Argumento

Oi, gente! Vocês devem ter visto pelo instagram que temos feito algumas filmagens, então vamos explicar um pouquinho do que se trata: precisávamos criar um argumento para o nosso documentário, ou seja, apresentar justificativas para a relevância do tema que escolhemos. Uma tentativa (bastante difícil) de se colocar em 3 minutos uma prévia do nosso documentário, o que é quase como um trailer de cinema. Fizemos filmagens pelas ruas e também montamos esse cenário incrível, que agora está sendo reutilizado para montar aquele mural. sobre o qual falamos nesse post. Nos sentimos muito mais próximas do produto final desse projeto e, também, do nosso tema ao fazer esse vídeo. Foi muito (muito mesmo) divertido! Colocamos todo o nosso carinho e amor nessa pequena amostra do nosso trabalho. Esperamos muito que vocês gostem <3.

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“Últimas conversas”

Eduardo Coutinho. (Foto: https://jornalismoliterarioblog.wordpress.com/2015/02/02/importancia-de-eduardo-coutinho-para-o-jornalismo-brasileiro/)

Ao longo desse primeiro semestre falamos muito sobre documentários de diferentes autorias, no entanto, os de Eduardo Coutinho, considerado um dos maiores diretores de cinema do Brasil, foram os mais enfatizados pelos professores. Ele começou sua trajetória nesse ramo na década de 1950, enquanto estudava Direito. A partir desse ponto, sua carreira seguiu vários caminhos, como a ficção, o jornalismo e, por fim, o cinema documental, no qual possuía filmes caraterizados, principalmente, pelas entrevistas. Como exemplo de seus documentários está “Edifício Master” e “Jogo de Cena”. Em 2014, com 80 anos, Coutinho foi morto a facadas em seu apartamento por seu filho, que sofre de esquizofrenia. Na época da sua morte, ele estava no meio da produção de um documentário, o qual acabou sendo finalizado por João Moreira Salles e nomeado como “Últimas Conversas”. Esse filme foi lançado em 2015 no festival de documentários “É Tudo Verdade”.

No dia 30 de maio tivemos a oportunidade de ir ao Espaço Itaú de Cinema na Augusta para assistir o filme e depois participar de um encontro filosófico, no qual sentamos em uma praça na Paulista e fizemos uma discussão sobre o documentário.

A proposta do “Últimas Conversas” era  falar com adolescentes, entre 16 e 18 anos, vindos de escolas públicas do Rio de Janeiro, sobre os temas mais variados, de religião, bullying, a relação com os pais, a morte, o amor e vários outros assuntos, retratando os típicos comportamentos desses jovens e as dificuldades que muitas vezes enfrentam.

(Imagem: http://cinemaeaminhapraia.com.br/2015/04/15/ultimas-conversas-2014-de-eduardo-coutinho/)

São cenas relativamente simples. Um jovem abre a porta, cumprimenta Coutinho, que tem sempre sua voz no fundo das cenas, senta e vai respondendo às perguntas. Mesmo assim, cada entrevista é incrível do seu próprio jeito, tornando o conjunto que compõe o filme também excepcional. Apesar de existirem trechos muito tristes, há também muitos momentos engraçados, trazendo uma alternância de emoções ao longo do filme que é totalmente verdadeira, sem precisar usar música para provocá-las (sim, não há trilha sonora em nenhuma parte do documentário, o que pode parecer estranho, mas tem um efeito muito incrível).

Por haver uma grande proximidade com a nossa faixa etária, a identificação com o filme é inegável. Não só por causa das histórias ali presentes, mas também pelas atitudes, as desconfianças e os questionamentos próprios da adolescência.

É impressionante, também, a informalidade que Eduardo Coutinho fala com os entrevistados de modo a criar uma aproximação entre eles, fazendo com que sintam se totalmente a vontade  para falar sobre o mais particular de suas vidas. Assim, ele consegue atingir seu objetivo de retratar a realidade e alguns adolescentes de modo surpreendentemente emocionante.

Além de tudo isso, como sabemos da morte de Coutinho, o documentário se torna muito mais impactante, já que o vemos com outros olhos. Não vamos nos aprofundar muito nisso, porque estaríamos contando muito sobre o documentário em si, e a intenção é fazer com que vocês assistam, já que é um filme incrível que todas nós gostamos muito!

Ah, a poesia…

Viemos aqui falar um pouquinho do que nos apaixona: a poesia. Para começar bem, o que é a poesia? A palavra poesia vem do termo latim “poēsis”, que deriva de um conceito grego. Trata-se da manifestação da beleza ou do sentimento estético através da palavra, podendo ser sob a forma de versos ou de prosas. Em todo o caso, o seu emprego mais usual está relacionado com os poemas e com as composições em verso. Com muita dificuldade, se coloca em palavras mais enciclopédicas o que a poesia significa. No dicionário, ela é:

poesia: 1. arte de fazer versos. 2. cada gênero poético. 3. obra em verso, poema. 4. característica do que toca, eleva, encanta. 5. forma especial de linguagem, mais dirigida à imaginação e à sensibilidade do que ao raciocínio. Em vez de comunicar principalmente informações, a poesia transmite sobretudo emoções.

Mas de onde surgiu isso? Fomos procurar mais afundo e não nos surpreendemos a encontrar frases do tipo: “A poesia como uma forma de arte pode ser anterior à escrita.” A poesia, a nossos olhos, é algo metalinguístico e quase metafísico. Não há nada, nenhuma palavra, que a possa explicar tão bem e tão genuinamente quanto ela mesma. A essência do gênero poesia só se passa pelos poemas em si. Quem nunca leu alguma obra de Leminski ou Drummond que falasse sobre o ato de fazer poesia ou sobre os poemas em si? A poesia existe em si e para si. É uma urgência do ser humano de extravasar sentimentos e sensações únicas naquele que escreve. Nesse aspecto um pouco mais poético, achamos um texto do Arnaldo Antunes que fala um pouco sobre isso:

“A origem da poesia se confunde com a origem da própria linguagem.
Talvez fizesse mais sentido perguntar quando a linguagem verbal deixou de ser poesia. Ou: qual a origem do discurso não-poético, já que, restituindo laços mais íntimos entre os signos e as coisas por eles designadas, a poesia aponta para um uso muito primário da linguagem, que parece anterior ao perfil de sua ocorrência nas conversas, nos jornais, nas aulas, conferências, discussões, discursos, ensaios ou telefonemas.
Como se ela restituísse, através de um uso específico da língua, a integridade entre nome e coisa — que o tempo e as culturas do homem civilizado trataram de separar no decorrer da história.
Houve esse tempo? Quando não havia poesia porque a poesia estava em tudo o que se dizia? Quando o nome da coisa era algo que fazia parte dela, assim como sua cor, seu tamanho, seu peso? Quando os laços entre os sentidos ainda não se haviam desfeito, então música, poesia, pensamento, dança, imagem, cheiro, sabor, consistência se conjugavam em experiências integrais, associadas a utilidades práticas, mágicas, curativas, religiosas, sexuais, guerreiras?
No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermediam nossa relação com as coisas, impedindo nosso contato direto com elas. A linguagem poética inverte essa relação pois vindo a se tornar, ela em si, coisa, oferece uma via de acesso sensível mais direto entre nós e o mundo.
Segundo Mikhail Bakhtin, (em “Marxismo e Filosofia da Linguagem”) “o estudo das línguas dos povos primitivos e a paleontologia contemporânea das significações levam-nos a uma conclusão acerca da chamada ‘complexidade’ do pensamento primitivo. O homem pré-histórico usava uma mesma e única palavra para designar manifestações muito diversas, que, do nosso ponto de vista, não apresentam nenhum elo entre si. Além disso, uma mesma e única palavra podia designar conceitos diametralmente opostos: o alto e o baixo, a terra e o céu, o bem e o mal, etc”. Tais usos são inteiramente estranhos à linguagem referencial, mas bastante comuns à poesia, que elabora seus paradoxos, duplos sentidos, analogias e ambiguidades para gerar novas significações nos signos de sempre.
Já perdemos a inocência de uma linguagem plena assim. As palavras se desapegaram das coisas, assim como os olhos se desapegaram dos ouvidos, ou como a criação se desapegou da vida. Mas temos esses pequenos oásis — os poemas — contaminando o deserto da referencialidade.”

um pouquinho do sentimento do que é poesia, traduzido nela própria e em uma imagem colorida (http://lounge.obviousmag.org/efemera/2014/04/permita-ser-ser-atingido-pela-poesia.html)

Embora seja difícil (ou praticamente impossível) definir o marco de início da poesia, foram encontradas inscrições hieroglíficas egípcias que datam do ano 2600 a.C. Estas são o que mais se assemelha a primeira poesia da história, ou, pelo menos, de que se tenha registo. Canções de músicas desconhecidas, mas que tem caráter religioso e que aparecem desenvolvidas em distintos gêneros, como odes, hinos e elegias. Na Antiguidade, a poesia teve um caráter ritual e comunitário, especialmente em povos como os sumérios, os assírios, os babilônicos e os judeus. Além da religião, foram surgindo outras temáticas como o tempo e os trabalhos cotidianos.

Ainda nessa pegada mais histórica, mesmo antes da invenção do alfabeto, os gregos acreditavam que as Musas concediam o dom de desencantar as palavras: eram os Aedos, como os poetas de hoje em dia. Eles compunham canções com liras e, através disso, conseguiam “transmitir os segredos das palavras através da poesia”. Os poemas eram compostos e cantados pelos Aedos e quando as canções passaram a ser escritas, os Aedos desapareceram. A palavra grega mousa significa “canção” ou “poema”. As musas habitavam no templo Museion, termo que deu origem à palavra “museu” definido como o local de preservação das artes e ciências.

Muita cultura, né? Existem muitas curiosidades sobre esses assuntos e a Mitologia Grega, em particular, é algo extremamente interessante. Poesia é uma das coisas mais lindas e naturais desse universo. É a essência de toda a existência humana (e talvez ainda outras). Tudo se deve a poesia – as dores, os amores, as alegrias e as infelicidades – e, por isso, somos eternamente gratas a ela!

E é claro que, em um post desse, não poderia faltar, de jeito nenhum, um poema! Aqui vai um pouquinho de Carlos Drummond de Andrade para alegrar o dia e a vida de vocês:

Poesia

Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

inunda minha vida inteira.

fontes: