Poesia agora (2)

Oii, gente!

Esse post está um pouquinho atrasado, mas nós queríamos contar como foi aquela exposição sobre a qual falamos aqui.

Contextualizando um pouco nosso dia: era para termos feito uma entrevista, mas houve um imprevisto e não foi possível. Então fomos fazer umas filmagens na rua. Deu tudo um pouco errado nesse dia, muitos dos lugares que queríamos filmar estavam fechados (tipo o Banespa e o Martinelli), então, como estávamos com tempo, a Rafa sugeriu que nós fôssemos para o Museu da Língua Portuguesa (já que as duas estavam loucas para ir para a exposição).

Superou qualquer expectativa que nós duas tínhamos. De verdade. Foi tão bonitinho. As duas saíram completamente encantadas com tudo que nós tínhamos visto (acho que pelo menos uma coisa deu certo).

É tudo muito criativo, diferente daquilo que já tínhamos visto. Tem foto de poesia de rua, poemas [incríveis] escritos em umas lâmpadas (não dá para explicar direito, mas vamos colocar algumas fotos aqui embaixo), lugares para você escrever seus próprios poemas e muito mais.

Nós duas amamos e esperamos que vocês tentem ir (e depois nos contem como foi)!

Aqui vão algumas fotos que nós tiramos (não de tudo, é claro):

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Analu e Rafa

Poesia agora

Oii!

Continuando a ideia desse post eu vim dar outra dica do que fazer em São Paulo.

IMG_0012
(http://jornalplasticobolha.blogspot.com.br/2015/06/abertura-da-exposicao-poesia-agora.html)

Estando cada dia mais apaixonada por poesia, descobri uma exposição que parece ser incrível. A “Poesia agora” está acontecendo no Museu da Língua Portuguesa e tem como objetivo criar espaço para poetas contemporâneos pouco conhecidos. São quase 500 poetas vindos de todas as partes do Brasil e de outros países também. Os poemas são apresentados ao visitante e este é estimulado a criar seus próprios (achei a ideia tão legal!).

Para isso, existem várias instalações interativas, nas quais a poesia aparece tanto em livros quanto de forma mais inusitada, por exemplo nos espelhos do banheiro.

Não vou falar de todas as instalações, até porque eu ainda não fui, mas pesquisando um pouco teve uma que me deixou muuuuito animada (e tem tudo a ver com o nosso tema): a Sala Poesia de Rua! Ela possui imagens de expressões poéticas, grafites, cartazes entre outras intervenções poéticas captadas pelas ruas de São Paulo e de outras cidades. O mais legal de tudo é que você pode participar enviando imagens de versos escritos pela cidade para o email participepoesiaagora@gmail.com!

Espero que vocês se interessem tanto quanto eu. Quando eu tiver a oportunidade de ver a exposição eu com certeza vou contar como foi pra vocês!!

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Informações:

Local: Museu da Língua Portuguesa

Data: de 23 de junho a 27 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 18h

Entrada: R$ 6 e R$ 3 (meia entrada). Grátis aos sábados

Analu

http://sofia-scopel.tumblr.com/image/121136208580

Oi gente, boa tarde! ❤

Eu tive uma crisesinha aqui no meio dos meus estudos pras bimestrais (aquela semana que você morre, literalmente), daquelas que se você espreme sai um belo post reflexivo, sabe?

Bom, me dói o coração dizer que eu, infelizmente, não tenho tempo pra redigir tudo isso e que nessa semana eu vou estar meio ausente por aqui… Mas dói mesmo.

Pra vocês que não tem que estudar (primeiro, que inveja), eu queria deixar essa frase aí, porque, afinal das contas, no final tudo vira poesia. E é aí que está a beleza de toda essa existência. Poesia faz tudo valer a pena, até essas horas incontáveis de estudo e essas fórmulas intermináveis que se misturam em Química, Física e Matemática… Já não sei mais de nada.

E, academicamente, isso me preocupa. Por isso, vou fechar essa janela antes que eu passe horas aqui. Boa noite pra vocês. Muito amor, muitos sorrisos e muita, muita, muita poesia.

Rafa ❤

Ah, a poesia…

Viemos aqui falar um pouquinho do que nos apaixona: a poesia. Para começar bem, o que é a poesia? A palavra poesia vem do termo latim “poēsis”, que deriva de um conceito grego. Trata-se da manifestação da beleza ou do sentimento estético através da palavra, podendo ser sob a forma de versos ou de prosas. Em todo o caso, o seu emprego mais usual está relacionado com os poemas e com as composições em verso. Com muita dificuldade, se coloca em palavras mais enciclopédicas o que a poesia significa. No dicionário, ela é:

poesia: 1. arte de fazer versos. 2. cada gênero poético. 3. obra em verso, poema. 4. característica do que toca, eleva, encanta. 5. forma especial de linguagem, mais dirigida à imaginação e à sensibilidade do que ao raciocínio. Em vez de comunicar principalmente informações, a poesia transmite sobretudo emoções.

Mas de onde surgiu isso? Fomos procurar mais afundo e não nos surpreendemos a encontrar frases do tipo: “A poesia como uma forma de arte pode ser anterior à escrita.” A poesia, a nossos olhos, é algo metalinguístico e quase metafísico. Não há nada, nenhuma palavra, que a possa explicar tão bem e tão genuinamente quanto ela mesma. A essência do gênero poesia só se passa pelos poemas em si. Quem nunca leu alguma obra de Leminski ou Drummond que falasse sobre o ato de fazer poesia ou sobre os poemas em si? A poesia existe em si e para si. É uma urgência do ser humano de extravasar sentimentos e sensações únicas naquele que escreve. Nesse aspecto um pouco mais poético, achamos um texto do Arnaldo Antunes que fala um pouco sobre isso:

“A origem da poesia se confunde com a origem da própria linguagem.
Talvez fizesse mais sentido perguntar quando a linguagem verbal deixou de ser poesia. Ou: qual a origem do discurso não-poético, já que, restituindo laços mais íntimos entre os signos e as coisas por eles designadas, a poesia aponta para um uso muito primário da linguagem, que parece anterior ao perfil de sua ocorrência nas conversas, nos jornais, nas aulas, conferências, discussões, discursos, ensaios ou telefonemas.
Como se ela restituísse, através de um uso específico da língua, a integridade entre nome e coisa — que o tempo e as culturas do homem civilizado trataram de separar no decorrer da história.
Houve esse tempo? Quando não havia poesia porque a poesia estava em tudo o que se dizia? Quando o nome da coisa era algo que fazia parte dela, assim como sua cor, seu tamanho, seu peso? Quando os laços entre os sentidos ainda não se haviam desfeito, então música, poesia, pensamento, dança, imagem, cheiro, sabor, consistência se conjugavam em experiências integrais, associadas a utilidades práticas, mágicas, curativas, religiosas, sexuais, guerreiras?
No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermediam nossa relação com as coisas, impedindo nosso contato direto com elas. A linguagem poética inverte essa relação pois vindo a se tornar, ela em si, coisa, oferece uma via de acesso sensível mais direto entre nós e o mundo.
Segundo Mikhail Bakhtin, (em “Marxismo e Filosofia da Linguagem”) “o estudo das línguas dos povos primitivos e a paleontologia contemporânea das significações levam-nos a uma conclusão acerca da chamada ‘complexidade’ do pensamento primitivo. O homem pré-histórico usava uma mesma e única palavra para designar manifestações muito diversas, que, do nosso ponto de vista, não apresentam nenhum elo entre si. Além disso, uma mesma e única palavra podia designar conceitos diametralmente opostos: o alto e o baixo, a terra e o céu, o bem e o mal, etc”. Tais usos são inteiramente estranhos à linguagem referencial, mas bastante comuns à poesia, que elabora seus paradoxos, duplos sentidos, analogias e ambiguidades para gerar novas significações nos signos de sempre.
Já perdemos a inocência de uma linguagem plena assim. As palavras se desapegaram das coisas, assim como os olhos se desapegaram dos ouvidos, ou como a criação se desapegou da vida. Mas temos esses pequenos oásis — os poemas — contaminando o deserto da referencialidade.”

um pouquinho do sentimento do que é poesia, traduzido nela própria e em uma imagem colorida (http://lounge.obviousmag.org/efemera/2014/04/permita-ser-ser-atingido-pela-poesia.html)

Embora seja difícil (ou praticamente impossível) definir o marco de início da poesia, foram encontradas inscrições hieroglíficas egípcias que datam do ano 2600 a.C. Estas são o que mais se assemelha a primeira poesia da história, ou, pelo menos, de que se tenha registo. Canções de músicas desconhecidas, mas que tem caráter religioso e que aparecem desenvolvidas em distintos gêneros, como odes, hinos e elegias. Na Antiguidade, a poesia teve um caráter ritual e comunitário, especialmente em povos como os sumérios, os assírios, os babilônicos e os judeus. Além da religião, foram surgindo outras temáticas como o tempo e os trabalhos cotidianos.

Ainda nessa pegada mais histórica, mesmo antes da invenção do alfabeto, os gregos acreditavam que as Musas concediam o dom de desencantar as palavras: eram os Aedos, como os poetas de hoje em dia. Eles compunham canções com liras e, através disso, conseguiam “transmitir os segredos das palavras através da poesia”. Os poemas eram compostos e cantados pelos Aedos e quando as canções passaram a ser escritas, os Aedos desapareceram. A palavra grega mousa significa “canção” ou “poema”. As musas habitavam no templo Museion, termo que deu origem à palavra “museu” definido como o local de preservação das artes e ciências.

Muita cultura, né? Existem muitas curiosidades sobre esses assuntos e a Mitologia Grega, em particular, é algo extremamente interessante. Poesia é uma das coisas mais lindas e naturais desse universo. É a essência de toda a existência humana (e talvez ainda outras). Tudo se deve a poesia – as dores, os amores, as alegrias e as infelicidades – e, por isso, somos eternamente gratas a ela!

E é claro que, em um post desse, não poderia faltar, de jeito nenhum, um poema! Aqui vai um pouquinho de Carlos Drummond de Andrade para alegrar o dia e a vida de vocês:

Poesia

Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

inunda minha vida inteira.

fontes:

Envie um poema!

Oi!

Viemos contar uma novidade no blog, então ai vai um pequeno texto que escrevemos sobre isso:

Inseridas nesse projeto e tão apaixonadas pelo tema do qual tratamos, resolvemos, primeiramente, entrar em contato com este de forma mais direta. Montamos um cenário para um vídeo que explicasse a importância das intervenções urbanas e da poesia na cidade de São Paulo, imprimindo, em papéis coloridíssimos, frases e trechos de poemas que nos agradavam. Colamos toda essa “bagunça” na parede e, depois que o vídeo ficou pronto, nos perguntamos o que fazer com tudo aquilo.

Queríamos poder compartilhar com mais pessoas tudo aquilo que nos toca, nos emociona. Afinal das contas, a poesia existe para isso. Optamos por trazer esses papéis para esta sala, uma vez que a escola pode sempre virar um espaço menos acadêmico e ter, cada vez mais, a nossa cara!

Por isso, resolvemos abrir um espaço para a contribuição de todos, de forma a completar esse mural. Mandem pequenas frases, ou trechos de poemas e músicas pelo nosso blog e pelo nosso Instagram. Que este mural vire algo de todos e que ele possa alegrar dias e espalhar sorrisos!

Criamos uma página para que isso seja feito, o link é esse, tem mais algumas informações sobre isso lá!

Correspondência Poética

Depois da minha crise de ontem eu percebi que eu precisava escrever um montão de posts para o blog para poder relaxar um pouco, então ai vai o primeiro da série Analu-em-SP-desistindo-de-estudar!

Foto: http://revistalingua.com.br/textos/blog-redacao/sao-paulo-recebe-primeiro-festival-de-poesia-326263-1.asp

Há algumas semanas a Giulia (do Mais Sabor que Dissabor) comentou nesse post sobre um projeto que de acordo com ela, lembrou muito a nossa proposta, o link que ela colocou era esse, vindo de um site chamado Correspondência Poética. Achei o Ciclo de Intervenções Poéticas muuuito interessante, mas não encontrei muitas informações sobre ele, a página só tem uma mini descrição e não tem quase nenhuma outra página que fale sobre.

Como não deu para explorar tanto esse Ciclo, fui ver mais no site e descobri que ano passado aconteceu o I Festival de Poesia de São Paulo! Os poetas deveriam morar no município de São Paulo e podiam inscrever seus poemas, que deviam ser recitados e enviados em vídeo. Trinta selecionados participaram do festival e 13 poetas foram premiados, de acordo com o site, “visando com isso laurear e difundir o movimento literário que vem acontecendo nas periferias da cidade”.

Esse vídeo explica um pouco mais sobre a Correspondência Poética, que tem intervenções incríveis, e sobre o Festival, inclusive com alguns trechos dele.

Nesse link tem algumas fotos do evento e vários dos vídeos dos poetas, não assisti todos, mas os que eu assisti eram incríveis.

Esse poema foi o meu favorito, então decidi colocar aqui, até porque, tem tudo a ver com o Móbile na Metrópole.

Esse ano, já retomaram o trabalho para realizar o II Festival! Com certeza, se eu souber de mais alguma coisa, vou colocar aqui no blog!

Ana

Comum A2

Mencionamos nesse post um projeto que se chama “Comum A2”, então viemos contar um pouquinho mais sobre ele nesse post, já que em breve faremos uma entrevista com eles para o documentário.

Da página do facebook deles.

São dois criadores, o Thiago e a Carolina, ele é poeta, ela, fotógrafa. De acordo com eles, “o projeto Comum a 2 surgiu com uma necessidade de integrar nossos gostos e aptidões”, então eles resolveram criar os lambe-lambes, colar e fotografá-los.

“Além disso buscamos, através da poesia, favorecer a convivência e a integração de todos, ressignificando os espaços urbanos e superando a automação cotidiana pelo viés da arte. Nossas maiores referências são os poetas Maiakovski e Pablo Neruda e a escola polonesa de confecção de cartazes. Nós somos de São Bernardo do Campo, mas já estivemos com os lambe-lambes em diversas outras cidades de São Paulo e em Curitiba.”

Eu (Ana), particularmente, sou completamente apaixonada por esse projeto, acho que é um dos meus favoritos, de verdade. Não só pelo fato de as frases serem um amor, mas também porque muitas delas tem a Carol sendo mencionada, então é muito fofo. Durante o estudo do meio até encontramos um dos cartazes! É lógico que eu e a Rafa (que éramos do mesmo grupo) piramos.

Foto que nós tiramos na Liberdade.
Foto que nós tiramos na Liberdade.
Da página do facebook deles com a legenda “Que a paz seja doce e o amor colorido.” (um dos meus favoritos)

Todos os cartazes são uma fofura sem fim! Os cartazes têm frases pequenas, mas são o tipo de coisa que você vê na rua e te faz feliz pelo resto do dia. ❤

Esperamos que vocês se apaixonem pelo projeto tanto quanto nós!

Algumas informações: Instagram, Facebook

O grupo ❤

Fui Feliz Aqui (e muito!)

Oi gente! Primeiro de tudo, queria pedir desculpas pela falta de posts, estivemos tentando dar uma organizada em questões mais práticas do trabalho (muuuitas coisas legais vindo).

Mencionamos nesse post um projeto incrível chamado “Fui Feliz Aqui”, então resolvemos aprofundar um pouco mais nisso! Fizemos algumas perguntas para o criador do projeto (que foi suuuper fofo) para que vocês pudessem conhecer um pouquinho mais sobre ele. Para quem ainda não sabe, ele manda adesivos com a frase “fui feliz aqui” para o Brasil inteiro (de graça) para que as pessoas possam colá-los no lugar que quiserem, seja em casa ou nas ruas.

Fernando Stefano Kozenieski tem 34 anos, é gaúcho e mora em Porto Alegre/RS. É Designer de formação, com Especialização em Marketing e Mestrado em Design Estratégico, sendo atualmente sócio de um estúdio de ilustração e animação chamado ALOPRA ESTÚDIO. Na Alopra ele atua como Executivo de Negócios, trabalhando diretamente com a venda dos produtos do estúdio e geração de novos negócios.

“Sou adorador de trabalhos artísticos, intervenções urbanas e atitudes que possam fazer a diferença (por menor que seja) na vida de alguém”

Como surgiu a ideia para o projeto? “A ideia surgiu em Março de 2014, mas foi colocada em prática só em Outubro de 2014. Tudo começou quando eu percebi que as pessoas estavam reclamando muito de tudo. E muitas ações estavam surgindo para alertar as pessoas dos perigos das ruas. Por exemplo: Lugares onde as pessoas foram assaltadas, lugares perigosos para passar, locais com foco de doença, etc…  ou seja, “tudo” estava sendo pautado através de alertas de perigo. Não que eu não ache que devam existir essas ações como essas, mas não podemos pautar as nossas vidas através de “coisas ruins”. Então resolvi fazer algo para tentar modificar um pouco as coisas.”

Por que você faz isso? “O adesivo é um meio para transmitir uma ideia. A ideia é maior. Poder apresentar possibilidades, de lugares, momentos, pessoas, para ser feliz. Simples assim. Simples como um sorriso, um ‘oi’, ou até mesmo um cafuné.”

Quantos adesivos você manda por semana mais ou menos? “Um monte! Hehehehe Acredito que entre 40 e 50 adesivos são enviados por semana, para todos os cantos do país.”

Por que a frase “Fui feliz aqui”? “A felicidade é um estado. Um momento. Nós que decidimos o tempo que esse estado vai ter. O presente não existe. Nós vivemos o passado e projetamos o futuro. Então se EU fui feliz em algum lugar, alguém poderá ser também.”

O que você busca com essas palavras? Criar novas possibilidades para outras pessoas que muitas vezes nem conhecemos. Esse é meu maior estímulo. Isso que busco.

Você nunca buscou nenhum lucro com o projeto? “O projeto foi criado sem pensar em lucro. O lucro é sempre uma consequência. Se fizermos algo, a não ser uma empresa, e já pensar em lucro, podemos nos frustrar muito fácil. Uma ideia pode ser lucrativa? Claro. Mas qual é esse ganho? Qual o real ganho? Dinheiro ou satisfação? Grana na conta, ou modificar a vida de alguém?”

Qual sua intenção ao mandar os adesivos de graça? “É a forma que encontrei de difundir a ideia. A felicidade não tem preço. A gente pode comprar tudo, menos felicidade. A gente compra satisfação (uma roupa, um carro, uma comida, etc…) mas a felicidade não. Felicidade é o lucro!”

Os gastos compensam? “Não vejo como gasto. Eu vejo como um investimento. Quando a gente investe em algo (seja numa nova amizade, num amor, na bolsa de valores…) se espera algum retorno. Quando se gasta, não. Então, respondendo essas perguntas, pra mim é uma forma de recompensa. Fico muito feliz em poder ajudar, e de alguma forma, colocar “mais um tijolinho” na mudança de modelo mental das pessoas. O problema do mundo é global, mas a solução é local. Começa em cada um de nós.”

Qual é o efeito que o seu trabalho tem nas cidades e nas pessoas? “O efeito? Olha, isso teria que perguntar para as pessoas mesmo. Ou até mesmo você poderia fazer um relato. O que você sentiu quando conheceu o projeto? Ou mesmo, o que sentiu quando viu os adesivos? Mas o que eu sinto é uma sensação de felicidade. Eu imagino que quando a pessoa lê o adesivo, ela sorri. Agora nas cidades…. não sei. Mas gostaria que fosse tudo mais facilitado, e que as pessoas que fazem essa cidade, soubessem aproveitar as facilidades retribuindo algo para a mesma.”

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Rua Tuim.
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Avenida Jacutinga.

Quisemos colocar essa pergunta por último porque fizemos questão de responder as perguntas que o Fernando nos fez.

Ainda não tínhamos mencionado aqui, mas nós participamos efetivamente do projeto, isto é, saímos colando alguns adesivos por Moema, então cada uma escreveu um pouquinho sobre isso:

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Rua Inhambu.

(Ana) A primeira vez que eu vi o projeto foi quando eu estava pesquisando para fazer esse post. Estava no meio de uma total crise, mas ver as fotos do instagram dele me fez abrir um sorriso tão grande que eu não resisti em entrar em contato. Mandei uma mensagem para o Fernando por facebook para pedir alguns adesivos, mas acabei me interessando tanto que contei sobre o Móbile na Metrópole e ele topou responder algumas perguntas. Esqueci de mandar, é claro, até o dia que os adesivos chegaram na minha casa. Lembro direitinho da hora que eu vi a carta, não tinha sido um dia exatamente bom, mas ver aquilo me deixou absurdamente feliz, abri um sorriso ainda maior do que o primeiro, mandei um áudio para o grupo gritando (é, eu grito um pouco). Fiquei ansiosa para sair colando logo de cara, mas acabou ficando para ontem (dia 29). Juro que foi uma sensação indescritível. Nós falamos muito sobre intervenções urbanas e essas coisas, só que realmente participar de algo assim foi, no mínimo, incrível, a relação com o espaço foi completamente nova. Passar na frente dos adesivos que nós colamos me faz sentir tão feliz que eu me pego olhando para aquilo com um sorrisinho bobo na cara!

(Rafa) Não vou conseguir colocar em boas palavras o que foi colar esses adesivos por ai, nem aqui nem na China. Uma coisa é falar sobre intervenções urbanas e admirá-las, outra totalmente diferente é fazê-las. Conheci esse projeto pela Ana, mas não tinha percebido o quanto ele era tocante e incrível. Foi só ao sentir esse turbilhão de emoções que eu entendi, de fato, tudo isso. Me senti tão viva e tão… intensa. Nunca me senti tão feliz e a vontade com o meu entorno e com a minha participação na cidade: eu realizei uma intervenção urbana e eu fui uma. As pessoas que passavam paravam e saiam de seus horários apertados para ver o que estávamos fazendo. Fizemos com que elas reparassem em postes que eram cinzas e tristes e eu acredito, mesmo, que o que fizemos e o que o Fernando faz sempre, pode, de verdade, fazer alguém ser (muito) feliz ali. Em um milésimo de segundo compreendi o por quê do Fernando, da Camila, da Gabriela fazerem tudo isso, com tanto amor, dedicando tempo, trabalho e vendo isso como um investimento. É por isso que eu queria agradecer a você, Fernando, por ter nos proporcionado momentos de felicidade tão intensa e por permitir que qualquer um possa sentir isso por ai. Parabéns por ter criado um projeto tão tocante de uma forma tão simples e natural. Esse foi um dos momentos que entrou na minha listinha dos por quês de eu amar tanto assim nosso tema e nosso projeto.

A gente fez um videozinho colando!

Algumas informações: Instagram, Facebook

Um toque de crise

Já vou avisando que esse é um post um pouco diferente dos demais. Se permita ser tocado por ele. Leia de cabeça e coração abertos. Agora chega de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Diminua seu ritmo, respire fundo e sorria.

Ontem eu estava cruzando uma avenidona quando eu vi, em um muro, uma frase muito particular. O trânsito não estava a meu favor, já que eu não sou muito daquelas pessoas sortudas, então eu passei rápido demais (como tudo nessa vida) e não consegui tirar uma foto.

O autor tem outras frases parecidas e eu consegui identificá-lo pela forma com que ele assina a interrogação em seus questionamentos. Ela meio que emenda na última letra, não sei explicar direito, mas estou em uma busca incansável por alguma foto disso para compartilhar aqui.

“Você já sorriu hoje?’’ talvez seja a mais famosa e a que é mais usada por várias pessoas por aí. Já havia me deparado com ela várias vezes e isso sempre foi capaz de me arrancar um sorriso genuíno, que permanecia lá por um bom tempo, mesmo que só no canto de minha boca. Sorria porque percebia que, muito provavelmente, tinha passado um dia todo sem rir por nada, ou sem mostrar um sorriso de alma. Passava, e ainda passo, meus dias brava e irritada por coisas tão efêmeras e desnecessárias. Sim, a vida é efêmera. Nós sabemos disso. E por que diabos ficamos perdendo esse tempo precioso com coisas tão banais? Todo dia deveria ser dia de ser feliz. De sorrir a um completo estranho, ou a pessoa que você mais ama nesse mundo. De fazer tudo com um sorriso verdadeiro estampado no rosto, ou de não fazer absolutamente nada, também estupidamente feliz. Não precisamos de um motivo para sermos assim tanto quanto não precisamos fazer alguma coisa todo o segundo de todo o minuto, com o propósito de sermos “produtivos”. Eu não quero ser produtiva o tempo todo, mas se você quiser, tudo bem também! Que você o faça com um sorriso tão grande quanto o meu, e digo isso em forma de desejo. Se você parar para pensar, seu próximo sorriso pode ser o seu último. Ok, mas não mostre os dentes agora para a tela desse computador por puro medo ou agonia. Sorria de verdade, com mil motivos de felicidade ou nenhum também. Bocejos contagiam, mas sorrisos também. E é aí que está a beleza de tudo isso.

Eu divergi totalmente do assunto inicial, até porque a frase que eu queria compartilhar não era nem essa. Como o disse o João Cunha um dia na aula (sim, eu sou o tipo de pessoa que fica com essas coisas na cabeça para sempre), “a hora é agora e o momento é já”. Sei lá, só me deu uma urgência de viver enorme agora e isso acabou atravessando meu coração até aqui. Enfim, a frase que criou toda essa confusão era:

“VOCÊ JÁ EXISTIU HOJE?”

Tipo… quê?? Olha, se o cara tivesse perguntado se eu já vivi hoje, eu já teria entrado em crise. Não sei se eu vivi de verdade hoje. Nem ontem… Você viveu? Não sei também. Mas existir… Cara, como alguém me pergunta isso? Não sei nem como começar a responder essa pergunta. Só sei que poderia me estender num post do tamanho da minha vida (hipérbole básica) falando sobre isso. Trago aqui a definição de existência para que vocês tentem responder a si próprios essa pergunta tão intrigante.

existência: 1. estado de quem ou do que subsiste, sobrevive. 2. o fato de viver, o estar vivo; a vida. 3. maneira de existir. 4. o fato de ser real. 5. o fato de estar presente (em algum lugar); presença. 6. no aristotelismo e esp. na escolástica, o ente individual e concreto. 7. no pensamento de Kierkegaard 1813-1855 e no existencialismo contemporâneo, modo de ser próprio do homem.

Desculpem a colocação da crise, é que eu realmente fiquei bastante conturbada com isso. Respostas e comentários são mais do que bem vindos. Espero que eu tenha tirado vocês um pouco do lugar comum, da máquina automática que a gente vira nessa vida, e que isso tenha ajudado vocês, de alguma forma, a serem mais felizes.

Ah, e não se esqueçam de sorrir. ❤

Rafa