As flores de São Paulo

“Há flores em todos os lugares para aqueles que querem vê-las”

Oii, gente!

Falei nesse post que nós tínhamos que fazer alguns posts obrigatórios esse bimestre, então esse é o segundo deles. A pergunta é: a relação com São Paulo mudou após os três dias de estudo do meio e do MNM como um todo?

A resposta para isso é muito simples, e tenho certeza que o blog mostra isso claramente.

Primeiro de tudo, queria explicar a frase que eu coloquei no começo do post. O primeiro post do blog inteiro foi feito por mim no dia 10 de março (aqui o link) e era sobre as minhas primeiras impressões e as expectativas que eu tinha para o projeto. A última frase desse post era essa que eu coloquei aqui, porque eu achei que não tinha um jeito melhor de começar o meu último post obrigatório e individual. Não vejo por que explicar a relação entre o que eu vou falar e a frase, vai estar beeeem evidente.

Tem um trecho da Ryane no nosso documentário que ilustra muito bem tudo que eu vou falar:

“Eu descreveria São Paulo como uma cidade que é dita fria, mas não é. Você tem que estar muito disposto para São Paulo, tem que ter disposição porque senão você vai ficar em casa e você vai reclamar da cidade, se você estiver disposto a conhecer… Digamos que São Paulo seja uma pessoa difícil, e bem difícil, dura, seca e não sorri. Mas conforme você vai conhecendo essa pessoa você percebe que ela sorri sim, que ela é um amor, que você quer dividir muitas mesas de bar com ela, que você quer sempre estar perto e quer passar tardes no parque com ela, quer ver o pôr do sol junto e quer ver o nascer do sol junto. Eu acho que São Paulo é isso pra mim, é uma cidade que parece um muro de concreto, mas e se esse muro tem um monte de poesia, um monte de gente colocando alguma coisa? Será que já não é diferente? Será que ela é de fato concreta ou a gente consegue derreter esse concreto, derreter esse gelo e fazer tudo ficar melhor e mais bonito?”

A cada dia a cidade cinza passava (e ainda passa) a ter um pouquinho mais de cor e, pouco a pouco, eu conseguia enxergar as flores que estavam escondidas ali, bem na minha frente. Eu cresci muito. Muito mesmo. Até maio, em SP só existia Moema, Jardins e Morumbi, SP só tinha trânsito e violência e era uma cidade absolutamente sem graça. E nossa! Eu não poderia estar mais errada. Nós saímos da nossa zona de conforto e fomos viver um pouco para romper essa visão totalmente estereotipada do que era a cidade e de como eram as pessoas daqui.

Não consigo nem imaginar a pessoa que eu era ano passado andando por lugares praticamente desconhecidos e passando dias inteiros se perdendo (e se encontrando). E, em 3 dias, as coisas já eram tão diferentes! No primeiro, todo mundo era mega sem jeito, sem saber onde se enfiar, tropeçando nas pessoas, atrapalhando a passagem, e por aí vai, mas no segundo todos tinham entendido um pouco melhor como a cidade funcionava. Acho que o Estudo do Meio foi só o começo. Passou a ser natural fazer tudo aquilo que eu não achava que faria (e nem tinha muita coragem de fazer): usar a bicicleta como meio de transporte, usar o transporte público, andar muito e ter que pedir orientações, porque com GPS não vale, né? Sim, eu sei, são coisas meio idiotas e pode parecer exagero, mas, pra alguém que só andava sozinha por Moema, foi um avanço gigante e já serviu para mudar radicalmente a minha visão de mundo. Aquela sensação de turista (ou ET) que eu tive no primeiro dia começou a ir embora, e o medo foi junto.

Não há dúvidas de que eu era completamente alienada em relação à cidade, e, mesmo ainda não estando completamente livre disso, acho que finalmente eu posso dizer, sem muita hesitação, que eu sou parte da cidade. Eu ainda tenho muita coisa (muita mesmo) para descobrir aqui, mas eu só tenho a agradecer por essa abertura para um olhar crítico e uma perspectiva de mudança dentro de mim.

E no final de tudo, o que eu tenho para dizer é que “uma flor nasceu na rua!”, ou melhor, nas ruas… ❤

Beijos,

Analu

Anúncios

A transformação da cidade!

Oii!

Esse é o meu segundo post obrigatório (o primeiro está aqui), e temos que responder essa pergunta: a sua relação com São Paulo mudou após os três dias de estudo do meio e do MNM como um todo?

Minha relação com a cidade de São Paulo muito bastante desde o inicio do Móbile na Metrópole. Depois de conhecer realidades totalmente diferentes da minha durante os três dias de estudo do meio, de ver coisas completamente novas para mim, acho que comecei a reparar nos detalhes de nossa cidade.

Nosso projeto, como vocês já sabem, é sobre intervenções urbanas relacionadas a poesia, então meu maior contato nesse projeto foi com as pequenas marcas que cada artista deixa na cidade de São Paulo e que com certeza alegra o dia de muitos paulistanos. Eu lembro, por exemplo, de antes passar por uma pixação (aliás, eu nem sei se posso mesmo definir como pixação, já que o que eu chamo de pixação, outras pessoas podem considerar um lindo grafite) e pensar que era um absurdo alguém querer degradar a própria cidade. Hoje em dia, no entanto, eu vejo essas “pixações” como forma de as pessoas se expressarem em uma cidade como São Paulo que fomenta cada vez mais o anonimato das pessoas. Agora, quando eu passo por intervenções eu tento entender o que o artista estava pensando quando fez tal arte, se ele quis dizer algo, ou não.

Além disso, o projeto me fez perceber de forma mais real o quão privilegiados nós somos. Jovens protegidos, com acesso a uma educação de qualidade, acesso a saúde… enfim, me fez enxergar a vida com outros olhos. Me fez conhecer, também a tão famosa diversidade de São Paulo, as diferentes pessoas que andam pelas ruas de um lado pro outro indo para mil lugares diferentes, com mil pensamentos, ideias e culturas! E que coisa linda toda essa gente diferente junta aqui!

O trabalho que durou o ano inteiro me fez ver que São Paulo não é tão cinza como muitos dizem, e que na verdade nossa cidade só precisa ser olhada com cuidado, a cada esquina tem um muro desenhado, um poema escrito que muitos de nós não percebemos pelo descuido de simplesmente olhar. Eu comecei a realmente enxergar nossa cidade depois desse trabalho.

Sofia

Cidade que tudo dá e tudo cobra…

“cidade que tudo dá

e tudo cobra.

do alto dos prédios,

aos beijos dos ventos,

contemplo sua obra:

essa imponência dura,

mas também essa ciência nobre

de seguir em frente.

pulsa: é feita de gente.

vive. e eu acompanho.”

O post de hoje está relacionado mais diretamente com São Paulo do que o anterior, apesar de eu já ter falado um pouco sobre isso. A pergunta que devemos responder hoje é: a sua relação com São Paulo mudou após os três dias de estudo do meio e do Móbile Na Metrópole como um todo?

Acho que a resposta cabe em três letras garrafais: SIM.

E muito.

Tanto que fica até complicado expressar o quanto essa relação mudou.

Começa com a percepção. Com sair daquela bolha na qual nós, jovens protegidos e privilegiados, vivemos. Com olhar para o outro, sem aquela sensação de se sentir mal, mas entendendo o funcionamento das cidades grandes e a situação que levou aquilo que encontramos. É muito mais do que um momento turístico, de conhecer lugares famosos, passar, tirar fotos e continuar a rota. É um momento de reflexão sobre o sistema no qual vivemos. É “conhecer São Paulo sem GPS”, é viver algo que milhões de pessoas vivem todos os dias. E isso tudo é uma grande urgência. Somos ensinados a dizer que queremos ajudar as pessoas, que queremos mudar o mundo. Mas como seria possível fazer isso sem olhar para o outro? Sem analisar tudo aquilo que nos afronta?

É muito claro ver como passamos a nos comportar na cidade e frente aos outros habitantes da mesma. No primeiro dia do Estudo do meio, eu lembro que, chegava até a ser engraçado, mas a gente não tinha noção nenhuma de espaço. Esbarrávamos nas pessoas, sem querer, lógico, e ocupávamos todo o espaço, impedindo a passagem dos outros e tudo mais. Acho que isso representa bem essa incapacidade de perceber outras pessoas no mesmo espaço. Já nos últimos dias, estava todo mundo mais confortável na cidade, nas ruas e todos os ambientes que frequentávamos, sem falar alto ou nada do tipo, e também com as pessoas, sem vergonha de pedir ajuda ou direções.

Além disso, em que mundo eu sairia de casa, pegando metrô e ônibus, para passar o dia nos arredores do centro e depois ir para a Vila Madalena? Não sei como eu teria coragem de fazer isso, com máquina fotográfica e todos os aparatos na bolsa, “só” acompanhada por uma outra menina, da mesma idade que eu, se não fosse pelos três dias que passamos na cidade. Também não sei como minha mãe teria deixado isso tudo, se ela não tivesse percebido como eu amadureci e cresci durante todo esse projeto. Ela sempre dizia, antes, que eu era muito avoada, era capaz de me perder e que eu não tinha senso de direção nenhum. Consegui fazer tudo isso (e muito mais) com certa naturalidade. O medo sumiu, junto com aquela noção do tipo “o que diabos eu to fazendo aqui?”.

Conheço bairros, sei o nome das ruas, sei pegar metrô e ônibus sozinha (eu até sei que isso não é nada demais, mas como eu só ando a pé por Moema, foi uma grande evolução pra mim), sei analisar problemas da cidade, sei quebrar estereótipos meus e das pessoas com quem eu convivo (inclusive brigar com a minha avó por ela dizer que a 23 de Maio estava feia. É, pois é, digamos que eu perdi a paciência e acabei me alterando um pouco)…

Me sinto, cada vez mais, menos alienada e mais envolvida nas questões da cidade que, agora, posso chamar de minha. E isso tudo é um processo que eu continuo desenvolvendo a cada dia mais, mas que só foi possível graças a essa iniciativa e esse pequeno empurrãozinho feito pela nossa escola.

Rafa

De experiências a aprendizados

“E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando a vida dos insetos…”

Oi gente!

Esse é mais um daqueles posts obrigatórios em que devemos responder o que aprendemos fazendo o documentário e como o blog e o minidocumentário traduzem o processo de aprendizagem. Ao longo desse ano, como a Rafa e a Analú já contaram (aqui e aqui), eu comecei a me interessar mais pelo outro. Conhecemos ao longo do ano pessoas maravilhosas que encaravam a vida de uma maneira mais simples e poética e isso me fascinou! Aliás, hoje mesmo eu vi a peça de teatro do nono ano, que estava realmente incrível e que tinha grande relação com o fato de nos olharmos apenas para nós mesmos, considerando irrelevantes as coisas alheias. Durante todo o espetáculo, fiquei pensando como o Móbile na Metrópole quebrou um pouco disso em mim.

Primeiro,  minha noção do que era um documentário se transformou completamente. Antes eu tinha na minha cabeça que documentário era algo muito restrito e com função totalmente educativa, agora eu me interesso muito mais por esse tipo de gênero, já que aprendi que pode ser emocionante (como muitos dos minidocs) e muito interessante, além de dar abertura para retratar da forma que preferirmos o nosso projeto!

Além disso, pelo fato de nosso projeto ter relação com intervenções urbanas, aprendi a olhar além dos grafites, além das pequenas frases espalhadas por nossas cidades, além dos lambe-lambes. Entendi, finalmente, que, por trás de cada uma delas, tem um artista com uma história e com uma urgência para dizer algo.

Por ser um projeto que dura um ano inteiro eu aprendi, também, que temos que ser compreensivos uns com os outros, porque trabalhar em grupo tem lá suas partes boas, mas é realmente muito difícil. Mesmo nós nos dando muito bem, tivemos, ao longo do ano, uma série de probleminhas que precisaram de muita compreensão para serem resolvidos, como a falta de organização (minha, principalmente), que deixava todo mundo muito estressado por causa dos posts obrigatórios, como este, que eu estou fazendo domingo às 22:30 e tem que ser entregue amanhã. A gente teve que ter muita paciência com os probleminhas que apareceram durante a edição. Cada hora era uma coisa diferente (áudio, imagem, sincronia, etc), e todas as integrantes tinham reações totalmente diferentes sobre cada conflito. Serviu até para que eu aprendesse que as pessoas lidam de mil jeitos diferentes com as coisas e isso é incrível! O engraçado é que só agora, escrevendo esse texto, que eu me dei conta o quanto eu aprendi com esse projeto!

Agora, respondendo a segunda pergunta, as meninas tem total razão ao defenderem que o minidoc não traduz boa parte do nosso trabalho ao longo desse ano, até porque é realmente muito difícil (para não dizer impossível) transformar 4 horas de entrevista em dez minutos! Muita coisa linda e interessante teve que ser deixada de fora, infelizmente. Na minha opinião o que mais retratou o projeto foi o blog, o qual acompanhou esse projeto desde o inicio, e retratou nosso crescimento com o trabalho! Ainda assim, nem ele consegue retratar completamente tudo que foi essa experiência que nós tivemos!

Sofia

Aprendizados e um projeto feito deles

“O propósito do aprendizado é crescer, e nossas mentes, diferentes de nossos corpos, podem continuar crescendo enquanto continuamos a viver.”

Oi gente!

Bom, agora é minha vez de continuar o post feito pela Analú, um aqueles posts obrigatórios do projeto.

A pedidos de nossos coordenadores, vamos contar para vocês tudo o que aprendemos ao longo desse ano, a partir, obviamente, desse projeto.

O processo foi lindo, mas disso vocês já sabiam. Passar dias pela Featured imagecidade com o grupo todo me proporcionou experiências incríveis, que já foram relatadas anteriormente. Já nesse começo, aprendi muito simplesmente por fazer o exercício de olhar para o outro, ao invés de desviar e andar mais rápido, e de olhar para a cidade. E não só olhar, mas viver, me locomover por aí. Analú pode confirmar, nós duas tivemos muitas aventuras ao longo disso tudo. Desde ir até o centro da cidade em um dia chuvoso, até caminhar 1,5km até o Beco do Batman, contamos isso aqui.

É difícil trabalhar em grupo, é difícil decidir tudo acoplando ideias de todas, é difícil lidar com problemas bizarros, tipo a câmera ficar cortando a entrevista sozinha, tipo os áudios, no meio da edição, ficarem parecendo “Alvin e os Esquilos”, mas eu, pessoalmente, amadureci muito com isso tudo.

Assino embaixo de tudo que a Analú disse. O conceito de documentário mudou completamente para mim e isso é visível até quando se compara esse post, o qual fizemos no início do projeto, com o nosso minidoc final (que já já vai estar disponível para vocês aqui!!!!). A ideia de ser quadradinho ou educativo, desapareceu. Conseguimos montar, na minha opinião, algo tocante e educativo em diversos sentidos, mas sem ser acadêmico. Sou apaixonada pelo nosso vídeo, vira e mexe me pego assistindo ele de novo. Não estou dizendo que ele é perfeito ou sei lá, mas ele me remete muito a tudo isso que eu vivi e aprendi. O blog também passa, a cada post, o quanto crescemos e aprendemos durante todo o processo. É só ler ele todo, do começo ao fim, que a diferença fica bem clara. Até na maneira como escrevíamos é fácil ver como estamos mais a vontade com esse recurso.

O mais legal de tudo é que toda essa nossa paixão pela poesia ultrapassou as barreiras do blog e do minidocumentário. Esse mural que montamos na sala de História fez incontáveis dias e aulas mais felizes. Sair para comprar papel de dobradura, configurar o computador para imprimir as frases, correr para comprar taxinhas, quase cair das cadeiras enquanto a gente pregava os poemas lá em cima… Tudo isso fez parte desse projeto. E, posso afirmar, cada segundo valeu a pena.12178066_908634419224646_495742236_n

Conheci pessoas incríveis. Todos os nossos entrevistados são aquelas pessoas que só falam poesia, que te dão vontade de correr e se afogar num abraço. São pessoas que me deixavam pensando o quanto eu queria alguém assim, parecido com eles, comigo. E isso também me fez mudar meu olhar para a minha vida. Se, um dia, no futuro, vocês passarem por uma intervenção urbana poética e virem meu nome assinado ali embaixo, não estranhem. Esse projeto me deu uma profunda vontade de fazer isso por toda a vida. ❤

Rafa

O que eu aprendi?

“Numa experiência pela qual peço perdão a mim mesma, eu estava saindo do meu mundo e entrando no mundo.”

Oii, gente!

Assim como nos outros bimestres, nós teremos que fazer alguns posts obrigatórios, e esse é um deles (a Rafa e a Sofi vão fazer um post assim também ao longo do final de semana). Para dar uma contextualizada melhor antes de começar a escrever, as perguntas que nós temos que responder nesse primeiro post são: o que você aprendeu fazendo o documentário? O seu minidocumentário e o blog traduzem o processo de aprendizado ao longo do projeto?

Acho que a primeira coisa que eu aprendi foi que (choque para todos) documentário não é aquilo que a gente vê ou não no Discovery Channel. O documentário pode ter uma carga emocional muito grande, como foi o caso de muitos dos documentários que os outros grupos fizeram (eles ainda não foram postados, mas os links de todos os blogs estão aqui), ele pode ter uma mensagem e um objetivo muito bonitos, como o nosso.

Falando um pouco mais da nossa experiência, eu aprendi que trabalhar em grupo é muito difícil, ainda mais considerando que nós fizemos o projeto durante um ano inteirinho com o mesmo grupo. Minha sorte foi que nós três nos entendemos muito bem, então, mesmo querendo se esganar de vez em quando, na maior parte do tempo tudo deu certo, até porque cada uma tinha uma coisa que gostava mais de fazer ou que fazia melhor. Eu, assim como todo o grupo, tive que aprender a me organizar, afinal, administrar documentário, blog, estudos, sono e vida social (apesar desses dois últimos terem sido deixado um pouco de lado) não é nada fácil. Além disso, tivemos que aprender a editar vídeos, o que foi realmente muuuuito difícil, porque nenhuma da nós três sabia no começo, então a irmã da Sofi teve que nos ajudar bastante no começo (Marina 💛), e aí depois de um tempo nós já conseguíamos editar bem direitinho!

Saindo dessas questões um pouco mais práticas e falando do nosso tema, eu acho que eu, a Rafa e a Sofi aprendemos muita coisa. Eu aprendi a reparar. A passar pela rua e não só ver as coisas, mas percebê-las, parar para olhar. Nós conhecemos pessoas incríveis que eu nunca teria pensado que iria conhecer e que tinham projetos incríveis. Mais do que isso, eu passei a me conhecer muito melhor. Eu sou mega perdida com essas coisas de saber sobre mim, sobre o que eu gosto e sobre o que eu quero fazer da minha vida em um futuro próximo, mas depois desse processo todo eu descobri que eu sou muito mais apaixonada por poesia do que eu pensava, o que, sinceramente, pra mim foi muito positivo. Não sei dizer se foi uma coisa que eu aprendi diretamente com o documentário, mas como esse ano tudo esteve bastante ligado a ele, eu aprendi a lidar um pouquinho melhor comigo mesma. O que eu quero dizer com isso? Nem eu sei explicar direito, mas no meio de tantas e tantas crises que eu tive esse ano, o projeto me ajudou tanto…

Na minha opinião, tanto o blog quanto o documentário traduzem pouco o nosso aprendizado. O processo inteiro foi muito mais rico do que o que nós jamais poderíamos expressar por completo.

O minidoc traz um recorte muito pequeno, afinal, ele só tem 10 minutos, o que pode parecer muito, mas acredite, quando você tem mais de 4 horas de entrevistas, não é nada. Para mim, o processo se refere a tudo que nós conhecemos e vivemos como consequência do projeto, indo muito além só do aprendizado sobre nosso tema, que é do que o documentário fala.

Ainda que ambos mostrem uma parte muito restrita do nosso aprendizado, o blog faz isso um pouquinho melhor. Eu me apaixonei por escrever aqui, então tudo que eu compartilhei (crises, reflexões e por aí vai) reflete tanto o tema quanto outros fragmentos daquilo que eu aprendi, sendo um reflexo do que eu vivi e me tornei ao longo desse ano. A diferença entre os primeiros posts e os de agora é gritante, não tem como discordar disso!

Espero que eu tenha conseguido transmitir um pouquinho desse aprendizado para vocês! 💛

Mil beijos,

Analu

Diário de Viagem – roteiro 3

DIA 1

São paulo, 6 de Maio de 2015

Tínhamos de chegar na escola às 6h30 da manhã. Parece muito cedo, mas juntar e separar 160 alunos e suas coisas antes de uma viagem não é nada rápido. Não sabia o que esperar na realidade, esse sendo o meu primeiro estudo do meio da vida. Após nos organizar-mos, partimos. O roteiro era focado no bairro da Liberdade e em espaços religiosos. Nosso primeiro compromisso era na Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP). Pegamos um ônibus em direção ao Terminal Bandeira, era o primeiro ônibus de alguns.

Quando chegamos na FEESP, mais ou menos às 9h, fomos encaminhados a uma sala, onde nos encontramos com uma das organizadoras da casa. Ela contou sobre a história do Espiritismo e depois nos convidou para tomar o passe, espécie de purificação. Saímos de lá rumo ao nosso próximo horário marcado.

Ao caminhar em direção ao Mosteiro Budista Busshinji, uma coisa que me chamou atenção nas ruas do bairro foram os postes de iluminação pública que incorporavam o estilo oriental. Chegando no mosteiro, fomos recebidos por um monge diferente dos monges que geralmente imaginamos. Ele tinha sim a cabeça raspada e usava os trajes usuais, mas falava normalmente, usava até gírias! Ele também nos explicou a história do Budismo e de Buddha, que na verdade se chama Sidarta. Nos ensinou também como meditar.

Depois fomos almoçar no Rong He, restaurante chinês, para combinar com o clima. Eu e mais duas amigas dividimos um Yakisoba e ainda sobrou! Acabando, pegamos o metrô na estação São Joaquim para visitar a Central de Controle do Metrô (CCO). Tivemos uma palestra sobre o funcionamento das linhas e vimos como era a sala. Ainda ganhamos uma passagem de graça ao sair de lá.

Chegamos em uma das partes mais marcantes, a visita a Ocupação. No caso do meu roteiro era a Cine Marrocos, o prédio que funcionava como um cinema. Para começar, era super organizado. Um advogado, que se mudou pra lá para ficar mais próximo, nos explicou o funcionamento da mesma. Quando entramos na sala em si, só conseguia ouvir as expressões de surpresa. As paredes tomadas de desenhos, grafites e escritos, enquanto as cadeiras foram retiradas deixando o espaço livre. Incrível.

Parede na Ocupação
Na antiga sala de cinema da Ocupação
Parede na Ocupação Cine Marrocos
Parede na Ocupação Cine Marrocos

Ao sair de lá, nos dirigimos ao hotel, mas o dia não tinha acabado. Depois do jantar, lá pras 20h30, fomos para a praça Roosevelt realizar as oficinas que tínhamos escolhido. No break, o que eu escolhi, fomos divididos em dois grupos e aprendemos alguns passos (“aprendemos”, no meu caso) para, no final, competir.  Não nos preocupamos muito com a técnica e foi muito divertido.

DIA 2

São Paulo, 7 de Maio de 2015

Saímos direto do hotel e, como nosso roteiro do segundo dia era focado mais no Brás, pegamos o metrô na República e saltamos na estação Brás. Ao chegarmos, o monitor Pedro disse que o bairro é muito marcado pelo comércio e nos deixou livres para conhecer as casas do norte, lojas que vendem coisas e comidas típicas do norte e nordeste do Brasil. O grupo se separou e, quando nos reunimos, alguns não resistiram e estavam com sacolas.

O grupo escolheu ir para a Feira da Madrugada, famosa pelo comércio de atacado, onde comerciantes de várias cdades vão para repor o estoque. Também ficamos livres para conhecer o local. Depois, relembrando o espírito do primeiro dia, fomos a Paróquia Santo Antônio do Pari, igreja Católica. O interior era lindo. Sentamos um pouco, já que tínhamos andado bastante.

Hora do Almoço! Fomos ao restaurante de comida peruana Aleja. Dividi dois pratos com uma amiga, um ceviche e um macarrão todo diferente. Bebemos Inca Kola, um refrigerante meio caro e muito peculiar (tinha cor amarelo marca texto). Demorou um pouco, mas estava tudo muito gostoso e saímos querendo levar a garrafa de dois litros da bebida. 

Nosso único lugar marcado era a visita a Anhembi Morumbi, no centro, para conhecer o Gastromotiva. Tivemos uma conversa com uma das organizadoras do projeto, que leva o curso de Gastronomia, geralmente caro, para pessoas que não podem pagá-lo. Conhecemos as cozinhas da faculdade e os alunos do projeto. Depois disso, ficamos um tempo livres no pátio da faculdade para descansar e entrevistar pessoas.

IMG-20150508-WA0012
Na Anhembi-Morumbi, conhecendo o Gastromotiva

Para terminar o dia, tivemos um Sarau, com os alunos – e professores – mostrando seus talentos. Foi muito bom! Era a última noite do último estudo do meio das nossas vidas – e, no meu caso, o primeiro – e eu já sentia falta. Cantamos parabéns aos aniversariantes mais próximos, me incluindo. Na volta ao hotel tivemos outro, desta vez com bolo – e com quem será.

DIA 3

*** Esse post aqui mostra o que fizemos na parte da manhã, a caça ao tesouro.

Os relatos aqui começam em ótima hora, no almoço! ***

São Paulo, 8 de Maio de 2015

Grupo em frente a Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Grupo em frente a Biblioteca Alceu Amoroso Lima

Como estávamos na região de Pinheiros, fomos ao Mercado Municipal – por indicação da Teresa – comer na Comedoria Gonzales. A comida era muito boa, mas o mais especial era a sobremesa, única disponível, o Tres Leches. Posso falar, vale muito a pena!

Depois todos os grupos se encontraram em Vila Maria Zélia assitir a peça interativa Hygiene. Ela tratava da época de destruição dos cortiços no Rio de Janeiro, no final do séc XIX. Foi bem legal porque os atores pegavam pessoas da plateia para contracenar junto. No final tivemos uma conversa com atores e um encerramento do Estudo do Meio, com alunos e professores dando suas opiniões do que tinham sido os “três dias na cidade”.

Da Zona Leste, com amor,

Aimee

Diário de viagem – roteiro 1

Dia 1…

Quarta feira, finalmente tinha chegado! Finalmente eu ia vivenciar o tão falado e elogiado Móbile na Metrópole. Cheguei na escola e pela primeira vez em todos os estudos do meio, minha mãe não chorou (de verdade que até o ano passado não tinha um que ela não tivesse chorado). Acho que ela não estava considerando que eu ia viajar e acho que nem eu, afinal, eu nem ia sair de São Paulo não é mesmo? Mas mal sabia eu que na verdade, eu ia conhecer um lugar totalmente novo, eu não tinha a menor noção de como minha visão da cidade era limitada, acho que depois desse projeto eu e todos os alunos podemos dizer que viajamos, mesmo que para São Paulo.

Chegando na escola encontrei os meus amigos e foi aí que eu comecei a sentir aquele clima gostoso pré estudo do meio, todo mundo super animado e ansioso. Meu grupo, nomeado como grupo 1, foi apelidado de Viagens na nossa terra, em homenagem ao livro que estamos lendo em literatura e ao professor, João Cunha, que foi nos acompanhar durante os três dias. A partir daí começou oficialmente o Móbile na Metrópole 2015! As diferenças entre esse estudo do meio e qualquer outro já foram percebidas no início da viagem. Sem ônibus fretado. Fomos ao terminal Santo Amaro, para de lá irmos de transporte público até a nossa primeira parada, a ocupação Cambridge.

Entrada da ocupação Cambridge

Nela fomos super bem recebidos pela coordenadora e por alguns moradores, conhecemos o espaço, vimos alguns quartos e como funciona a rotina e a separação de trabalho entre os moradores, foi incrível, de verdade, quebrou com vários preconceitos que eu tinha sobre as ocupações em geral. Depois dessa visitação fomos andando para o CRAI (Centro de Referencia e Acolhida ao Imigrante), onde entendemos um pouco melhor como o imigrante se insere na sociedade paulista e como é a chegada dele no Brasil, me decepcionou um pouco o fato de o governo da cidade não ter uma organização que lide com esse tipo de situação, tendo em vista que o CRAI foi criado por imigrantes. Seguimos  para a escola de samba ‘Vai-Vai’, no bairro do Bixiga, e conversamos com um homem e uma mulher que representavam a escola, eles criaram um monólogo de mais ou menos duas horas e o que mais me impressionou dentre todas as coisas era o entusiasmo e o orgulho que eles tinham ao falar de duas vidas e, principalmente, da escola. Chegando a hora do almoço ninguém falava sobre outra coisa além de sua fome e cansaço, fomos então comer no “Concheta”, um restaurante de massas muito gostoso que tinha uma tradição que eu nunca vi em nenhum outro lugar, em certo horário os funcionários e os clientes ficavam batendo as panelas umas nas outras gerando o maior barulho do mundo, deixando a atmosfera do lugar muito animada, não tenho palavras para descrever o tanto que eu me diverti nesse almoço. Na frente do restaurante tinha um museu homenageando o dono do restaurante em que almoçamos, o Senhor Walter e acabamos conhecendo o lugar que mostrava varias coisas que ele fez para o bairro e que enfatizava o lema dele; “Quando se tem uma ideia,  só é preciso força de vontade para torná-la realidade”. Acabando a visita, fomos ao teatro “Os fofos encenam”, que por incrível que pareça, não é uma escola de artes cênicas para crianças, mas um grupos de atores adultos que encenam peças muitas vezes com temas polêmicos. De lá, tentamos ir para a Vila Itororó, mas ao chegar lá tivemos a noticia de que os casarões que ocupam aquele espaço estavam sendo restaurados, então voltam ao hotel de ônibus. Mas nosso dia não acaba por ai, tivemos a noite oficinas de Break, Parkour e Stickers, foi muito legal ver a movimentação da praça a noite e ver os nossos instrutores (no meu caso, de Break) competindo! Voltamos para o hotel muito cansados e empolgados para o próximo dia.

Dia 2…

O tema do segundo dia para o grupo Viagens na nossa terra era Arte, arte nas suas mais variadas formas, desde grafite nos muros até exposições com a mais ênfase no corpo humano, como a de Marina Abramovic, acho que era o dia mais esperado por mim, e as minhas expectativas foram ultrapassadas!

Mural dos Gêmeos que foi tema do documentário “Cidade Cinza”, na 23 de Maio

Andamos do nosso hotel até a Avenida 23 de Maio, discutindo sobre as diversas intervenções urbanas presentes no percurso, e colocando em pauta a discussão sobre “o que é grafite e o que é pichação, como podemos diferenciá-los (se é que existe alguma diferença entre eles) e se um é melhor que o outro”. Conhecemos nesse passeio o painel ilustrado pelos Gêmeos, tema base para o documentário Cidade Cinza que postamos há um tempinho atrás e que vimos em sala de aula. É lindo. Colorido, realmente lindo, era como se os Gêmeos dessem vida para a avenida. O plano era ir para a Galeria do Vermelho, mas ela estava fechada. Sendo assim, seguimos para o  SESC e fomos para a tão falando exposição de Marina Abramovic que foi interessantíssima, algo que eu nunca tinha visto antes, totalmente único e inesperado ela expôs coisas como um vídeo dela pelada só com o rosto coberto dançando, bizarro né. Durante essa visita o João Cunha reuniu o grupo 1  e perguntou se nós considerávamos aquilo arte, ele obteve respostas de todos os tipos, como; “não, sim, depende e não sei”, e na hora eu pensei, isso pode até não ser considerado arte por alguns,  mas é sem sombra de duvida algo muito  polêmico e eu ainda não sei direito o que eu achei da exposição, e de verdade, acho que não vou saber nunca. Ainda no SESC, fomos para uma exposição também muito diferente, entramos em uma sala completamente desarrumada, para não dizer destruída, toda pichada, suja. Nela tinha um homem, cuja aparência parecia com a da sala, que falou ‘’vocês podem fazer o que vocês quiserem com o meu corpo e com a sala, aproveitem!”. Ninguém soube o que fazer na hora, começamos pintando um pouquinho a parede e os nossos amigos, mas depois, rapidamente, perdemos o controle, juro, pintamos os olhos a boca, teve gente que até jogou tomate nos outros! Foi sensacional, nada que eu falar vai descrever metade do que eu senti na hora, todo mundo tão feliz, rindo junto, sensacional. Saímos de lá para a rua parecendo obras de arte, e é claro que por onde a gente passava as pessoas olhavam e comentavam, não só pela pintura mas porque o nosso grupo andava cantando, cantando alto, cantando músicas já muito conhecidas e  variadas como sertanejo ou músicas como “i will survive”! Ai, estava um clima tão alegre, tranquilo e gostoso, todo mundo tão unido isso desde os alunos e professores até as pessoas que passavam por nós, que se contagiavam com a gente! Chegamos então ao Beco do Batman, lá vimos  mais grafites incríveis sendo o nosso guia o Enivo, um dos artistas de rua mais influentes em São Paulo! Ele nos contou um pouco de sua trajetória e nos mostrou sua galeria, a “A7MA”. Depois voltamos ao hotel exaustos e muito realizados! À noite teve o sarau, foi muito legal ver todo mundo junto ouvindo os alunos e professores, contarem piadas, cantarem (um parabéns especial ao João Cunha que cantou sem nenhum instrumento uma música lindíssima). Depois disso fomos dormir muito, mas muito felizes mesmo!

Dia 3…

Sobre o terceiro dia já tem o vídeo que eu postei semana passada (esse), eu só queria acrescentar que durante muitos momentos na viagem parecia que eu estava em qualquer outro lugar que não São Paulo, achei isso muito esquisito e legal ao mesmo tempo, por isso eu acho que posso falar que viajamos para a nossa própria cidade, e foi uma viagem incrível! Vou usar esse finalzinho só para agradecer mesmo, ao grupo 1, ao João Cunha, aos professores em geral, aos monitores, e a todo mundo do nosso ano que fez com que essa viagem tão especial, tenho certeza que todos que participaram vão lembrar com muito carinho.

O queridíssimo grupo 1 em uma exposição que fomos no último dia

Sofia

Diário de viagem – roteiro 4

…dia 1

Chegamos na escola por volta das 6h30, deixamos as malas juntas para que os ônibus fretados as levassem para o hotel e sentamos nos grupos para trocar telefones, discutir como íamos para os lugares, essas coisas. Olhamos o roteiro: Zona Norte. O problema era chegar lá, mas um dos integrantes do grupo, o Paulo, sabia que caminho a gente tinha que pegar. Seguimos as instruções dele, pegando o ônibus para ir até o metrô mais próximo. Fomos até a Estação do metrô Armênia e só observamos as coisas lá, ainda completamente perdidos.

“eu tenho coração de poeta” – escrito no lugar de poesia da Biblioteca do Carandiru

Depois, tínhamos que chegar no Terminal Rodoviário Tietê, mas o Paulo foi proibido de ajudar, o que tornou as coisas mais difíceis, mas o fato é: conseguimos. Lá pedimos para a Teresa para ficar uma meia hora por ali e ela concordou, dizendo que quem fazia a viagem éramos nós, então acabamos andando bastante e fazendo várias entrevistas. As primeiras foram difíceis. Não sabíamos que tipo de pessoa deveríamos abordar e a vergonha era absurda, mas foi tudo fluindo e deu certo. Perguntamos para as pessoas como elas definiriam o conceito de “intervenções urbanas” e como estas eram importantes ou tocantes para elas. As respostas eram diversas e isso só tornava tudo aquilo ainda mais divertido. Uma moça de Santos disse pra gente que o jeito que as pessoas se vestem também poderia ser considerado, na opinião dela, uma intervenção urbana, pelo efeito que as vestimentas tem nas pessoas e pela diversidade entre tais estilos que, segundo ela, é enorme em SP. Nunca tínhamos parado para pensar por esse lado e é engraçado o quanto pessoas de fora conseguem perceber e fazer análises tão diferentes, muito mais do que nós, que vivemos isso todos os dias.

Saindo do terminal, andamos pela a Avenida Cruzeiro do Sul, na qual está a chamada Galeria Aberta, que é cheia de grafites incríveis, tiramos várias fotos, lógico. Andamos até o Parque da Juventude, onde conseguimos conversar com alguns policiais (fizemos um vídeo sobre isso que vai ser postado logo logo) e fomos à Biblioteca do Carandiru, que era incrível! Tinha uma parte só de poesia que era um amor, até escrevemos a nossa própria (tem vídeo disso chegando também).

Grafite na Galeria Aberta

Cruzando o parque, fomos até o Museu Penitenciário Paulista, em que um homem falou sobre a história do Carandiru, como era a vida lá, etc sob uma perspectiva do Estado, foi de um jeito bem quadradinho e ouso dizer que um pouco monótono também, então foi cansativo, até porque, todos estavam famintos. Foi a única parte desses 3 dias que teve esse ritmo mais parado e expositivo.

Finalmente fomos almoçar, no restaurante que se chama Conceição Discos. Comemos um arroz com frango e quiabo que estava muuuuito gostoso, de verdade! De sobremesa, tinha um pudim ou um brownie, os dois incrivelmente delicioso (mas o pudim ainda mais).  Além da comida maravilhosa, o lugar também é incrível, único e aconchegante, cheio de desenhos e frases nas paredes pretas

Andamos por um bairro muito bonito e tranquilo, com a arquitetura bastante clássica e todo arborizado, até a Oficina de Corpo Zé Maria, sobre a qual já falei um monte no outro post, mas lá fizemos exercícios de confiança, alongamentos, etc. Saímos e fomos, em silêncio, como também já comentei, até a Ocupação Marconi, onde conversamos com duas pessoas, que contaram sobre o funcionamento da ocupação, mostrando que é muito mais organizada do que pensávamos, e tiraram algumas dúvidas.

Na parede do Conceição Discos

Estávamos voltando para o hotel e paramos para fazer um fechamento na Praça da República. Terminado isso, jantamos. Depois, saímos de novo e eu, Ana, fui para a oficina de parkour, foi super legal (eu ri muito), mas eu percebi que realmente não levo jeito para escalar os muros e fazer coisas que exigem uma certa força, mas o importante é que eu tentei, né. Já eu, Rafa, fui para a oficina de break e devo confessar que foi incrível.Eu já tinha feito 1 ou 2 anos de aulas de hip hop (ou street dance, como eles gostam de chamar), mas mesmo assim, a oficina conseguiu me acrescentar novos aprendizados e foi incrivelmente divertida. O mais engraçado era ver como as pessoas paravam em volta da gente, tanto na praça quanto na rua. Parecia que eles esperavam que a gente fosse virar um grupo de 20 ninjas do break e que ia ser imperdível, e, mesmo que não tenha sido assim, todo mundo continuava lá, incentivando, aprendendo ou só ouvindo a música, me senti muito parte da cidade nesse momento. Voltamos para o hotel e, acabadas depois de tudo isso, dormimos.

Depois do almoço no Conceição Discos

…dia 2

Eram 7h40 e o grupo 4 estava reunido no saguão do hotel, tínhamos que estar na Federação Espírita às 8h30. Decidimos ir de metrô, o que depois descobrimos ter sido uma grande besteira, porque era a uns 10 minutos andando do hotel, mas fica o aprendizado né. Lá uma mulher tirou nossas dúvidas e explicou como funcionava a Federação, depois todos tomamos um passe e fomos embora. O trabalho deles lá é bem diferenciado, uma vez que não tem nenhuma restrição com religião ou qualquer outra coisa. Se você está passando por problemas, eles tem um programa que te ajuda, seja você judeu, católico ou ateu. Inclusive, existe um Centro Espírita para o qual você pode ligar em qualquer momento do dia para que um atendente leia uma frase de um livro para você. Tem momento nos quais isso realmente ajuda muito. Aí está o telefone deles para vocês, é uma boa dica: 3106-4403

Andamos até o Mosteiro Budista Busshinji, no bairro da Liberdade, entramos e tiramos várias dúvidas com o monge (que também fazia faculdade de arquitetura!!). Depois, fizemos o zazen, um tipo de meditação em que ficamos sentados olhando para a parede por uns 5 minutos, que passaram incrivelmente rápido, numa posição muito engraçadinha, é até mais fofa do que as que a gente vê em filmes. Cara, budismo é incrível.

Saindo de lá, a Teresa nos guiou até um restaurante chinês chamado Rong He, comemos um monte de coisas, como frango xadrez, yakissoba, um negocinho parecido com guioza e várias outras coisas (muuito gostosas).

Pegamos o metrô e fomos até o CCSP (Centro Cultural São Paulo), onde sentamos e conversamos, como eu também já falei no outro post. Lá tivemos tempo para dar uma volta e conhecer o lugar, fazendo entrevistas, tirando fotos e até mesmo só andando e observando tudo. Tinha uma exposição super interessante!

Exposição no CCSP

Fomos de metrô, de novo, para a Casa das Rosas, na Paulista, lá só demos uma volta e depois paramos para ouvir a Teresa cantar (<3).

Saímos, pegamos o metrô até a Augusta e começamos a descer a rua até nos depararmos com uma loja muito legal (chamada Augusta Arts), do lado de uma feirinha de food trucks também muito legal, que não estava dentro dos nossos planos, mas entramos mesmo assim.

Continuamos a caminhada até chegar na Loja Caos, uma loja de antiguidades na qual realizamos nosso fechamento do dia. Voltamos andando para o hotel e jantamos lá. Mais tarde, lá pras 20h30 fomos para o sarau. Este aconteceu em um pequeno auditório/teatro e nos surpreendemos com os talentos de nossos colegas e professores também, cantando e tocando vários instrumentos.

Voltamos para o hotel e cantamos parabéns para as 3 pessoas que faziam aniversário naquela semana. Fomos para os quartos e, mais uma vez, dormimos direto.

IMG_9466
Na frente do templo budista.

…dia 3

Nos encontramos no saguão às 8hs em ponto. O roteiro do dia era andar de bicicleta, mas ninguém sabia direito para onde nós íamos. Pegamos as bikes na Praça da República e, depois de colocar os capacetes, ajeitar os bancos, etc, partimos.

No dia anterior, a Teresa tinha dito que a bicicleta era uma coisa mais individual, então seria bem diferente dos outros dias, não haveria tanta união. Ficamos meio chateadas, mas ok, né.

Bom, fomos em direção ao parque do povo, mas sem ter muito o que fazer quando chegássemos lá, era só pelo passeio. A frase que melhor descreve o dia é “tudo é travessia”.

Bem no comecinho do trajeto, a Rafa sentiu que não ia aguentar, porque suas pernas estavam doendo muito, então voltou para o hotel e se uniu ao grupo 3.

No Parque do Povo depois da pedalada. (Foto do blog https://mnm152cg7.wordpress.com/)
No Parque do Povo depois da pedalada. (Foto do blog https://mnm152cg7.wordpress.com/)

Não sei exatamente o nome das ruas pelas quais passamos, só sei que acabamos indo para um café da manhã dos ciclistas na Faria Lima, tinha um brownie tão gostoso! Foi lá que entregamos o presentinho da Teresa, que eu já mencionei, também, no outro post, foi tão fofo! Não aguento, juro.

Continuando: chegamos no Parque do Povo (depois de 17 km!!), deixamos as bikes lá e nos despedimos dos monitores tão fofos que tinham nos acompanhado durante o trajeto. Pegamos um trem da CPTM até um lugar que eu não consigo me lembrar agora e depois pegamos o metrô até o Belém.

Almoçamos em um pequeno self-service e andamos até a Vila Maria Zélia, lugar onde assistimos a peça Hygiene, do grupo XIX de teatro. Mas antes de realmente vê-la, fizemos o fechamento do grupo. Mesmo a bicicleta sendo supostamente individual, conseguimos fazer disso uma coisa em grupo e ficamos mais unidos do que nunca. Foi tão fofo!!! Nos abraçamos (eu que comecei, assim como todos os outros abraços em grupo hahaha) e foi aí que eu comecei a chorar. Não teria como o grupo 4 ser mais fofo, de verdade!

Foto: http://www.focoincena.com.br/hygiene/1398

Mas enfim, assistimos a peça. Eu gostei muito! Pelo fato de ficarmos em pé e acompanhando os atores andando pelo cenário, foi criada uma proximidade entre nós e a peça, algo muito diferente e interessante. No final, sentamos, conversamos com os atores e depois fizemos um fechamento do 2o ano inteiro. Os professores, monitores e os próprios alunos falaram coisas fofíssimas e super emocionantes.

Entrei no ônibus fretado e fiquei tão triste… Pensei que não teria mais grupo 4 junto e nem Móbile na Metrópole. Ainda bem que eu estava errada, já até nos encontramos, como eu contei aqui!!

O EM foi só um empurrãozinho para nos fazer perceber a cidade e despertar nossa curiosidade, mas o MNM não acaba com os três dias. São Paulo não é só feia, não é só cinza e não é só Moema. Agora nós não vemos a rua, nós reparamos nela.

Um pouquinho de esforço já fez com que todo mundo abrisse os olhos e descobrisse SP como uma cidade completamente diferente do que imaginávamos.

Ana e Rafa

Bicicleta em São Paulo?

Oi! Como vocês sabem, o grupo 4 andou de bicicleta no terceiro dia do Estudo do Meio, então eu e a Malú (vale a pena conferir o blog dela, sério), as duas desse grupo, decidimos fazer um vídeo com a Teresa, que usa a bicicleta como meio de transporte, e com algumas pessoas que andaram de bike em algum dos três dias, pedindo para elas contarem um pouquinho sobre essa experiência, dizendo o que sentiram, esse tipo de coisa. Não somos profissionais nisso de edição, mas esperamos que vocês gostem!!

Bom, indo um pouco mais o que eu senti. Antes do Estudo do Meio, quando eu via alguém usando a bicicleta como meio de transporte eu pensava tipo “nossa, que disposição”, mas isso com certeza mudou muito.  Foi como se eu tivesse descoberto a bicicleta de um jeito novo, não só como “a diversão de domingo”,  fazendo com que ela se tornasse algo tão prazeroso no dia a dia que o cansaço nem era uma coisa que me preocupava.

Eu quase não usava a bicicleta como meio de transporte, só para trajetos muito muito curtos. O medo que os meus pais tinham que eu usasse esse meio de transporte era tão grande que acabou sendo passado para mim.

Mas ele foi quase completamente quebrado. Eu ainda não me sinto 100% segura andando de bicicleta, o impulso de andar pela calçada ainda é muito grande, mas eu estou me acostumando com a ideia de envolvimento com a cidade que a bike proporciona. Isso tem me encantado tanto que eu tenho tentado usá-la mais e até estou pensando em comprar uma para mim (tenho usado a da minha mãe).

São tudo flores? É evidente que não, ainda há uma série de problemas, como dá pra ver na fala da maioria das pessoas no vídeo. Mesmo assim, na minha opinião a bicicleta é uma solução. Para mim, todos os xingamentos, buzinas, olhares raivosos, etc foram compensados pela quantidade enorme de pessoas que vieram conversar e elogiaram a ideia, que filmaram, que sorriam com a gente cantando e que faziam comentários do tipo “nossa, eu deveria perder o medo e começar a andar de bicicleta também”.

Enfim, acho que todo mundo deveria tentar viver isso. Ah, e indo no formato do vídeo, se eu fosse escolher uma palavra para descrever, eu diria único.

Ana