos eternamente gratas a ela!

E é claro que, em um post desse, não poderia faltar, de jeito nenhum, um poema! Aqui vai um pouquinho de Carlos Drummond de Andrade para alegrar o dia e a vida de vocês:

Poesia

Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

inunda minha vida inteira.

fontes: