Avaliação

Oii, gente!

Esse é nosso último post obrigatório (mas não o último do blog!) e nele faremos uma avaliação do projeto e algumas sugestões para os próximos anos em que ele ocorra.

Já dissemos muitas coisas boas sobre o projeto aqui, mas como nem tudo são flores, decidimos falar primeiro das sugestões e dos aspectos negativos do projeto.

Primeiro, os prazos foram muito corridos, principalmente para fazer o argumento, então nós achamos que isso poderia se estender um pouco. Não sabemos exatamente como, mas talvez falando sobre o argumento já no final do 1° bimestre, e não no 2°. Além disso, a carga horária do projeto como um todo foi bastante grande. Tudo bem que estivemos muito envolvidas e, talvez, isso tenha pesado mais pra gente do que para alguns dos outros grupos. Mas, mesmo assim, a proposta de trabalho desse ano foi muito mais difícil e complexa do que a do ano passado, que era muito mais acadêmico. Obviamente, foi muito mais legal trabalhar esse ano, mas acho que poderiam encontrar um meio termo para isso.

Outra sugestão é que a correção do blog e do documentário fossem um pouco mais detalhadas. No caso do blog, no 1° bimestre teve o vídeo de correção, mas, pelo menos no nosso caso, ele não ajudou muito para ajustar o que seria necessário. Assim, nós achamos que seria melhor que o feedback em vídeo fosse melhor utilizado e explorado.

Além disso, tivemos bastante dificuldade para editar o documentário, principalmente no começo. Assim, achamos que poderia ser de grande ajuda que fosse feita pelo menos uma oficina de edição para podermos fazer o documentário com maior qualidade e, de certa forma, economizando bastante tempo.

Por último, alguns dos posts obrigatórios nos pareceram um pouco repetitivos, ou seja, muitas vezes falamos de coisas muito semelhantes em vários deles. Desta forma, seria positivo repensar um pouco esse tipo de post e, talvez, fazer um ou dois um pouco mais extensos do que vários fragmentos.

É evidente que existem algumas falhas, como mostramos, até porque, ele é algo muito recente, mas, de maneira geral, o projeto foi muito muito muito bom.

Então agora sobre os aspectos positivos: é um projeto incrível. Acho que já deixamos claro o quanto pensamos que ele é transformador e necessário para nós, que vivemos em uma bolha que, em alguns anos, se tornará impenetrável. O nosso crescimento o projeto foi imensurável e a carga emocional que nós colocamos nele foi muito grande. E poder escolher o nosso próprio tema, no nosso caso, garantiu, ainda mais, o envolvimento com todo o processo e fez com que nós nos apaixonássemos (ainda mais) pela poesia e pelas intervenções de maneira geral. 

Apesar de haver, na nossa opinião, muito mais aspectos positivos do que negativos, achamos que o blog inteiro traduz muito claramente e, talvez, até de forma mais natural, todos os pontos positivos do projeto por si só, sem que nós tenhamos que repetir tudo aqui (até porque, seria quase impossível dizer tudo de novo).

Como esse é o último post obrigatório, queríamos agradecer muito a todos que se envolveram nesse projeto e nos deram a oportunidade de viver essa experiência tão rica!

Beijos,

Analu, Rafa e Sofi

“A felicidade é deprimente”

“É possível que a depressão seja o mal da nossa época.

Ela já foi imensamente popular no passado. Por exemplo, os românticos (sobretudo os artistas) achavam que ser langoroso e triste talvez fosse o único jeito autêntico de ser fascinante e profundo.

Em 1859, Baudelaire escrevia à sua mãe: ‘O que sinto é um imenso desânimo, uma sensação de isolamento insuportável, o medo constante de um vago infortúnio, uma desconfiança completa de minhas próprias forças, uma ausência total de desejos, uma impossibilidade de encontrar uma diversão qualquer’.

Agora, Baudelaire poderia procurar alívio nas drogas, mas ele e seus contemporâneos não teriam trocado sua infelicidade pelo sorriso estereotipado das nossas fotos das férias. Para um romântico, a felicidade contente era quase sempre a marca de um espírito simplório e desinteressante.

Enfim, diferente dos românticos, o deprimido contemporâneo não curte sua fossa: ao contrário, ele quer se desfazer desse afeto, que não lhe parece ter um grande charme.

Alguns suspeitam que a depressão contemporânea seja uma invenção. Uma vez achado um remédio possível, sempre é preciso propagandear o transtorno que o tal remédio poderia curar. Nessa ótica, a depressão é um mercado maravilhoso, pois o transtorno é fácil de ser confundido com estados de espírito muito comuns: a simples tristeza, o sentimento de inadequação, um luto que dura um pouco mais do que desejaríamos etc.

De qualquer forma, o extraordinário sucesso da depressão e dos antidepressivos não existiria se nossa cultura não atribuísse um valor especial à felicidade (da qual a depressão nos privaria). Ou seja, ficamos tristes de estarmos tristes porque gostaríamos muito de sermos felizes.

Coexistem, na nossa época, dois fenômenos aparentemente contraditórios: a depressão e a valorização da felicidade. Será que nossa tristeza, então, não poderia ser um efeito do valor excessivo que atribuímos à felicidade? Quem sabe a tristeza contemporânea seja uma espécie de decepção.

Em agosto de 2011, I. B. Mauss e outros publicaram em ‘Emotion’ uma pesquisa com o título: ‘Será que a procura da felicidade faz as pessoas infelizes?’ (migre.me/rWgNC). Eles recorreram a uma medida da valorização da felicidade pelos indivíduos e, em pesquisas com duas amostras de mulheres (uma que valorizava mais a felicidade e a outra, menos), comprovaram o óbvio: sobretudo em situações positivas (por exemplo, diante de boas notícias), as pessoas que perseguem a felicidade ficam sempre particularmente decepcionadas.

Numa das pesquisas, eles induziram a valorização da felicidade: manipularam uma das amostras propondo a leitura de um falso artigo de jornal anunciando que a felicidade cura o câncer, faz viver mais tempo, aumenta a potência sexual –em suma, todas as trivialidades nunca comprovadas, mas que povoam as páginas da grande imprensa.

Depois disso, diante de boas notícias, as mulheres que tinham lido o artigo ficaram bem menos felizes do que as que não tinham sido induzidas a valorizar especialmente a felicidade.

Conclusão: na população em geral, a valorização cultural da felicidade pode ser contraprodutiva.

Mais recentemente, duas pesquisas foram muito além e mostraram que a valorização da felicidade pode ser causa de verdadeiros transtornos. A primeira, de B. Q. Ford e outros, no “Journal of Social and Clinical Psychology”, descobriu que a procura desesperada da felicidade constitui um fator de risco para sintomas e diagnósticos de depressão (migre.me/rWhcK).

A pesquisa conclui que o valor cultural atribuído à felicidade leva a consequências sérias em saúde mental. Uma grande valorização da felicidade, no contexto do Ocidente, é um componente da depressão. E uma intervenção cognitiva que diminua o valor atribuído à felicidade poderia melhorar o desfecho de uma depressão. Ou seja, o que escrevo regularmente contra o ideal de felicidade talvez melhore o humor de alguém. Fico feliz.

Enfim, em 2015, uma pesquisa de Ford, Mauss e Gruber, em ‘Emotion’ (migre.me/rWhp4), mostra que a valorização da felicidade é relacionada ao risco e ao diagnóstico de transtorno bipolar. Conclusão: cuidado, nossos ideais emocionais (tipo: o ideal de sermos felizes) têm uma função crítica na nossa saúde mental.

Como escreveu o grande John Stuart Mill, em 1873: Só são felizes os que perseguem outra coisa do que sua própria felicidade.” (texto de Contardo Calligaris disponível aqui)

Eu, Analu, encontrei esse texto e, depois de um pequeno período de choque, a minha primeira reação foi enviar o link para a Rafa. Ela sabe das minhas neuras com esse negócio de ser feliz (como dá pra ver nos posts daqui) e compartilha bastante delas, então teve uma reação muito parecida com a minha. De cara nós sabíamos que faríamos um post sobre o assunto.

Como o texto é super completinho, não vamos ser super detalhadas e se estender muito, porque ficaria super repetitivo, mas enfim…

A gente tenta muito ser feliz. O objetivo de vida de muita gente é esse, e o constante esforço para tentar alcançar essa felicidade plena (se é que isso é possível) vai fazendo com que a gente entenda que nem tudo são flores. Talvez essa decepção toda faça com que a gente entenda que não dá para ser 100% feliz e que, mesmo que a gente resista, a tristeza é um mal necessário.

Eu, Rafa, queria deixar um pequeno depoimento aqui também. Eu sofro de depressão, tipo genética mesmo. Minha mãe tem, meu avô tinha e por aí vai… É daquelas mais fraquinhas, nada preocupante, mas, mesmo assim, minha reação quando a Ana me mostrou o texto foi de total identificação. Uma das principais características da depressão, pelo menos da minha, é simplesmente ficar triste por nada e eu tenho muito esses mood swings, muito constantemente. Eu percebo como é difícil para as pessoas que estão a minha volta entenderem isso. Me jogam contra a parede, me questionam e até inventam motivos, mas não aceitam por nada nesse mundo que eu esteja triste porque sim. Só isso. É uma obrigação constante de colocar um sorriso na cara e “ser feliz”, por mais falso que isso seja. A tristeza alheia  incomoda as pessoas, talvez por simplesmente fazer a máscara que elas usam mais salientes e óbvias. Tem coisas que as pessoas não querem ver. Ponto final. E ai de você se for interferir nisso!

Não tem nada melhor para ilustrar isso do que aquele filme “Divertida Mente”, se você prefere nomes em inglês, “Inside Out” (sim, vou citar uma animação), que, por sinal, é muito bom, se você não assistiu, nós super recomendamos (mas somos meio suspeitas porque somos apaixonadas por animações). Enfim, quem assistiu ao filme vai entender claramente do que eu estou falando. Para quem não assistiu, resumindo absurdamente: é só quando a Alegria e a Tristeza se ajudam que elas conseguem resolver o conflito do filme (fui bem abrangente para não dar spoilers, de verdade, assiste).

O fato é, muitas vezes existe uma pressão gigante para que as pessoas sejam felizes o tempo inteiro, mas o que a gente não entende é que estar triste de vez em quando também é importante. Não necessariamente tem um motivo sempre, mas tem dias que tudo o que você quer é comer chocolate e chorar e não deveria ter problema algum em fazer isso. Só que muitas vezes nos sentimos tristes de estarmos tristes, porque tudo o que queríamos era sermos absurdamente felizes.

Talvez seja necessário viver para ser feliz, e não ser feliz para viver.

Beijos,

Analu e Rafa

Sobre as pessoas incríveis que o documentário nos trouxe

Oii, gente!

Então, só para dar uma contextualizada antes de começarmos a nos empolgar demais: esses dias nossos professores nos disseram que o nosso documentário tinha sido um dos escolhidos para passar na Mostra de Arte da escola. Obviamente nós ficamos super animadas! Quando saímos da escola, a primeira coisa que fizemos foi mandar uma mensagem para cada um dos entrevistados convidando-os para assistir ao documentário conosco, até porque, como os professores disseram que nós não podíamos divulgá-lo ainda, há vários meses não dávamos notícias sobre o andamento da situação.

Depois de contar todos os detalhes sobre o que aconteceria, a primeira a ver a mensagem foi a Gabi (se você não sabe quem é essa, dá uma olhada aqui). Ela respondeu no mesmo segundo tão empolgada quanto nós e foi um momento tão tão tão feliz!

Por N motivos aquele dia não tinha sido exatamente o melhor dia de todos, mas, de repente, tudo ficou um pouquinho mais agradável!

A segunda a responder foi a Ryane (post sobre ela aqui). Ela, infelizmente, não vai poder estar lá com a gente, porque ela vai estar dando aula bem nesse horário. A Camila (post sobre ela aqui) foi a terceira e também não poderá aparecer lá no dia, porque ela vai estar em uma exposição dos seus lindos produtos (dá uma conferida no Facebook ou no Instagram dela). Ficamos tristes com isso, já que estávamos ansiosas para vê-las novamente e mais ansiosas ainda para ver a reação delas ao nosso documentário.

Mas, mesmo assim, as mensagens que elas nos mandaram foram tão positivas quanto as da Gabi. Ficaram incrivelmente animadas quando souberam que nosso projeto tinha sido selecionado e fizeram questão de mandar parabéns e mostrar a vontade delas de ver o documentário junto com a gente. Estamos até pensando em fazer uma sessão pipoca em algum lugar para concretizar isso. Vai ser um momento lindo, tanto para nós quanto para elas. Não conseguimos pensar em um fechamento melhor para esse projeto do que esse.

O ponto é: ver essa empolgação toda vinda dela fez com que nós nos lembrássemos do quão incrível foi conhecer as pessoas que a gente conheceu e fazer tudo o que nós fizemos. Deu para lembrar a sensação boa que era obter uma resposta de um dos entrevistados pela primeira vez, sempre elogiando e achando incrível que pessoas de 16 anos já estivessem fazendo documentários e tratando de temas como as intervenções.

Acho que deu pra ver de novo o que tinha feito com que nós ficássemos tão felizes com todo esse projeto! E, mais do que isso, deu pra enxergar que tudo valeu a pena. Os longos dias editando, fazendo posts, pesquisando, tendo ideias… tudo!

É um sentimento de gratidão enorme e que só aumenta graças a essas pessoas incríveis que fizeram isso tudo possível.

Swarm the World

Oii, gente!

Depois de falar aqui sobre algumas intervenções um pouco diferentes, como o Yarn Bombing, eu pesquisei um pouquinho e encontrei uma outra muito legal.

Tasha Lewis, uma norte-americana, idealizou um projeto internacional de intervenção urbana chamado “Swarm the World”. Este consistiu em decorar países ao redor do mundo com borboletas azuis (que são super fofas).

No ano passado, Lewis buscou colaboradores para que mantivessem 400 borboletas em suas cidades e, depois de algumas semanas, enviassem-nas para o próximo participante. A ideia era até que simples, foram feitas 4000 borboletas magnéticas e estas foram divididas em 10 grupos de 400. No final, 100 pessoas, grupos e organizações participaram e conseguiram espalhar beleza em lugares públicos.

Tudo surgiu quando ela colocou 100 borboletas em uma moldura de maneira caótica. Sua intenção era subverter o formato tradicional que era proposto nos museus, mas não conseguiu mudar o fato de que as borboletas continuavam atrás do vidro.

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Quando se formou, em julho de 2012, ela teve a ideia de “libertar” as borboletas colocando um ímã em cada. Depois de terminar, começou a colocá-las por sua cidade, Indianápolis.

“My aim was for the butterflies to alite and therefore transform various metal objects and surfaces in the urban public sphere. In so doing they bring a kind of natural beauty, albeit an ephemeral one, into mundane and overlooked city spaces.”

Depois de viajar algumas vezes levando consigo as borboletas, Lewis percebeu que o projeto poderia ser ampliado com viagens, mas, como não poderia estar sempre viajando o mundo, mandar para grupos de outros lugares foi uma solução muito boa.

Se vocês quiserem ver mais fotos, é só pesquisar no Instagram a hashtag “swarmtheworld” que vão aparecer várias fotos incríveis!

Espero que vocês tenham se interessado tanto quanto eu! Vou deixar aqui o link do site da Tasha Lewis que tem ainda mais informações.

Beijos,

Analu

Arrependimentos (?)

Oii, gente!

Como já dissemos várias vezes, estamos fazendo alguns posts obrigatórios e esse é um deles, só que dessa vez ele é coletivo, ou seja, nós três estamos escrevendo. Nesse post nós temos que responder a seguinte pergunta: hoje, depois de ter terminado o vídeo, o que o grupo teria feito diferente no seu processo de trabalho?

A primeira coisa que veio na cabeça foi cortar os vídeos antes dos áudios. Nós cometemos esse erro e, de verdade, foi horrível. Depois de cortar todos os vídeos nós tivemos que achar e cortar cada áudio correspondente e, além de todo esse trabalho, no final era muito difícil de sincronizar as duas coisas. Até porque, com todo o nosso perfeccionismo e a aflição de esmagar 4 horas em 10 minutos, a gente acabou cortando todos os suspiros e momentos de “é…”s nas falas dos nossos entrevistados. Imaginem o quão pequenos ficaram esses vídeos e como foi, de fato, impossível cortar os áudios tão pequeninos e, como dissemos, sincronizar esses pedaços. O vídeo ficou meio Frankenstein (mas lindo <3).

Acho que, além disso, um arrependimento é não termos nos envolvido de primeira com o blog. Claro, postamos bastante coisa desde sempre, mas, no começo, eram sempre fotos ou poemas, sozinhos e desconexos. Agora, sabemos utilizar melhor esses elementos para propor reflexões (os nossos posts mega filosóficos, ou não, estão aqui), envolver nossos leitores mais no nosso tema e usar esse blog como um terapeuta que não responde, recheado de desabafos dos mais diversos tópicos.

Pessoalmente (em três), amamos nosso tema e o produto final de nosso minidoc. Acho que, se pudéssemos, teríamos mais incontáveis minutos de vídeo e entrevistaríamos mais inúmeras pessoas, as quais nos deparamos ao longo do processo e que fizeram esse trabalho mais lindo e mais recheado de amor, mas, infelizmente isso não foi possível. Nós até pensamos algumas vezes em fazer uma versão estendida, mas a vida tem estado uma loucura (cenas do próximo post-desabafo), então o tempo está curto. Mas a ideia não sumiu. Quem sabe um dia, né? Não podemos deixar de sonhar…

Escrevendo esse post o sentimento que tivemos foi de que talvez esse ano pudesse ter sido melhor aproveitado. Talvez possa ser coisa da nossa cabeça (bem possível), ou talvez não seja possível aproveitar nada por completo em momento algum, por mais envolvidas e empolgadas com o projeto que nós estivéssemos… sempre daria para aproveitar um pouquinho mais, não é? Talvez esses medos sejam por causa do terceiro ano chegando, final de escola, vestibular… aí esse tipo de crise vai se acentuando e acho que não tem nada que nós possamos fazer. Não conseguimos concluir se isso seria realmente um arrependimento, parece mais uma incerteza enorme que engloba um pouquinho de tudo e que surgiu, agora, nesse momento de reflexão. E, no final, o importante é pensar em tudo que aproveitamos mesmo, e não esses 0,1% que deixamos passar. É isso que nos marca, é isso que fica.

De resto, foi tudo muito tranquilo: o grupo funcionou bem, não deixamos nada para a última hora, amamos o nosso tema com todo o coração, conhecemos pessoas incríveis, vivemos experiências profundamente amadurecedoras, conseguimos fazer disso um projeto muito além do acadêmico… E a lista continua. Tirando nossos problemas técnicos e crises com a edição e a vontade de fazer mais, estamos muito contentes com o produto final desse projeto. Mas isso deve ser algo perceptível em cada post e cada etapa disso tudo ❤

PS: o ano está acabando e, por consequência, o projeto também. Mas esse blog virou um refúgio tão grande para todos os momentos que é muito provável que vocês nos vejam aqui ano que vem! Cada vez com mais crises existenciais e mais saudades dessas tarefas tão gostosas desse projeto.

Com muito carinho,

Analu, Rafa e Sofi

As flores de São Paulo

“Há flores em todos os lugares para aqueles que querem vê-las”

Oii, gente!

Falei nesse post que nós tínhamos que fazer alguns posts obrigatórios esse bimestre, então esse é o segundo deles. A pergunta é: a relação com São Paulo mudou após os três dias de estudo do meio e do MNM como um todo?

A resposta para isso é muito simples, e tenho certeza que o blog mostra isso claramente.

Primeiro de tudo, queria explicar a frase que eu coloquei no começo do post. O primeiro post do blog inteiro foi feito por mim no dia 10 de março (aqui o link) e era sobre as minhas primeiras impressões e as expectativas que eu tinha para o projeto. A última frase desse post era essa que eu coloquei aqui, porque eu achei que não tinha um jeito melhor de começar o meu último post obrigatório e individual. Não vejo por que explicar a relação entre o que eu vou falar e a frase, vai estar beeeem evidente.

Tem um trecho da Ryane no nosso documentário que ilustra muito bem tudo que eu vou falar:

“Eu descreveria São Paulo como uma cidade que é dita fria, mas não é. Você tem que estar muito disposto para São Paulo, tem que ter disposição porque senão você vai ficar em casa e você vai reclamar da cidade, se você estiver disposto a conhecer… Digamos que São Paulo seja uma pessoa difícil, e bem difícil, dura, seca e não sorri. Mas conforme você vai conhecendo essa pessoa você percebe que ela sorri sim, que ela é um amor, que você quer dividir muitas mesas de bar com ela, que você quer sempre estar perto e quer passar tardes no parque com ela, quer ver o pôr do sol junto e quer ver o nascer do sol junto. Eu acho que São Paulo é isso pra mim, é uma cidade que parece um muro de concreto, mas e se esse muro tem um monte de poesia, um monte de gente colocando alguma coisa? Será que já não é diferente? Será que ela é de fato concreta ou a gente consegue derreter esse concreto, derreter esse gelo e fazer tudo ficar melhor e mais bonito?”

A cada dia a cidade cinza passava (e ainda passa) a ter um pouquinho mais de cor e, pouco a pouco, eu conseguia enxergar as flores que estavam escondidas ali, bem na minha frente. Eu cresci muito. Muito mesmo. Até maio, em SP só existia Moema, Jardins e Morumbi, SP só tinha trânsito e violência e era uma cidade absolutamente sem graça. E nossa! Eu não poderia estar mais errada. Nós saímos da nossa zona de conforto e fomos viver um pouco para romper essa visão totalmente estereotipada do que era a cidade e de como eram as pessoas daqui.

Não consigo nem imaginar a pessoa que eu era ano passado andando por lugares praticamente desconhecidos e passando dias inteiros se perdendo (e se encontrando). E, em 3 dias, as coisas já eram tão diferentes! No primeiro, todo mundo era mega sem jeito, sem saber onde se enfiar, tropeçando nas pessoas, atrapalhando a passagem, e por aí vai, mas no segundo todos tinham entendido um pouco melhor como a cidade funcionava. Acho que o Estudo do Meio foi só o começo. Passou a ser natural fazer tudo aquilo que eu não achava que faria (e nem tinha muita coragem de fazer): usar a bicicleta como meio de transporte, usar o transporte público, andar muito e ter que pedir orientações, porque com GPS não vale, né? Sim, eu sei, são coisas meio idiotas e pode parecer exagero, mas, pra alguém que só andava sozinha por Moema, foi um avanço gigante e já serviu para mudar radicalmente a minha visão de mundo. Aquela sensação de turista (ou ET) que eu tive no primeiro dia começou a ir embora, e o medo foi junto.

Não há dúvidas de que eu era completamente alienada em relação à cidade, e, mesmo ainda não estando completamente livre disso, acho que finalmente eu posso dizer, sem muita hesitação, que eu sou parte da cidade. Eu ainda tenho muita coisa (muita mesmo) para descobrir aqui, mas eu só tenho a agradecer por essa abertura para um olhar crítico e uma perspectiva de mudança dentro de mim.

E no final de tudo, o que eu tenho para dizer é que “uma flor nasceu na rua!”, ou melhor, nas ruas… ❤

Beijos,

Analu

A transformação da cidade!

Oii!

Esse é o meu segundo post obrigatório (o primeiro está aqui), e temos que responder essa pergunta: a sua relação com São Paulo mudou após os três dias de estudo do meio e do MNM como um todo?

Minha relação com a cidade de São Paulo muito bastante desde o inicio do Móbile na Metrópole. Depois de conhecer realidades totalmente diferentes da minha durante os três dias de estudo do meio, de ver coisas completamente novas para mim, acho que comecei a reparar nos detalhes de nossa cidade.

Nosso projeto, como vocês já sabem, é sobre intervenções urbanas relacionadas a poesia, então meu maior contato nesse projeto foi com as pequenas marcas que cada artista deixa na cidade de São Paulo e que com certeza alegra o dia de muitos paulistanos. Eu lembro, por exemplo, de antes passar por uma pixação (aliás, eu nem sei se posso mesmo definir como pixação, já que o que eu chamo de pixação, outras pessoas podem considerar um lindo grafite) e pensar que era um absurdo alguém querer degradar a própria cidade. Hoje em dia, no entanto, eu vejo essas “pixações” como forma de as pessoas se expressarem em uma cidade como São Paulo que fomenta cada vez mais o anonimato das pessoas. Agora, quando eu passo por intervenções eu tento entender o que o artista estava pensando quando fez tal arte, se ele quis dizer algo, ou não.

Além disso, o projeto me fez perceber de forma mais real o quão privilegiados nós somos. Jovens protegidos, com acesso a uma educação de qualidade, acesso a saúde… enfim, me fez enxergar a vida com outros olhos. Me fez conhecer, também a tão famosa diversidade de São Paulo, as diferentes pessoas que andam pelas ruas de um lado pro outro indo para mil lugares diferentes, com mil pensamentos, ideias e culturas! E que coisa linda toda essa gente diferente junta aqui!

O trabalho que durou o ano inteiro me fez ver que São Paulo não é tão cinza como muitos dizem, e que na verdade nossa cidade só precisa ser olhada com cuidado, a cada esquina tem um muro desenhado, um poema escrito que muitos de nós não percebemos pelo descuido de simplesmente olhar. Eu comecei a realmente enxergar nossa cidade depois desse trabalho.

Sofia

Cidade que tudo dá e tudo cobra…

“cidade que tudo dá

e tudo cobra.

do alto dos prédios,

aos beijos dos ventos,

contemplo sua obra:

essa imponência dura,

mas também essa ciência nobre

de seguir em frente.

pulsa: é feita de gente.

vive. e eu acompanho.”

O post de hoje está relacionado mais diretamente com São Paulo do que o anterior, apesar de eu já ter falado um pouco sobre isso. A pergunta que devemos responder hoje é: a sua relação com São Paulo mudou após os três dias de estudo do meio e do Móbile Na Metrópole como um todo?

Acho que a resposta cabe em três letras garrafais: SIM.

E muito.

Tanto que fica até complicado expressar o quanto essa relação mudou.

Começa com a percepção. Com sair daquela bolha na qual nós, jovens protegidos e privilegiados, vivemos. Com olhar para o outro, sem aquela sensação de se sentir mal, mas entendendo o funcionamento das cidades grandes e a situação que levou aquilo que encontramos. É muito mais do que um momento turístico, de conhecer lugares famosos, passar, tirar fotos e continuar a rota. É um momento de reflexão sobre o sistema no qual vivemos. É “conhecer São Paulo sem GPS”, é viver algo que milhões de pessoas vivem todos os dias. E isso tudo é uma grande urgência. Somos ensinados a dizer que queremos ajudar as pessoas, que queremos mudar o mundo. Mas como seria possível fazer isso sem olhar para o outro? Sem analisar tudo aquilo que nos afronta?

É muito claro ver como passamos a nos comportar na cidade e frente aos outros habitantes da mesma. No primeiro dia do Estudo do meio, eu lembro que, chegava até a ser engraçado, mas a gente não tinha noção nenhuma de espaço. Esbarrávamos nas pessoas, sem querer, lógico, e ocupávamos todo o espaço, impedindo a passagem dos outros e tudo mais. Acho que isso representa bem essa incapacidade de perceber outras pessoas no mesmo espaço. Já nos últimos dias, estava todo mundo mais confortável na cidade, nas ruas e todos os ambientes que frequentávamos, sem falar alto ou nada do tipo, e também com as pessoas, sem vergonha de pedir ajuda ou direções.

Além disso, em que mundo eu sairia de casa, pegando metrô e ônibus, para passar o dia nos arredores do centro e depois ir para a Vila Madalena? Não sei como eu teria coragem de fazer isso, com máquina fotográfica e todos os aparatos na bolsa, “só” acompanhada por uma outra menina, da mesma idade que eu, se não fosse pelos três dias que passamos na cidade. Também não sei como minha mãe teria deixado isso tudo, se ela não tivesse percebido como eu amadureci e cresci durante todo esse projeto. Ela sempre dizia, antes, que eu era muito avoada, era capaz de me perder e que eu não tinha senso de direção nenhum. Consegui fazer tudo isso (e muito mais) com certa naturalidade. O medo sumiu, junto com aquela noção do tipo “o que diabos eu to fazendo aqui?”.

Conheço bairros, sei o nome das ruas, sei pegar metrô e ônibus sozinha (eu até sei que isso não é nada demais, mas como eu só ando a pé por Moema, foi uma grande evolução pra mim), sei analisar problemas da cidade, sei quebrar estereótipos meus e das pessoas com quem eu convivo (inclusive brigar com a minha avó por ela dizer que a 23 de Maio estava feia. É, pois é, digamos que eu perdi a paciência e acabei me alterando um pouco)…

Me sinto, cada vez mais, menos alienada e mais envolvida nas questões da cidade que, agora, posso chamar de minha. E isso tudo é um processo que eu continuo desenvolvendo a cada dia mais, mas que só foi possível graças a essa iniciativa e esse pequeno empurrãozinho feito pela nossa escola.

Rafa

De experiências a aprendizados

“E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando a vida dos insetos…”

Oi gente!

Esse é mais um daqueles posts obrigatórios em que devemos responder o que aprendemos fazendo o documentário e como o blog e o minidocumentário traduzem o processo de aprendizagem. Ao longo desse ano, como a Rafa e a Analú já contaram (aqui e aqui), eu comecei a me interessar mais pelo outro. Conhecemos ao longo do ano pessoas maravilhosas que encaravam a vida de uma maneira mais simples e poética e isso me fascinou! Aliás, hoje mesmo eu vi a peça de teatro do nono ano, que estava realmente incrível e que tinha grande relação com o fato de nos olharmos apenas para nós mesmos, considerando irrelevantes as coisas alheias. Durante todo o espetáculo, fiquei pensando como o Móbile na Metrópole quebrou um pouco disso em mim.

Primeiro,  minha noção do que era um documentário se transformou completamente. Antes eu tinha na minha cabeça que documentário era algo muito restrito e com função totalmente educativa, agora eu me interesso muito mais por esse tipo de gênero, já que aprendi que pode ser emocionante (como muitos dos minidocs) e muito interessante, além de dar abertura para retratar da forma que preferirmos o nosso projeto!

Além disso, pelo fato de nosso projeto ter relação com intervenções urbanas, aprendi a olhar além dos grafites, além das pequenas frases espalhadas por nossas cidades, além dos lambe-lambes. Entendi, finalmente, que, por trás de cada uma delas, tem um artista com uma história e com uma urgência para dizer algo.

Por ser um projeto que dura um ano inteiro eu aprendi, também, que temos que ser compreensivos uns com os outros, porque trabalhar em grupo tem lá suas partes boas, mas é realmente muito difícil. Mesmo nós nos dando muito bem, tivemos, ao longo do ano, uma série de probleminhas que precisaram de muita compreensão para serem resolvidos, como a falta de organização (minha, principalmente), que deixava todo mundo muito estressado por causa dos posts obrigatórios, como este, que eu estou fazendo domingo às 22:30 e tem que ser entregue amanhã. A gente teve que ter muita paciência com os probleminhas que apareceram durante a edição. Cada hora era uma coisa diferente (áudio, imagem, sincronia, etc), e todas as integrantes tinham reações totalmente diferentes sobre cada conflito. Serviu até para que eu aprendesse que as pessoas lidam de mil jeitos diferentes com as coisas e isso é incrível! O engraçado é que só agora, escrevendo esse texto, que eu me dei conta o quanto eu aprendi com esse projeto!

Agora, respondendo a segunda pergunta, as meninas tem total razão ao defenderem que o minidoc não traduz boa parte do nosso trabalho ao longo desse ano, até porque é realmente muito difícil (para não dizer impossível) transformar 4 horas de entrevista em dez minutos! Muita coisa linda e interessante teve que ser deixada de fora, infelizmente. Na minha opinião o que mais retratou o projeto foi o blog, o qual acompanhou esse projeto desde o inicio, e retratou nosso crescimento com o trabalho! Ainda assim, nem ele consegue retratar completamente tudo que foi essa experiência que nós tivemos!

Sofia