Envie um poema!

Oi!

Viemos contar uma novidade no blog, então ai vai um pequeno texto que escrevemos sobre isso:

Inseridas nesse projeto e tão apaixonadas pelo tema do qual tratamos, resolvemos, primeiramente, entrar em contato com este de forma mais direta. Montamos um cenário para um vídeo que explicasse a importância das intervenções urbanas e da poesia na cidade de São Paulo, imprimindo, em papéis coloridíssimos, frases e trechos de poemas que nos agradavam. Colamos toda essa “bagunça” na parede e, depois que o vídeo ficou pronto, nos perguntamos o que fazer com tudo aquilo.

Queríamos poder compartilhar com mais pessoas tudo aquilo que nos toca, nos emociona. Afinal das contas, a poesia existe para isso. Optamos por trazer esses papéis para esta sala, uma vez que a escola pode sempre virar um espaço menos acadêmico e ter, cada vez mais, a nossa cara!

Por isso, resolvemos abrir um espaço para a contribuição de todos, de forma a completar esse mural. Mandem pequenas frases, ou trechos de poemas e músicas pelo nosso blog e pelo nosso Instagram. Que este mural vire algo de todos e que ele possa alegrar dias e espalhar sorrisos!

Criamos uma página para que isso seja feito, o link é esse, tem mais algumas informações sobre isso lá!

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Somos instantes

Oi, gente! Gostamos muito de fazer esse post (e esperamos que vocês tenham gostado de lê-lo), então resolvemos fazer outro post de um jeito parecido. Conversamos com as criadoras do Somos Instantes! Ainda não mencionamos esse projeto no blog, então vai estar tudo bem detalhadinho aqui.

Foto da página do facebook do projeto.

O projeto é idealizado e mantido por três amigas de Caxias do Sul (RS) que tinham em comum a vontade de mudar o mundo ao seu redor. Bárbara Lorenzi tem 21 anos e trabalha como professora de teatro para crianças. Betina Scholl, 20 anos, estuda Design de Moda na Universidade de Caxias do Sul. E Giulia Andreazza, com 21 anos, também estuda na Universidade de Caxias do Sul cursando Publicidade e Propaganda. As três amigas se conheceram no colégio em que estudaram durante o Ensino Médio e sempre prestaram atenção nos recados que a rua podia expressar. Em 2014, reuniram ideias e resolveram que era hora de colocar em prática as suas vontades de transformar a sua cidade.

Como surgiu a ideia do projeto? “A ideia do projeto surgiu através de uma matéria compartilhada nas redes sociais a respeito de um projeto que acontece na cidade de São Paulo, o TXT Urbano, no qual as pessoas compartilham frases positivas pelo contexto urbano através de post-it. Curtimos muito a ideia do projeto, e começamos a conversar sobre como poderíamos mexer com a nossa cidade e o nosso dia-a-dia também. Optamos pela ideia do lambe-lambe por ser uma mídia de baixo custo que alcança um grande número de pessoas. Nossa vontade era de modificar o dia-a-dia das pessoas, inclusive os nossos, podendo proporcionar um instante de reflexão, ou apenas um sorriso, no meio da rotina tão corrida que vivemos nos dias de hoje.”

(Foto: https://instagram.com/p/1GuyWvP3GY/)

Qual a importância dele para vocês? E para a cidade? “O projeto ganhou um espaço muito grande nas nossas vidas. Ele veio para preencher alguns espaços em branco que carregávamos conosco. A princípio, uma ideia tão simples e que servia apenas como um passa-tempo, hoje é encarado com mais seriedade e cada vez com maior entusiasmo. Ele nos faz lembrar das pequenas coisas da vida, de como as palavras têm poder e de sair dessa rotina tão automatizada que virou a vida contemporânea. Nós nos dedicamos a ele com amor e por amor. Para a cidade, o projeto tem uma importância social. O Somosinstantes tem o caráter de arte urbana, que é a arte pública, que se faz no espaço público, que contribui para a transformação qualitativa do cenário urbano provocando e exigindo compreensão dos seus códigos e interpretação das suas significações. O lambe-lambe na cidade é visto como uma arte que dialoga diretamente com as pessoas, porque é criado e pensado para estar nas ruas. Assim, causamos essas pequenas interferências na vida de quem está no trânsito, esperando na parada de ônibus, ou caminhando por aí, proporcionando esse momento de questionamento e interiorização. É importante pois humaniza o espaço urbano.”

Qual é a intenção de vocês com o projeto? “A intenção é provocar essa quebra de rotina, esse momento de questionamento, esse resgate do humano que por muitas vezes se perde na correria da vida urbana. Todo mundo quer viver em um ambiente melhor, com mais gentileza, mas poucos são aqueles que fazem algo para mudar a nossa realidade. Então mexemos em pequenos pontos da cidade que são capazes de mudar a cidade inteira, criando novos estímulos pras pessoas.”

Que efeito ele tem nas pessoas? “Andamos recebendo muitos retornos positivos a respeito do nosso trabalho. muita gente vem elogiar, dar estímulo, dizer para não desistirmos. tem gente que nos procura para contar que estava meio desanimado indo para algum lugar, passou e foi tocado pela mensagem, e que isso mudou seu dia. acho que é bem essa a nossa intenção. acreditamos que o projeto tem provocado ações positivas naqueles que se deixam sensibilizar pelo trabalho. a cidade fala, mas nem todos estão aptos para ouvi-la. é um questão de sensibilidade. E todos aqueles que são capazes de entender o propósito disso tudo, aqueles que se deixam tocar, provocam uma pequena mudança dentro de si. por menor que seja, ela existe. e isso nos deixa muito feliz.”

Por que “somosinstantes”? “Quando resolvemos criar um projeto precisávamos achar um nome. e não foi muito difícil chegar a um consenso. Chegamos ao nome somosinstantes por que trabalhamos com os pequenos momentos. Queremos despertar a atenção para os pequenos detalhes da vida. A vida é feita de instantes, mas as vezes esquecemos de prestar atenção nos mínimos detalhes. Hoje se chama somosinstantes porque acreditamos muito na importância dos pequenos momentos.”

Foto da página do facebook do projeto.

Qual é a inspiração que vocês têm para escrever cada frase? “Nossa inspiração inicial foram frases que a gente achava que nós mesmas precisávamos ouvir. Em seguida, começamos a pensar em qual a mensagem que queremos passar para as outras pessoas, o que achamos que vai tocá-las ou convidá-las a refletir e para por um instante diante de um cartaz. A inspiração dificilmente vem do nada, mas nós partimos de estímulos. pensamos, “o que queremos dizer para as pessoas? o que gostaríamos de ler quando passarmos pelas ruas?” a partir disso elencamos alguns pontos que queremos trazer à tona e desenvolvemos frases em cima disso, em um processo de brainstorming.”

Quantos cartazes vocês colam por mês mais ou menos? “A quantidade sempre depende das frases criadas, por isso varia de mês em mês. Em Caxias do Sul, o número fica em torno dos 20 lambes por mês. Mas também temos uma campanha em parceria com a agência de publicidade Sinergy Novas Mídias, que circula muito com as nossas frases na cidade de Porto Alegre, nas bancas de revistas e nas traseiras dos ônibus.”

O projeto nos encantou muito, ainda mais com a imensa fofura das donas. Ele se assemelha com os outros que temos mencionado e pelos quais somos completamente apaixonadas! A mensagem que cada um dos lambes traz é incrível, tratando dos mais diversos temas. Eu, Ana, fiquei olhando o instagram delas por um tempão e recomendo que todos façam o mesmo!

E vamos provando cada vez mais que algo tão pequeno quanto uma frase colada na rua pode mudar o dia de alguém. São essas iniciativas que parecem pequenas que fazem a maior diferença, seja em São Paulo ou em qualquer outra cidade!

Informações: Facebook, Instagram

Lambe-lambes

Seguindo um pouco a linha desse post, viemos falar um pouco sobre os lambe-lambes, nos aprofundando cada vez mais no nosso recorte temático.

Olha a história ai (foi a mais breve que eu consegui encontrar):

Cartaz de J. Cherét, 1895. (http://historiadocartaz.weebly.com/origens.html)

“Os primeiros cartazes foram desenvolvidos ainda no século X, por meio de xilogravuras, obtidas através da impressão de matrizes de madeira pelos povos orientais. No Renascimento, o primeiro cartaz conhecido é de Saint-Flour, de 1454, feito em manuscrito e sem imagens. Somente no final do século XIX, a arte de reunir textos e ilustrações numa folha de papel alcançou projeção, ao ser propagada pelos mercadores europeus e executada pelas mãos talentosas de artistas plásticos da época. Por volta de 1860, em Paris, Jules Cherét desenvolveu o sistema de impressão de 3 a 4 cores. Seu estilo atingiu o auge em 1880 e foi adaptado por outros artistas como Pierre Bonnarde e Toulouse-Lautrec – precursor da arte publicitária. Já no século XIX, começo do século XX, o movimento Arts and Crafts, um dos estilos estéticos que iniciou o caminho do Design Moderno, inspirou vários artistas a criarem Cartazes que pregavam a liberdade estética e a ousadia criativa. Aspectos que se relacionavam com a 2ª Revolução Industrial e com os avanços tecnológicos da época. (…) Os artistas desenhavam cada elemento do Cartaz, incluindo a tipografia. No século XX, o cartaz teve um papel importante no Design Moderno. O Design Russo influenciou fortemente a evolução do cartaz europeu, estando intimamente relacionado à propaganda do governo soviético e a vanguardas artísticas, como o construtivismo, trazendo mensagens de patriotismo, igualdade e vitória. Até 1917, existia uma grande influência francesa nas artes gráficas comerciais russas, somente após essa data é que o estilo russo encontrou seu caminho próprio, atrelado a artistas ligados ao processo revolucionário. (…) Durante a Segunda Guerra Mundial, os Cartazes deixaram de anunciar produtos para promover os esforços de guerra, por meio do apelo ao recrutamento ou veiculação de informações. Os governos que encomendavam esses cartazes queriam mensagens diretas e eficazes. Por isso, assumiam o risco de contratar e dar liberdade a jovens designers modernistas. Nos anos 60 e 70, os cartazes passaram a ser desenhados para uma audiência limitada, sendo encarados e vendidos como obras de arte. Eram tempos efervescentes, em que surgiram vários movimentos de fundo político e social, o que acabou por influenciar de forma decisiva o Design Gráfico. Entre eles, podemos citar o movimento estudantil, o psicodelismo e o punk. A partir dos 70, a tecnologia deu aos designers muito mais controle sobre o tipo de letra e a reprodução da imagem. Nos dias atuais, poucos são os artistas gráficos cujas obras se destacam, quer qualitativamente ou em termos de inovação. O computador têm um papel cada vez mais importante na criação de cartazes e as combinações criativas entre fotografia, ilustração e trabalho tipográfico os transformou em veículos extremamente democráticos, que evoluem à velocidade da tecnologia digital.” (Fonte)

Hoje em dia, os lambe-lambes estão presentes em diversas cidades do mundo, sendo quase impossível falar de intervenções urbanas sem falar deles.

Achamos uma matéria do Green Peace sobre o assunto, então vamos falar um pouco dela, mas se você quiser ler tudo que está lá, o link é esse.

comum a2 - post cartaz
Lambe por Comum A2 (Foto: https://instagram.com/p/2izvgPx84I/?taken-by=comum_a2)

Primeiro de tudo, o que são lambe-lambes? “Um lambe-lambe é um cartaz com conteúdo artístico e/ou crítico colado em espaços públicos. É uma forma de intervenção criativa na sua cidade, com o poder de despertar as pessoas para reflexões que em geral não estão presentes no nosso dia a dia”. Ou seja, são uma forma colorida e expressiva que usam arte e poesia para expor ideias e/ou sentimentos. Se você não conseguiu imaginar muito bem o que estamos falando pode lembrar um pouco uma propaganda (tipo aquilo do “trago seu amor de volta em três dias”, que todo mundo já viu na rua), mas o conteúdo é bem diferente, o que é muito visível nas intervenções que vocês já viram em posts que nós fizemos aqui no blog, por exemplo da Camila, da Gabriela e do Thiago e da Carol.

Segunda coisa, que é muito importante: colar lambe-lambe não é crime. Todo cidadão tem o direito, garantido pela Constituição, de se manifestar livremente. Além disso, os lambes são uma forma de expressão totalmente pacífica. De maneira geral, as leis como a Lei Cidade Limpa (sobre a qual falamos aqui) não se referem a manifestações sem conteúdo comercial, são apenas para publicidade. É possível colar em lugares públicos, postes, lixeiras, etc, porém é necessário pedir permissão para colar em espaços privados, como muros e portões.

Para fazer a cola, pode ser usado polvilho, farinha de trigo ou algumas outras coisas. No entanto, não vamos explicar todo o processo para fazer a cola ou que tipo de pincéis você deveria usar, porque não é exatamente o foco aqui.

Esse é um documentário que estava disponível no site do Green Peace também, achamos que ele tem informações muito interessantes, falando, inclusive, com alguém que, por coincidência, foi tema de um post nosso, a Laura Guimarães.

Enfim, esperamos ter esclarecido um pouco mais sobre o assunto!

Yarn Bombing

Oi gente!

Em Nova Iorque. (Foto: http://en.wikipedia.org/wiki/Yarn_bombing)

Para não ficar presa falando só sobre as intervenções relacionadas diretamente à poesia, estava pesquisando e encontrei um projeto que me chamou muito a atenção, pelo fato de eu ter achado muito lindo (e fofo) e por ser muito diferente das intervenções que eu já conheci e que nós já apresentamos no blog.

Trata-se de um negócio chamado yarn bombing. É ai que você se pergunta: oi? Não vou explicar muito detalhadamente, porque tem bem detalhado no vídeo que vai estar abaixo, mas, basicamente, é um tipo de intervenção que coloca crochê e tricô nas árvores e postes. Isso já se espalhou no mundo inteiro, mas teve início nos Estados Unidos.

O fato de ser algo tão colorido me encantou, e encanta também a todos que passam pelas ruas.

Letícia Matos é uma das pessoas que realiza o yarn bombing, ela tem um projeto muuuito legal chamado 13pompons que dá um pouco de vida à São Paulo. Ela já passou também por várias outras cidades, como por Porto Alegre, Paraty, Goiânia, Mendoza e Buenos Aires.

Letícia Matos realizando a intervenção. (Foto: página do facebook do 13pompons)

“A ideia é fazer algo para compor o ambiente que já existe. Em vez de descartar, você transforma as coisas. Se há uma cadeira que você não gosta mais, é só fazer uma interferência que ela se renova”, contou Letícia em entrevista. “Desde
pequena, tinha uns 7 anos, aprendi a usar as agulhas. Minha mãe ensinou. Pra mim, o que faço hoje com o tricô e o crochê não é algo que caiu no meu colo, sabe? Faz parte de mim. Quero colocar arte na rua, mexer com as pessoas e inspirá-las. E lugares cinzas como as ruas de São Paulo são ideais. Ah, e pra cada vez que adorno um deles, dedico a alguém que amo. De alguma maneira, esses alguéns estão pelo mundo representados por pedacinhos de carinho meu”, disse aqui.

A frase que me fez refletir mais sobre o trabalho dela foi essa: “Não adianta reclamar de sua cidade. O importante é contribuir para mudá-la”. Acho que isso está diretamente ligado ao nosso tema e ao nosso projeto.

Aqui está o vídeo que eu mencionei, não consegui colocá-lo direto aqui porque não encontrei no youtube, somente no site da globo. Além de falar sobre a Letícia, ele conta sobre um outro grupo que tem a mesma iniciativa, achei super interessante, vale a pena assistir.

Algumas informações sobre a Letícia: Facebook, Tumblr

Ana

Intervenções Urbanas

Nós vivemos falando de intervenções urbanas, mas nos demos conta de que já exemplificamos muito as intervenções, mas nunca fizemos um post falando realmente delas. Então vamos falar um pouquinho do que são e como surgiram!

Intervenção urbana de Eduardo Srur. (Foto: http://super.abril.com.br/blogs/ideias-verdes/tag/eduardo-srur/)

Primeiramente, intervenção urbana é o termo utilizado para designar os movimentos artísticos relacionados às intervenções visuais realizadas em espaços públicos. Ela é voltada para uma experiência estética, buscando mudar a relação que se possui cotidianamente com a cidade, produzindo formas diferentes de se enxergar o espaço urbano.

“O que hoje chamamos de intervenção urbana evolve um pouco da intensa energia comunitária que floresceu nos anos de chumbo [período mais repressivo da ditadura militar no Brasil]. Os trabalhos dos artistas contemporâneos, porém, buscam uma religação afetiva com os espaços degradados ou abandonados da cidade, com o que foi expulso ou esquecido na afirmação dos novos centros. Por meio do uso de práticas que se confundem com as da sinalização urbana, da publicidade popular, dos movimentos de massa ou das tarefas cotidianas, esses artistas pretendem abrir na paisagem pequenas trilhas que permitam escoar e dissolver o insuportável peso de um presente cada vez mais opaco e complexo.” (Maria Angélica Melendi)

Intervenção por Banksy. (Foto: http://www.saopaulotimes.com.br/sp/banksy-famoso-por-ser-anonimo/)

“Houve um tempo em que o termo intervenção era privilégio legítimo de militares, estrategistas ou planejadores e o urbano adjetivava o futuro ainda longínquo para a maioria da população mundial. Se a intervenção urbana foi, no século XX, predominantemente heterônoma, uma ordem vinda de cima, a partir da segunda metade deste mesmo século, os artistas começaram a interceptar tal heteronomia e a apropriar-se da possibilidade de intervir no mundo real e na cultura, irreversivelmente urbanos. Neste curto intervalo histórico, diversas iniciativas artísticas realizadas fora dos museus e galerias, dos palcos e dos pedestais buscaram novas relações socioespaciais e consolidaram a idéia de intervenção urbana em dois rumos: como estratégia de transformação física (monumentos também heterônomos) ou como tática de uso da cidade e da cultura (interferências efêmeras, imagéticas, móveis, colaborativas). Atuando através de forças imprevistas, de conflitos de tradução e da expansão das noções e hierarquias tradicionais do espaço, tais práticas (a deriva, o minimalismo, a land art, o building cut, o happenning, o site-specific, etc.) desmontaram de uma vez por todas a ideia clássica de arte baseada no consenso e possibilitaram a emergência complexa e indelével da noção de público. E se hoje a expressão intervenção urbana soa como lugar comum até no mais remoto rincão sonhado pelos landartistas ­– quando o território está globalmente esquadrinhado pelos satélites, parcelado pelos interesses imobiliários e maculado pela latinha de Coca-Cola abandonada – o espaço público continua a ser uma das promessas não cumpridas da cidade. Público que, obviamente, não se refere apenas à ideia de audiência ou espectadores, mas a um conjunto de redes e espaços de participação e autonomia que conformam o território “de todos” na cidade, na diversidade dos seus aspectos sensíveis. Uma breve e provisória taxonomia do espaço público no contexto da arte atual delineia, em maior ou menor grau, o desejo – poético, político, coreográfico – de propor contribuições para futuros renovados que permitam que o senso de coletividade e a prática espacial crítica exerçam-se na cidade: (1) as experiências artísticas construídas sob a ideia do espaço público como mera localização testemunham o esvaziamento de suas redes territoriais, quando a cidade é utilizada apenas como lugar de exibição ou palco especial; (2) o espaço público entendido como processo e negociação retoma a esfera pública com seus conflitos e diversas vozes, tentando ver emergir discursos e possibilidades; (3) o espaço público como lugar de estudo corográfico tenta se aproximar das investigações geográficas e geopolíticas, repensando a arte através das experiências dos territórios de intolerância mundial; (4) o espaço público como prática de mapeamento performativo apresenta a ideia do mapa pessoal como escritura crítica de navegação da cidade; (5) o espaço público virtual lida com a emergência dos aparatos globais de medição, comunicação e monitoração do espaço, num alargamento redundante da esfera pública..” (Renata Marquez e Wellington Cançado)

Uma das intervenções do 3Nós3. (Foto: http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=3423)

As intervenções urbanas que se propõem a extrapolar a experimentação estética numa união entre arte e vida, e que se colocam de forma crítica na sociedade, buscam inspiração para suas atividades em movimentos artísticos que remontam a uma tradição que tem seu início no Surrealismo e no Dadaísmo.

Durante a primeira metade do século XX, existiu uma participação e coletivismo nas vanguardas artísticas determinadas pela participação revolucionária (dissolução da arte na vida), reformista (democratização da arte) ou didática (educando e alterando as percepções do público). Assim, no final dos anos 70 e início dos anos 80 começaram a surgir, principalmente em São Paulo, vários coletivos de artistas por conta da lenta e gradual abertura do regime militar. Grupos como 3Nós3, Viajou Sem Passaporte, GEXTU, Manga Rosa e TupiNãoDá buscavam uma forma de expressão artística diferente, pois acreditavam que exposições em sua forma tradicional seriam uma restrição da arte a uma determinada classe social. “Em 1978, os muros e as fachadas casas paulistanas já ostentavam inscrições de frases de duplo sentido, experimentos gráficos e desenhos, como também os stencils (máscaras) do trio de artistas Alex Vallauri, Carlos Matuck e Waldemar Zaidler.” (André Mesquita)

Partindo desses coletivos, existe um caminho que liga as experimentações formais na arte, os movimentos contraculturais da década de 60, até as práticas comunicacionais subversivas de coletivos, grupos de intervenção urbana e outras formas de ativismo midiático (relativo à mídia). Nos Estados Unidos, estas práticas mais recentes de ativismo midiático ganharam o nome de Culture Jamming (poderia ser traduzido como bagunça ou confusão da cultura), quando, em 1984, a banda Negativland assim nomeou diversas formas de sabotagem midiáticas. No final da década de 90, o termo era atribuído às ações anti-publicitárias, que ressurgiriam não mais no âmbito da arte ou da pratica lúdica, mas como ação política. Essas práticas de intervenção tinham duas vertentes de práticas de Culture Jamming, que são explicadas pelo estudioso alemão Cristoph Behnke: “Uma é a estratégia que reforça a coesão social de um grupo resistente dentro da estrutura vinda das técnicas publicitárias, e a outra é a estratégia que opera no espaço público, que intervêm no campo de forças das representações simbólicas, e questiona, com toda mensagem política que é comunicada, o quanto o uso privatizado da esfera pública pelo poder econômico é aceito sem questionamentos.”

Ainda durante a década de 90 começa, portanto, a se espalhar pelo mundo, inclusive chegando ao Brasil, a ideia de intervenção urbana como conhecemos hoje. Esse movimento foi crescendo e tomou grandes proporções algo que pode ser exemplificado pelo fato de São Paulo ser conhecida mundialmente pelos grafites existentes na cidade.

Só para fechar, aqui tem um vídeo no qual o Eduardo Srur fala um pouco mais sobre as intervenções hoje em dia. Tem umas informações muito legais, vale a pena conferir!

Fontes: 1, 2, 3, 4

Correspondência Poética

Depois da minha crise de ontem eu percebi que eu precisava escrever um montão de posts para o blog para poder relaxar um pouco, então ai vai o primeiro da série Analu-em-SP-desistindo-de-estudar!

Foto: http://revistalingua.com.br/textos/blog-redacao/sao-paulo-recebe-primeiro-festival-de-poesia-326263-1.asp

Há algumas semanas a Giulia (do Mais Sabor que Dissabor) comentou nesse post sobre um projeto que de acordo com ela, lembrou muito a nossa proposta, o link que ela colocou era esse, vindo de um site chamado Correspondência Poética. Achei o Ciclo de Intervenções Poéticas muuuito interessante, mas não encontrei muitas informações sobre ele, a página só tem uma mini descrição e não tem quase nenhuma outra página que fale sobre.

Como não deu para explorar tanto esse Ciclo, fui ver mais no site e descobri que ano passado aconteceu o I Festival de Poesia de São Paulo! Os poetas deveriam morar no município de São Paulo e podiam inscrever seus poemas, que deviam ser recitados e enviados em vídeo. Trinta selecionados participaram do festival e 13 poetas foram premiados, de acordo com o site, “visando com isso laurear e difundir o movimento literário que vem acontecendo nas periferias da cidade”.

Esse vídeo explica um pouco mais sobre a Correspondência Poética, que tem intervenções incríveis, e sobre o Festival, inclusive com alguns trechos dele.

Nesse link tem algumas fotos do evento e vários dos vídeos dos poetas, não assisti todos, mas os que eu assisti eram incríveis.

Esse poema foi o meu favorito, então decidi colocar aqui, até porque, tem tudo a ver com o Móbile na Metrópole.

Esse ano, já retomaram o trabalho para realizar o II Festival! Com certeza, se eu souber de mais alguma coisa, vou colocar aqui no blog!

Ana

Tempo

“Eu não tenho tempo” é a frase que eu mais tenho ouvido nas últimas semanas. Escola, blog, estudo, lição, trabalhos… eu poderia escrever uma lista gigantesca das coisas que eu tenho que fazer.

Tem estado tudo meio complicado, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e eu, uma pessoa (meio) distraída não consigo acompanhar nem metade, então acaba tudo ficando pra depois. [Agora, por exemplo, eu deveria estar estudando, mas eu acabei decidindo fazer um post, afinal, nada mais lógico adiar tudo que eu tenho para fazer, certo?]

Nós, ou pelo menos eu, nos preocupamos muito em ser produtivos o tempo todo. O melhor exemplo que eu consigo pensar agora é eu estar escrevendo tudo isso aqui às 21h40 de uma quarta-feira véspera de feriado. Apesar de que não sei se isso seria exatamente ser produtiva, porque apesar de eu amar escrever nesse blog e fazer esse trabalho, às vezes acaba sendo mais importante (não para mim, mas para o desempenho na escola) fazer outras coisas.

O ponto é: está tudo muito complicado, nós temos que filmar o argumento do documentário e editar tudo até sexta que vem, só que o grupo inteiro vai viajar no feriado e, apesar de já termos filmado uma parte considerável, está tudo muito cru ainda. Eu estou no meio de uma total e completa crise sobre o que nós temos até agora e sobre como vamos fazer para terminar (não digo em questão de prazo, mas sim em questão de capricho).

Você pode pensar que eu estou fazendo uma tempestade em um copo d’água, mas a escola está realmente muito complicada. O problema de ter que ser tudo para sexta não é nem o fato de ser daqui uma semana e um pouquinho, mas é que as provas bimestrais (que, caso você não saiba, valem um absurdo da nossa nota do bimestre) vem logo em seguida (a partir do dia 15), então encontrar um tempo para sentar e simplesmente editar o argumento e me dedicar 100% a ele vai ser tão difícil… Fora que eu sou uma pessoa que gosta de tentar deixar as coisas (com as quais eu me importo) bem feitas, então se nós não conseguirmos fazer tudo que queríamos nesse trabalho vai ser muito frustrante.

Acho que isso explica também a minha ausência no blog. Não tenho tido tempo e nem criatividade o suficiente para fazer novos posts e pesquisas, mil desculpas.

Precisava muito descarregar essa preocupação (e estresse) de algum jeito, então esse post foi realmente um desabafo. Agora são 21h55 e eu preciso voltar a fazer alguma coisa da infinita lista, porque não tem como perder tempo, né?

Ana