Aprendizados e um projeto feito deles

“O propósito do aprendizado é crescer, e nossas mentes, diferentes de nossos corpos, podem continuar crescendo enquanto continuamos a viver.”

Oi gente!

Bom, agora é minha vez de continuar o post feito pela Analú, um aqueles posts obrigatórios do projeto.

A pedidos de nossos coordenadores, vamos contar para vocês tudo o que aprendemos ao longo desse ano, a partir, obviamente, desse projeto.

O processo foi lindo, mas disso vocês já sabiam. Passar dias pela Featured imagecidade com o grupo todo me proporcionou experiências incríveis, que já foram relatadas anteriormente. Já nesse começo, aprendi muito simplesmente por fazer o exercício de olhar para o outro, ao invés de desviar e andar mais rápido, e de olhar para a cidade. E não só olhar, mas viver, me locomover por aí. Analú pode confirmar, nós duas tivemos muitas aventuras ao longo disso tudo. Desde ir até o centro da cidade em um dia chuvoso, até caminhar 1,5km até o Beco do Batman, contamos isso aqui.

É difícil trabalhar em grupo, é difícil decidir tudo acoplando ideias de todas, é difícil lidar com problemas bizarros, tipo a câmera ficar cortando a entrevista sozinha, tipo os áudios, no meio da edição, ficarem parecendo “Alvin e os Esquilos”, mas eu, pessoalmente, amadureci muito com isso tudo.

Assino embaixo de tudo que a Analú disse. O conceito de documentário mudou completamente para mim e isso é visível até quando se compara esse post, o qual fizemos no início do projeto, com o nosso minidoc final (que já já vai estar disponível para vocês aqui!!!!). A ideia de ser quadradinho ou educativo, desapareceu. Conseguimos montar, na minha opinião, algo tocante e educativo em diversos sentidos, mas sem ser acadêmico. Sou apaixonada pelo nosso vídeo, vira e mexe me pego assistindo ele de novo. Não estou dizendo que ele é perfeito ou sei lá, mas ele me remete muito a tudo isso que eu vivi e aprendi. O blog também passa, a cada post, o quanto crescemos e aprendemos durante todo o processo. É só ler ele todo, do começo ao fim, que a diferença fica bem clara. Até na maneira como escrevíamos é fácil ver como estamos mais a vontade com esse recurso.

O mais legal de tudo é que toda essa nossa paixão pela poesia ultrapassou as barreiras do blog e do minidocumentário. Esse mural que montamos na sala de História fez incontáveis dias e aulas mais felizes. Sair para comprar papel de dobradura, configurar o computador para imprimir as frases, correr para comprar taxinhas, quase cair das cadeiras enquanto a gente pregava os poemas lá em cima… Tudo isso fez parte desse projeto. E, posso afirmar, cada segundo valeu a pena.12178066_908634419224646_495742236_n

Conheci pessoas incríveis. Todos os nossos entrevistados são aquelas pessoas que só falam poesia, que te dão vontade de correr e se afogar num abraço. São pessoas que me deixavam pensando o quanto eu queria alguém assim, parecido com eles, comigo. E isso também me fez mudar meu olhar para a minha vida. Se, um dia, no futuro, vocês passarem por uma intervenção urbana poética e virem meu nome assinado ali embaixo, não estranhem. Esse projeto me deu uma profunda vontade de fazer isso por toda a vida. ❤

Rafa

O que eu aprendi?

“Numa experiência pela qual peço perdão a mim mesma, eu estava saindo do meu mundo e entrando no mundo.”

Oii, gente!

Assim como nos outros bimestres, nós teremos que fazer alguns posts obrigatórios, e esse é um deles (a Rafa e a Sofi vão fazer um post assim também ao longo do final de semana). Para dar uma contextualizada melhor antes de começar a escrever, as perguntas que nós temos que responder nesse primeiro post são: o que você aprendeu fazendo o documentário? O seu minidocumentário e o blog traduzem o processo de aprendizado ao longo do projeto?

Acho que a primeira coisa que eu aprendi foi que (choque para todos) documentário não é aquilo que a gente vê ou não no Discovery Channel. O documentário pode ter uma carga emocional muito grande, como foi o caso de muitos dos documentários que os outros grupos fizeram (eles ainda não foram postados, mas os links de todos os blogs estão aqui), ele pode ter uma mensagem e um objetivo muito bonitos, como o nosso.

Falando um pouco mais da nossa experiência, eu aprendi que trabalhar em grupo é muito difícil, ainda mais considerando que nós fizemos o projeto durante um ano inteirinho com o mesmo grupo. Minha sorte foi que nós três nos entendemos muito bem, então, mesmo querendo se esganar de vez em quando, na maior parte do tempo tudo deu certo, até porque cada uma tinha uma coisa que gostava mais de fazer ou que fazia melhor. Eu, assim como todo o grupo, tive que aprender a me organizar, afinal, administrar documentário, blog, estudos, sono e vida social (apesar desses dois últimos terem sido deixado um pouco de lado) não é nada fácil. Além disso, tivemos que aprender a editar vídeos, o que foi realmente muuuuito difícil, porque nenhuma da nós três sabia no começo, então a irmã da Sofi teve que nos ajudar bastante no começo (Marina 💛), e aí depois de um tempo nós já conseguíamos editar bem direitinho!

Saindo dessas questões um pouco mais práticas e falando do nosso tema, eu acho que eu, a Rafa e a Sofi aprendemos muita coisa. Eu aprendi a reparar. A passar pela rua e não só ver as coisas, mas percebê-las, parar para olhar. Nós conhecemos pessoas incríveis que eu nunca teria pensado que iria conhecer e que tinham projetos incríveis. Mais do que isso, eu passei a me conhecer muito melhor. Eu sou mega perdida com essas coisas de saber sobre mim, sobre o que eu gosto e sobre o que eu quero fazer da minha vida em um futuro próximo, mas depois desse processo todo eu descobri que eu sou muito mais apaixonada por poesia do que eu pensava, o que, sinceramente, pra mim foi muito positivo. Não sei dizer se foi uma coisa que eu aprendi diretamente com o documentário, mas como esse ano tudo esteve bastante ligado a ele, eu aprendi a lidar um pouquinho melhor comigo mesma. O que eu quero dizer com isso? Nem eu sei explicar direito, mas no meio de tantas e tantas crises que eu tive esse ano, o projeto me ajudou tanto…

Na minha opinião, tanto o blog quanto o documentário traduzem pouco o nosso aprendizado. O processo inteiro foi muito mais rico do que o que nós jamais poderíamos expressar por completo.

O minidoc traz um recorte muito pequeno, afinal, ele só tem 10 minutos, o que pode parecer muito, mas acredite, quando você tem mais de 4 horas de entrevistas, não é nada. Para mim, o processo se refere a tudo que nós conhecemos e vivemos como consequência do projeto, indo muito além só do aprendizado sobre nosso tema, que é do que o documentário fala.

Ainda que ambos mostrem uma parte muito restrita do nosso aprendizado, o blog faz isso um pouquinho melhor. Eu me apaixonei por escrever aqui, então tudo que eu compartilhei (crises, reflexões e por aí vai) reflete tanto o tema quanto outros fragmentos daquilo que eu aprendi, sendo um reflexo do que eu vivi e me tornei ao longo desse ano. A diferença entre os primeiros posts e os de agora é gritante, não tem como discordar disso!

Espero que eu tenha conseguido transmitir um pouquinho desse aprendizado para vocês! 💛

Mil beijos,

Analu

Comum A Dois

Oii, gente!

(Foto do instagram do projeto)

Há alguns (muitos) meses nós mencionamos um projeto incrível chamado Comum A Dois (se você não viu o post, está aqui). Nossa ideia original era entrevistá-los para o nosso documentário (que, por sinal, postaremos aqui muito em
breve), mas isso não foi possível porque eles estavam mega ocupados nesses últimos meses e acabaram ficando sem tempo de fazer a entrevista. Mesmo assim, decidimos fazer uma pequena entrevista por e-mail para poder conhecer um pouquinho mais sobre eles!

O projeto foi criado por Thiago Domingues e Carolina Sab. Ele tem 28 anos e é natural de São Bernardo do Campo. Formado em Psicologia, desde 2011 escreve poesia e alguns contos autorais. Ela tem 30 anos e também é de São Bernardo do Campo. Apesar de ser formada em Jornalismo, trabalha com produção de eventos e tem a fotografia como hobby. O Comum A 2 já esteve em eventos como a Festa Literária Internacional de Paraty, o Festival de Cultura e Arte do Grande ABC e o Ugra Zine Fest no CCSP.

Como surgiu a ideia para o projeto? “Pensamos na criação de um projeto que unisse as principais referências de cada um e que fosse comum a nós dois, enquanto casal. Assim, pegamos alguns poemas do Thiago e transformamos em lambe-lambe e passamos a colar pela cidade de São Bernardo em locais ‘inusitados’ e que favorecessem boas fotos para a Carol. Nosso objetivo maior consiste em ressignificar os espaços urbanos, principalmente as ruas de maneira a levar a poesia para as pessoas, já que acreditamos na arte enquanto vetor de transformação pessoal e social. ”

(Foto do instagram do projeto)

Por que vocês escolheram o nome Comum A 2? “Escolhemos Comum A 2, pois o projeto remete exatamente as coisas que são comuns a nós dois. Como indivíduos e como casal. A linguagem poética pra ele, a fotografia para mim (Carol) e é algo que levamos como nosso.”

Qual é a inspiração para cada poema? “Tanto para os poemas, quanto para as fotografias, a inspiração é diária, de acordo com o que estamos vivendo, nós, o país, enfim… O cotidiano inspira!”

Qual é a importância do projeto para vocês? E da poesia, de maneira geral, para a cidade? “Para nós tem toda importância do mundo! rs. É nosso hobby, nosso sonho (de ver e de participar) por um melhor, mais livre, artístico e automaticamente mais belo. Acreditamos na arte como instrumento de transformação do individuo e da cidade.”

Qual é a reação das pessoas? “No geral, muito boa!! Recebemos um feedback muito positivo e carinhoso. Isso nos estimula a continuar. Mas também tem o fator de que o belo e a poesia incomodarem alguns… Ficamos tristes quando vemos quando alguém tenta tasgar um lambe nosso colado na rua. Mas também temos plena consciência da efemeridade da arte nas ruas. É assim com graffite, diversas obras e com os nossos lambes não seria diferente… Mas resistimos! E continuaremos colando enquanto isso fizer sentido para nós e para cidade.”

Qual é a sensação quando vocês passam por um lambe que vocês colaram ou quando são chamados para mostrá-los em algum lugar? “Ah… eu (Carol) acho sensacional ! Principalmente os que são feitos pra mim. Brincadeira, rs. É muito lindo ver de longe as pessoas parando para ler ou quando fotografam e nos marcam em nossas redes sociais.

(Foto do instagram do projeto)
(Foto do instagram do projeto)

É gratificante sim ver que em meio ao automatismo em que vivemos, nessa loucura que é São Paulo, nosso objetivo de que as pessoas parem, leiam, respirem e reflitam no presente está tendo o objetivo alcançado. ”

Todo o trabalho que vocês têm compensa? “Acho que recompensa é a nossa sensação de dever cumprido. O sentimento de que estamos fazendo a nossa parte, mesmo que minimamente, mas trabalhando com o que acreditamos e que de alguma forma, estamos contribuindo para um mundo melhor, mais altruísta e belo.”
A Carol e o Thiago já lançaram três livros artesanais, chamados “7 Poemas Para Amolecer Pedras”, “O Bordado de Filomena” e “O Livro do Antes” que parecem ser lindíssimos! Caso alguém se interesse, é só entrar em contato com eles pelas redes sociais (que estarão aqui embaixo).

Espero que vocês se apaixonem por esse projeto tanto quanto nós!

Informações: Facebook, Instagram

Intervenções

Oi, gente!

Essa semana os professores apresentaram as eletivas do ano que vem na escola.

Apesar de eu não ter a menor ideia do que eu vou fazer (crises, crises e mais crises), tem uma proposta que tem tudo a ver com o nosso tema e eu achei que seria muito legal compartilhar aqui.

Basicamente (não sei de muuuitos detalhes), na eletiva de filosofia, os alunos podem escolher fazer, no terceiro bimestre, uma intervenção urbana na cidade, tendo que apresentar um vídeo sobre isso. São atitudes relativamente simples que mudam, mesmo que por um segundo, a rotina das pessoas.

Nesse link estão todos eles (não só esse ano, mas nos outros também). Apesar de todos serem incríveis (de verdade), eu escolhi alguns para colocar aqui (os dois primeiros são desse ano e o outro é do ano passado):

Espero que vocês gostem e assistam os outros!

Beijos,

Analu

Ninho de livros

Oi, gente!

Bom, fiquei muuuuito tempo sem postar nada por dois motivos: (1) bloqueio criativo imenso e (2) setembro não foi o mês mais fácil e agradável.

Enfim, estava eu na eletiva de geografia e o nosso professor disse que um dos nossos trabalhos do bimestre seria propor alguma coisa que pudesse mudar São Paulo, solucionando (ou pelo menos ajudando) algum problema que a cidade tivesse.

Não preciso nem falar que a primeira coisa que veio na cabeça foi intervenção urbana, né?

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(http://www.intrinseca.com.br/blog/2015/07/intrinseca-apoia-o-projeto-ninho-de-livro/)

Ainda não definimos muito bem o que nós vamos fazer, mas começamos algumas pesquisas e uma das integrantes do grupo, a Marina (desse blog), lembrou de uma intervenção que ela tinha visto há algum tempo e é a coisa mais bonitinha desse mundo.

“Parece uma daquelas casinhas de passarinho, mas é um ninho de livros que abre uma portinha de literatura para fazer a palavra voar”

O projeto é do Rio de Janeiro e chama Ninho de Livros. Ele tem como conceito “um espaço para que seus livros possam voltar a voar por aí”. Basicamente é um incentivo à troca de livros em espaços públicos. Desde janeiro desse ano foram colocadas casas de passarinho (super fofas) em lugares de grande circulação, aí as pessoas podem pegar um livro e doar outro.

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(http://vejario.abril.com.br/materia/gente/renata-tasca-e-a-criadora-do-ninho-de-livro/)

Em uma entrevista com o Catraca Livre, Renata Tasca, publicitária que coordena o projeto, afirmou: “A ideia foi inspirada em um projeto que conheci durante uma viagem de férias à França. Me deparei com uma caixa presa na janela de uma casa onde as pessoas poderiam deixar livros que não quisessem mais. Achei democrático e genial, já que muitas vezes não sabemos o que fazer com livros velhos”.

O projeto tem dado tão certo que em alguns ninhos já não tem mais espaço para os livros, fazendo com que as pessoas tenham que deixar as obras espalhadas ali por perto.

Para quem quiser saber mais, aqui tem a página do facebook.

Eu, particularmente, me apaixonei por esse projeto, e acho que esse incentivo é super importante para qualquer cidade. Inclusive, eu espero que logo ele venha para São Paulo!

Beijos,

Analu

Não consegui pensar em um título legal pra esse post (provavelmente gastei todo a minha criatividade no documentário), mas enfim, tive vontade de escrever um pouquinho aqui.

{outro post que eu faço enquanto eu deveria estar estudando, acho que está virando costume}

Quis escrever aqui pra compartilhar um sentimento tão gostoso que eu (e acho que a Rafa e a Sofi também) estou sentindo. Como você já deve saber, estamos desde o final de junho fazendo um documentário e, depois de muito, muito, muito esforço e dedicação finalmente conseguimos terminar tudo de um jeitinho tão bonito e tão nosso! Acabamos na sexta, mas tivemos muuuuitos probleminhas técnicos e não conseguimos postar até hoje (carregou enquanto eu estava escrevendo esse post e eu queria dizer que pirei de felicidade, mas estou me controlando).

A sensação de orgulho de conseguir completar isso, mesmo com tanta dificuldade, é enorme!

Pode não ser o melhor documentário do mundo (está bem longe disso), mas todas nós ficamos tão felizes com ele! Não só pelo produto final, mas também pela experiência como um todo. Cada dia foi tão gostoso! Cada risada, cada piadinha, cada vez que conseguíamos fazer alguma coisa que antes não estava dando certo, e por aí vai.

Deu muito trabalho, deu vontade de desistir algumas (várias) vezes, mas eu posso dizer com toda a certeza do mundo que valeu muito a pena.

Só queria compartilhar mesmo, foi um post breguinha, mas feito com muito carinho!

Beijos,

Analu

Comentários

Para ajudarmos os nossos amigos de outros blogs do Móbile na Metrópole a melhorarem cada vez mais, cada uma de nós teria que fazer um comentário em um deles (e eles no nosso), então aqui estão os links para cada um:

A Analu fez o comentário no blog “Baixinhos na Metrópolenessa página.

A Rafa fez o comentário no blog “Parques da Metrópole”, nesse post.

A Sofi fez o comentário no blog “Marginalização em SPnessa página.

{Sabemos que esse post que não parece com aquilo que nós escrevemos geralmente, mas é obrigatório, esperamos que vocês entendam. O lado bom é que ele é provisório, então no início do próximo bimestre provavelmente iremos apagá-lo.}

Beijos,

O grupo

Exposição: Depois das Seis

Oii, gente!

Depois de ter ficado um tempão sem postar nada aqui viemos falar de uma exposição que tem tudo para ser incrível!

Se você acompanha o blog já deve saber o que é o projeto Depois das Seis (se não é o seu caso, clique aqui). Como você já deve ter percebido, o projeto é a coisa mais linda desse mundo!

O fato é: a Gabi (dona do projeto) vai fazer uma exposição com polaroids originais, lambes e quadros com pôr-do-sol de São Paulo e alguns outros lugares. Acredito que não vá ser muito grande, mas certamente será tudo muito lindo. A abertura vai acontecer amanhã e, logo que der, nós (com toda certeza do mundo) iremos!

Aqui tem o link para o evento no facebook.

(https://instagram.com/depoisdasseis/)

Informações

Local: PhD Galeria (Pç. Dom José Gaspar, 106 – 2º andar)

Data: 04/09 a 02/10

Entrada: gratuita

Analu e Rafa

Das quarta-feiras mais tristes

Oi gente,

Viemos, com muito pesar, contar uma história muito triste, decepcionante e revoltante aqui.

Lembram do nosso Argumento? A gente filmou ele numa ruazinha aqui na Araguari, na rua do meu prédio e na rua da nossa escola. É um terreno vazio, cercado de um muro, tipo um tatume, que, um dia, foi um cinza, meio bege, muito triste. Mas pessoas lindas se juntaram e coloriram esse espaço, com grafitti, pichação e poesia. Só que, infelizmente, nem tudo foi lindo por tanto tempo…

Eu, Rafa, estava voltando para casa depois da aula e vi de relance um muro, que costumava ser colorido e cheio de vida, cinza. Não acreditei. Parei e olhei uma segunda vez. E uma terceira. Estava tudo cinza, mesmo. Entrei em crise completa. Liguei para a Ana, já que os trabalhadores ainda estavam lá, acabando de tirar vida daqueles muros. Ela me encontrou lá alguns minutos depois e, meio a um momento transbordado de raiva e desespero, fomos falar com um dos homens que supervisionava o trabalho.

A primeira pergunta foi até aonde eles iam pintar e ele disse que ia preservar apenas os graffitis do muro. Simpático, não? Eles selecionam o que forma de expressão e o que não é. Perguntamos, obviamente, o motivo daquilo e ele disse que estava sob ordens da prefeitura para pintar por cima de tudo. Ele se justificou simplesmente por ser seu trabalho e precisar mantê-lo. Não acho que ele esteja errado, não havia nada que ele pudesse fazer que fosse mudar aquela situação. Ele não parecia muito convicto de apagar aquilo ou achar que era algo feio e, inclusive, como para tentar nos reconfortar (já adianto que ele não conseguiu), ele disse: “não se preocupem, já já picham tudo de novo”. Claro, agora ficamos tranquilas. Porque o trabalho de quem estava lá nem foi por água abaixo. E também porque é divertido simplesmente gastar tinta e dinheiro com algo que é assumido ser sem propósito.

O problema em si está na prefeitura. Sim, sabemos que não foi nosso atual prefeito que inaugurou essa lei, mas a partir do momento em que ele libera uma das maiores avenidas de São Paulo, a 23 de Maio, para ser graffitada completamente, continuar apagando arte do mesmo gênero, se torna completa hipocrisia. Porque, sim, pichação e grafitti são do mesmo pacote. É tudo forma de expressão, livre e espontânea, até porque uma curadoria do que é bonito ou não, do que é civilizado ou não, do que é aceitável ou não acaba com toda a essência da arte de rua.

Parece sempre tão distante, vendo isso tudo em documentários, como o Cidade Cinza, ou ouvindo histórias, ou falando sobre o assunto, mas quando isso acontece em um lugar que frequentamos, que passamos todos os dias e que desenvolvemos um carinho por, isso se torna tão mais real, toma uma proporção que vocês nem imaginam.

Estou me sentindo tão mal, como se uma faca tivesse arrancado meu peito fora, como se um pequeno mundinho tivesse desabado… Não sei nem dizer. Tô até tremendo e a Ana também.

Deixo nossa revolta para que ela se torne de vocês, do coletivo como um todo. Postamos um vídeo no nosso Instagram disso. Que o sentimento seja compartilhado.

não poderia ter sido uma quarta-feira mais decepcionante…

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Analu e Rafa

Oi, gente!

Mil desculpas por estarmos tão ausentes no blog.

Nós três estamos mega ocupadas com o documentário e a escola, estamos cheias de trabalhos, lição e provas (fora que a gente também tem que ter uma vida social, né? Imagina o caos).

Bom, a coisa boa é que dia 15 (de setembro) iremos entregar nosso mini documentário.

Se você acha que fazer um documentário de 10 minutos é fácil, você está completamente errado. Principalmente quando você tem mais ou menos 3 horas de entrevistas e fica super apegada a tudo, como é o meu caso.

Dificuldades a parte, nossos dias de Móbile na Metrópole tem sido super legais e engraçados, principalmente quando chega o ponto que a gente cansa de fazer, eu começo a falar besteira e a Rafa começa a rir de tudo.

Talvez você esteja se perguntando se essa bagunça toda vai dar certo. Se for o caso, a minha resposta é bem simples: não tenho a menor ideia. Não quer dizer que eu não esteja gostando do que a gente tem até agora, muito pelo contrário, mas é difícil dizer com tanto trabalho ainda pela frente.

Enfim, quis fazer esse post para manter vocês informados do que está acontecendo (ou porque eu estava com preguiça de estudar).

Com muito amor (e cansaço),

Analu