Cidade que tudo dá e tudo cobra…

“cidade que tudo dá

e tudo cobra.

do alto dos prédios,

aos beijos dos ventos,

contemplo sua obra:

essa imponência dura,

mas também essa ciência nobre

de seguir em frente.

pulsa: é feita de gente.

vive. e eu acompanho.”

O post de hoje está relacionado mais diretamente com São Paulo do que o anterior, apesar de eu já ter falado um pouco sobre isso. A pergunta que devemos responder hoje é: a sua relação com São Paulo mudou após os três dias de estudo do meio e do Móbile Na Metrópole como um todo?

Acho que a resposta cabe em três letras garrafais: SIM.

E muito.

Tanto que fica até complicado expressar o quanto essa relação mudou.

Começa com a percepção. Com sair daquela bolha na qual nós, jovens protegidos e privilegiados, vivemos. Com olhar para o outro, sem aquela sensação de se sentir mal, mas entendendo o funcionamento das cidades grandes e a situação que levou aquilo que encontramos. É muito mais do que um momento turístico, de conhecer lugares famosos, passar, tirar fotos e continuar a rota. É um momento de reflexão sobre o sistema no qual vivemos. É “conhecer São Paulo sem GPS”, é viver algo que milhões de pessoas vivem todos os dias. E isso tudo é uma grande urgência. Somos ensinados a dizer que queremos ajudar as pessoas, que queremos mudar o mundo. Mas como seria possível fazer isso sem olhar para o outro? Sem analisar tudo aquilo que nos afronta?

É muito claro ver como passamos a nos comportar na cidade e frente aos outros habitantes da mesma. No primeiro dia do Estudo do meio, eu lembro que, chegava até a ser engraçado, mas a gente não tinha noção nenhuma de espaço. Esbarrávamos nas pessoas, sem querer, lógico, e ocupávamos todo o espaço, impedindo a passagem dos outros e tudo mais. Acho que isso representa bem essa incapacidade de perceber outras pessoas no mesmo espaço. Já nos últimos dias, estava todo mundo mais confortável na cidade, nas ruas e todos os ambientes que frequentávamos, sem falar alto ou nada do tipo, e também com as pessoas, sem vergonha de pedir ajuda ou direções.

Além disso, em que mundo eu sairia de casa, pegando metrô e ônibus, para passar o dia nos arredores do centro e depois ir para a Vila Madalena? Não sei como eu teria coragem de fazer isso, com máquina fotográfica e todos os aparatos na bolsa, “só” acompanhada por uma outra menina, da mesma idade que eu, se não fosse pelos três dias que passamos na cidade. Também não sei como minha mãe teria deixado isso tudo, se ela não tivesse percebido como eu amadureci e cresci durante todo esse projeto. Ela sempre dizia, antes, que eu era muito avoada, era capaz de me perder e que eu não tinha senso de direção nenhum. Consegui fazer tudo isso (e muito mais) com certa naturalidade. O medo sumiu, junto com aquela noção do tipo “o que diabos eu to fazendo aqui?”.

Conheço bairros, sei o nome das ruas, sei pegar metrô e ônibus sozinha (eu até sei que isso não é nada demais, mas como eu só ando a pé por Moema, foi uma grande evolução pra mim), sei analisar problemas da cidade, sei quebrar estereótipos meus e das pessoas com quem eu convivo (inclusive brigar com a minha avó por ela dizer que a 23 de Maio estava feia. É, pois é, digamos que eu perdi a paciência e acabei me alterando um pouco)…

Me sinto, cada vez mais, menos alienada e mais envolvida nas questões da cidade que, agora, posso chamar de minha. E isso tudo é um processo que eu continuo desenvolvendo a cada dia mais, mas que só foi possível graças a essa iniciativa e esse pequeno empurrãozinho feito pela nossa escola.

Rafa

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