Das quarta-feiras mais tristes

Oi gente,

Viemos, com muito pesar, contar uma história muito triste, decepcionante e revoltante aqui.

Lembram do nosso Argumento? A gente filmou ele numa ruazinha aqui na Araguari, na rua do meu prédio e na rua da nossa escola. É um terreno vazio, cercado de um muro, tipo um tatume, que, um dia, foi um cinza, meio bege, muito triste. Mas pessoas lindas se juntaram e coloriram esse espaço, com grafitti, pichação e poesia. Só que, infelizmente, nem tudo foi lindo por tanto tempo…

Eu, Rafa, estava voltando para casa depois da aula e vi de relance um muro, que costumava ser colorido e cheio de vida, cinza. Não acreditei. Parei e olhei uma segunda vez. E uma terceira. Estava tudo cinza, mesmo. Entrei em crise completa. Liguei para a Ana, já que os trabalhadores ainda estavam lá, acabando de tirar vida daqueles muros. Ela me encontrou lá alguns minutos depois e, meio a um momento transbordado de raiva e desespero, fomos falar com um dos homens que supervisionava o trabalho.

A primeira pergunta foi até aonde eles iam pintar e ele disse que ia preservar apenas os graffitis do muro. Simpático, não? Eles selecionam o que forma de expressão e o que não é. Perguntamos, obviamente, o motivo daquilo e ele disse que estava sob ordens da prefeitura para pintar por cima de tudo. Ele se justificou simplesmente por ser seu trabalho e precisar mantê-lo. Não acho que ele esteja errado, não havia nada que ele pudesse fazer que fosse mudar aquela situação. Ele não parecia muito convicto de apagar aquilo ou achar que era algo feio e, inclusive, como para tentar nos reconfortar (já adianto que ele não conseguiu), ele disse: “não se preocupem, já já picham tudo de novo”. Claro, agora ficamos tranquilas. Porque o trabalho de quem estava lá nem foi por água abaixo. E também porque é divertido simplesmente gastar tinta e dinheiro com algo que é assumido ser sem propósito.

O problema em si está na prefeitura. Sim, sabemos que não foi nosso atual prefeito que inaugurou essa lei, mas a partir do momento em que ele libera uma das maiores avenidas de São Paulo, a 23 de Maio, para ser graffitada completamente, continuar apagando arte do mesmo gênero, se torna completa hipocrisia. Porque, sim, pichação e grafitti são do mesmo pacote. É tudo forma de expressão, livre e espontânea, até porque uma curadoria do que é bonito ou não, do que é civilizado ou não, do que é aceitável ou não acaba com toda a essência da arte de rua.

Parece sempre tão distante, vendo isso tudo em documentários, como o Cidade Cinza, ou ouvindo histórias, ou falando sobre o assunto, mas quando isso acontece em um lugar que frequentamos, que passamos todos os dias e que desenvolvemos um carinho por, isso se torna tão mais real, toma uma proporção que vocês nem imaginam.

Estou me sentindo tão mal, como se uma faca tivesse arrancado meu peito fora, como se um pequeno mundinho tivesse desabado… Não sei nem dizer. Tô até tremendo e a Ana também.

Deixo nossa revolta para que ela se torne de vocês, do coletivo como um todo. Postamos um vídeo no nosso Instagram disso. Que o sentimento seja compartilhado.

não poderia ter sido uma quarta-feira mais decepcionante…

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Analu e Rafa

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Oi, gente!

Mil desculpas por estarmos tão ausentes no blog.

Nós três estamos mega ocupadas com o documentário e a escola, estamos cheias de trabalhos, lição e provas (fora que a gente também tem que ter uma vida social, né? Imagina o caos).

Bom, a coisa boa é que dia 15 (de setembro) iremos entregar nosso mini documentário.

Se você acha que fazer um documentário de 10 minutos é fácil, você está completamente errado. Principalmente quando você tem mais ou menos 3 horas de entrevistas e fica super apegada a tudo, como é o meu caso.

Dificuldades a parte, nossos dias de Móbile na Metrópole tem sido super legais e engraçados, principalmente quando chega o ponto que a gente cansa de fazer, eu começo a falar besteira e a Rafa começa a rir de tudo.

Talvez você esteja se perguntando se essa bagunça toda vai dar certo. Se for o caso, a minha resposta é bem simples: não tenho a menor ideia. Não quer dizer que eu não esteja gostando do que a gente tem até agora, muito pelo contrário, mas é difícil dizer com tanto trabalho ainda pela frente.

Enfim, quis fazer esse post para manter vocês informados do que está acontecendo (ou porque eu estava com preguiça de estudar).

Com muito amor (e cansaço),

Analu

Sobre as entrevistas

Oiii, gente!

Nossa ideia era ter feito esse post há um tempo, mas por vários motivos isso não foi possível. Mas antes tarde do que nunca, né?

Estamos na reta final do nosso trabalho aqui e, ao mesmo tempo, felizes e tristes com isso. Felizes por completar um trabalho que fizemos com tanto carinho e dedicação e ansiosas para ver o resultado final disso. E tristes simplesmente pelo fato de nos aproximarmos do fim desse processo que abriu portas e janelas tão lindas para nós, com relação à nossa cidade e, também, à descoberta de nós mesmas.

Viemos contar um pouquinho das entrevistas que já fizemos até agora: com a Gabriela Saueia (Depois das Seis), Camila Lordelo (Eu Líricas) e Ryane Leão (Onde Jazz Meu Coração)!

23/06/15

As aulas já tinham acabado, mas era dia de pegar provas e ir para o Vitrine (tipo um show de talentos que os alunos montam lá na Móbile), então fomos até a escola. Combinamos de encontrar a Gabi na hora do almoço para podermos conversar um pouco antes da entrevista. Comemos juntas ali em Moema e conversamos por todo o almoço, o que foi ótimo para acalmar os nossos nervos e os dela também. Foi super divertido, ela é uma pessoa incrivelmente fofa!

Saímos do restaurante e fomos filmando a Gabi colando os lambes (lindos) dela pelo caminho até o Parque do Ibirapuera.

Andamos um pouco pelo parque até achar o lugar perfeito: uma árvore florida na frente do lago com vista pro céu (que infelizmente estava fechado). Um lugar tão perfeitinho. Modéstia à parte, as imagens ficaram lindinhas demais! A entrevista durou quase uma hora.

Como já era mais ou menos 17:30 o sol estava se pondo e a Gabi foi tirar a foto, que acabou sendo uma mistura da árvore com o lago e o céu. Ela deu uma polaroid lindinha para cada uma de nós e nos despedimos.

Foi uma ótima primeira experiência e nos deixou mais preparadas para a continuação do trabalho da melhor forma possível. Por isso, ficamos muuuuito felizes com os resultados e cada vez mais animadas com o produto final.


E você, já olhou para o céu hoje? 🙂

24/07/15

Era para termos feito várias outras entrevistas nessa semana, mas os entrevistados acabaram tendo vários compromissos, então foi só com a Camila. Ficamos meio (muito) em crise com o fato das coisas terem dado “errado”. Do tipo, “Deus, por quêeeee?”. Mas passou e, felizmente, deu tudo certo.

Fomos de manhã para a Pracinha da Oscar Freire (um lugar super lindinho com um mural de giz fofo) para encontrá-la.

Fizemos a entrevista, que foi a coisa mais fofa do mundo. Literalmente tudo que ela fala é poesia!! Depois saímos para filmá-la colando alguns lambes na Augusta. Nesse caminho, um menino que estava vendendo balas chamado Samuel, que devia ter uns 8 anos, se interessou pelos lambes e começou a falar com a Camila. Acho que o que mais nos surpreendeu foi que quando a Camila contou que ela estava colando poemas e fazendo arte, ele disse que não sabia o que era isso. Ela explicou tudo para ele e leu alguns dos seus poemas em voz alta. Ele ficou tão empolgado que até colou um dos lambes. Foi muito bonitinho, ficamos todas muito tocadas.

(Alguns dias depois, encontramos a Camila no Jardim Secreto no MIS e compramos coisinhas fofíssimas que ela vende com a poesia dela)


  

08/08/15

Era para nós termos entrevistado a Ryane na mesma semana que a Camila, mas como dissemos, ela teve que cancelar.

Remarcamos para o mesmo dia do Jardim Secreto, logo depois da Feira de Profissões da USP. Foi um dia um pouco cheio, como vocês podem imaginar. Encontramos a Ryane na Casa das Rosas (pela qual somos completamente apaixonadas, ainda mais considerando que o dia estava lindo e as flores mais ainda).

Fizemos a entrevista (que ficou muuuuito fofa, assim como todas as outras) num cantinho com vista para o jardim e para a rua, ao mesmo tempo. Foi muito legal ficar atrás da câmera e ver a reação e a curiosidade das pessoas em relação ao que estávamos fazendo por ali. Depois, andamos um pouco pela Paulista para colar alguns lambes. É muito divertido fazer isso em um lugar que acopla tanta arte, como a Paulista. Pessoas de todos os tipos (inclusive uma senhora muito meiga, achamos que ela fosse reclamar mas ela disse que gostou muito) parando seus dias e rotinas para apreciar a poesia que estava sendo exposta ali. É exatamente esse o propósito do nosso trabalho, não é? ❤

No final, a Ryane nos deu uns 15 lambes (um mais lindo que o outro).  E aqueles que não guardamos para colocar em nossas paredes foram para o nosso mural na escola!



Agora temos apenas mais uma entrevista para fazer, com o Eduardo Srur. Estamos cada vez mais animadas com o que tudo isso vai virar é muito muito muito ansiosas para mostrar pra vocês!! 💛

Com muito amor,

Analu, Rafa e Sofi

México promovendo sorrisos pela arte

Oiii!

Queria pedir desculpas, porque eu acabei não fazendo muitos posts no último mês. Não, não vou falar que eu viajei ou que estive muito ocupada as férias inteiras, porque não é verdade. Eu só quis tirar um tempo para dormir, fazer vários nadas sem me sentir culpada e pensar um pouco em muitas coisas (inclusive o nosso documentário).

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(http://www.planisferio.com.mx/germen-sensibilizacion-cultural-color-y-vida-en-palmitas/)

Enfim, vou parar de desviar do tema do post.

Há alguns dias me deparei com uma notícia de que o governo mexicano teria pedido para um coletivo artistas de rua chamado Germen Crew pintar mais de 200 casas de Palmitas, uma cidade no distrito de Pachuca, para uni-la e reduzir a violência entre os jovens. Essa foi a primeira coisa que eu achei o máximo. Em São Paulo, por exemplo, o governo paga para tirar a arte, no México, o governo pagou para que fizessem-na!

Esse grupo de artistas pintou 20.000 m² (!!!!) de fachada das casas em um único [e lindo] mural, que é agora o maior do México. Todas as 1808 pessoas que vivem no local foram afetadas pelo projeto e se envolveram com ele.

Eles esperam que o projeto inspire os jovens a se expressar por meio da arte. Um membro do Germen Crew disse aqui: “Graffiti, art and its history have transformed us and allowed us to avoid falling in perdition and make bad decisions. From of our experience, we propose it can change the lives of others.”

Os resultados disso tem sido muito positivos e a violência entre os jovens da comunidade foi quase erradicada!!

Achei que seria legal compartilhar isso aqui para mostrar o quanto a arte é importante e comprovar que uma intervenção dessas pode ser muito importante. Tomara que vocês tenham achado tão incrível quanto eu! ❤

Analu

Poesia agora (2)

Oii, gente!

Esse post está um pouquinho atrasado, mas nós queríamos contar como foi aquela exposição sobre a qual falamos aqui.

Contextualizando um pouco nosso dia: era para termos feito uma entrevista, mas houve um imprevisto e não foi possível. Então fomos fazer umas filmagens na rua. Deu tudo um pouco errado nesse dia, muitos dos lugares que queríamos filmar estavam fechados (tipo o Banespa e o Martinelli), então, como estávamos com tempo, a Rafa sugeriu que nós fôssemos para o Museu da Língua Portuguesa (já que as duas estavam loucas para ir para a exposição).

Superou qualquer expectativa que nós duas tínhamos. De verdade. Foi tão bonitinho. As duas saíram completamente encantadas com tudo que nós tínhamos visto (acho que pelo menos uma coisa deu certo).

É tudo muito criativo, diferente daquilo que já tínhamos visto. Tem foto de poesia de rua, poemas [incríveis] escritos em umas lâmpadas (não dá para explicar direito, mas vamos colocar algumas fotos aqui embaixo), lugares para você escrever seus próprios poemas e muito mais.

Nós duas amamos e esperamos que vocês tentem ir (e depois nos contem como foi)!

Aqui vão algumas fotos que nós tiramos (não de tudo, é claro):

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Analu e Rafa

Despedida

Oi, gente!

Nós queríamos fazer um pequeno (e triste) comunicado: por motivos pessoais a Aimee teve que sair da escola e voltar para o Rio.

Isso quer dizer que agora só haverá três integrantes no grupo. Ficamos todas muito tristes e sabemos que ela vai fazer muita falta. Apesar de não nos conhecermos há tanto tempo e nem termos nos reunido tanto para gravações e etc, todos os dias em que o fizemos foram muuuito especiais e engraçados (é só ver o making of do nosso argumento que vocês vão entender). E, além disso, ela teve um toque só dela no direcionamento do nosso projeto como um todo. Vai ter um pedacinho de Aimee no nosso documentário, mesmo ela não estando aqui.

Desejamos toda sorte possível e sabemos que ela continuará nos acompanhando, mesmo que indiretamente.

o grupo (agora menor, mas igualmente cheio de amor),

Analu, Rafa e Sofi