Lambe-lambes

Seguindo um pouco a linha desse post, viemos falar um pouco sobre os lambe-lambes, nos aprofundando cada vez mais no nosso recorte temático.

Olha a história ai (foi a mais breve que eu consegui encontrar):

Cartaz de J. Cherét, 1895. (http://historiadocartaz.weebly.com/origens.html)

“Os primeiros cartazes foram desenvolvidos ainda no século X, por meio de xilogravuras, obtidas através da impressão de matrizes de madeira pelos povos orientais. No Renascimento, o primeiro cartaz conhecido é de Saint-Flour, de 1454, feito em manuscrito e sem imagens. Somente no final do século XIX, a arte de reunir textos e ilustrações numa folha de papel alcançou projeção, ao ser propagada pelos mercadores europeus e executada pelas mãos talentosas de artistas plásticos da época. Por volta de 1860, em Paris, Jules Cherét desenvolveu o sistema de impressão de 3 a 4 cores. Seu estilo atingiu o auge em 1880 e foi adaptado por outros artistas como Pierre Bonnarde e Toulouse-Lautrec – precursor da arte publicitária. Já no século XIX, começo do século XX, o movimento Arts and Crafts, um dos estilos estéticos que iniciou o caminho do Design Moderno, inspirou vários artistas a criarem Cartazes que pregavam a liberdade estética e a ousadia criativa. Aspectos que se relacionavam com a 2ª Revolução Industrial e com os avanços tecnológicos da época. (…) Os artistas desenhavam cada elemento do Cartaz, incluindo a tipografia. No século XX, o cartaz teve um papel importante no Design Moderno. O Design Russo influenciou fortemente a evolução do cartaz europeu, estando intimamente relacionado à propaganda do governo soviético e a vanguardas artísticas, como o construtivismo, trazendo mensagens de patriotismo, igualdade e vitória. Até 1917, existia uma grande influência francesa nas artes gráficas comerciais russas, somente após essa data é que o estilo russo encontrou seu caminho próprio, atrelado a artistas ligados ao processo revolucionário. (…) Durante a Segunda Guerra Mundial, os Cartazes deixaram de anunciar produtos para promover os esforços de guerra, por meio do apelo ao recrutamento ou veiculação de informações. Os governos que encomendavam esses cartazes queriam mensagens diretas e eficazes. Por isso, assumiam o risco de contratar e dar liberdade a jovens designers modernistas. Nos anos 60 e 70, os cartazes passaram a ser desenhados para uma audiência limitada, sendo encarados e vendidos como obras de arte. Eram tempos efervescentes, em que surgiram vários movimentos de fundo político e social, o que acabou por influenciar de forma decisiva o Design Gráfico. Entre eles, podemos citar o movimento estudantil, o psicodelismo e o punk. A partir dos 70, a tecnologia deu aos designers muito mais controle sobre o tipo de letra e a reprodução da imagem. Nos dias atuais, poucos são os artistas gráficos cujas obras se destacam, quer qualitativamente ou em termos de inovação. O computador têm um papel cada vez mais importante na criação de cartazes e as combinações criativas entre fotografia, ilustração e trabalho tipográfico os transformou em veículos extremamente democráticos, que evoluem à velocidade da tecnologia digital.” (Fonte)

Hoje em dia, os lambe-lambes estão presentes em diversas cidades do mundo, sendo quase impossível falar de intervenções urbanas sem falar deles.

Achamos uma matéria do Green Peace sobre o assunto, então vamos falar um pouco dela, mas se você quiser ler tudo que está lá, o link é esse.

comum a2 - post cartaz
Lambe por Comum A2 (Foto: https://instagram.com/p/2izvgPx84I/?taken-by=comum_a2)

Primeiro de tudo, o que são lambe-lambes? “Um lambe-lambe é um cartaz com conteúdo artístico e/ou crítico colado em espaços públicos. É uma forma de intervenção criativa na sua cidade, com o poder de despertar as pessoas para reflexões que em geral não estão presentes no nosso dia a dia”. Ou seja, são uma forma colorida e expressiva que usam arte e poesia para expor ideias e/ou sentimentos. Se você não conseguiu imaginar muito bem o que estamos falando pode lembrar um pouco uma propaganda (tipo aquilo do “trago seu amor de volta em três dias”, que todo mundo já viu na rua), mas o conteúdo é bem diferente, o que é muito visível nas intervenções que vocês já viram em posts que nós fizemos aqui no blog, por exemplo da Camila, da Gabriela e do Thiago e da Carol.

Segunda coisa, que é muito importante: colar lambe-lambe não é crime. Todo cidadão tem o direito, garantido pela Constituição, de se manifestar livremente. Além disso, os lambes são uma forma de expressão totalmente pacífica. De maneira geral, as leis como a Lei Cidade Limpa (sobre a qual falamos aqui) não se referem a manifestações sem conteúdo comercial, são apenas para publicidade. É possível colar em lugares públicos, postes, lixeiras, etc, porém é necessário pedir permissão para colar em espaços privados, como muros e portões.

Para fazer a cola, pode ser usado polvilho, farinha de trigo ou algumas outras coisas. No entanto, não vamos explicar todo o processo para fazer a cola ou que tipo de pincéis você deveria usar, porque não é exatamente o foco aqui.

Esse é um documentário que estava disponível no site do Green Peace também, achamos que ele tem informações muito interessantes, falando, inclusive, com alguém que, por coincidência, foi tema de um post nosso, a Laura Guimarães.

Enfim, esperamos ter esclarecido um pouco mais sobre o assunto!

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