Ópera do Malandro

O clássico musical “Ópera do Malandro”, originalmente estreado em 1978, de Chico Buarque, toma forma inusitada nas mãos do diretor João Falcão. Em cartaz no Theatro NET em SP, até o dia 3 de maio (corram para ver antes que acabe, sério), a peça possui caráter cômico não só pelo fato de todos os homens fazerem papéis de homens e de perfeitas mulheres, como o narrador da história, João Alegre, que é justamente uma mulher (a única do elenco), mas também pelo roteiro em si. Com um trabalho vocal perfeito, as músicas tiram nossos fôlegos e fazem com que 3 horas de espetáculo se tornem interessantes. Não se desesperem, há um intervalo de 15 minutos nesse meio tempo. Com pipoca e mente aberta para receber as críticas feitas pela obra, fica até fácil aguentar um tempo tão longo assim.

“Talvez a obra mais emblemática da carreira de Chico Buarque, a ‘Ópera do Malandro’ já pode ser considerada um clássico do teatro musical brasileiro. Quase quatro décadas após a estreia original (1978), o malandro – como diz uma das célebres canções – surgirá na praça outra vez em uma nova montagem, com direção de João Falcão, direção musical de Beto Lemos e coreografias de Rodrigo Marques. Protagonizada pelo cantor Moyseis Marques em sua estreia como ator, a ‘Ópera’ terá praticamente todo o elenco de 14 atores composto por homens – muitos vindos de ‘Gozagão – A Lenda’, último trabalho de João – e pela atriz Larissa Luz.

Inspirado em ‘A Ópera do Mendigo’ (1728), de John Gay, e em ‘A Ópera dos Três Vinténs’ (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill, o musical conta a história do contrabandista Max Overseas, que casa em segredo com Teresinha, filha de Duran, poderoso dono de bordéis e cabarés da Lapa dos anos 40. Responsável pela atual versão, Falcão pinçou músicas do espetáculo original, do álbum ‘Malandro’ (1985) e do filme (1985) dirigido por Ruy Guerra.

COM: ADRÉN ALVES, ALFREDO DEL PENHO, BRUCE DE ARAÚJO, DAVI GUILHERMME, EDUARDO LANDIM, EDUARDO RIOS, FÁBIO ENRIQUEZ, LARISSA LUZ, GUILHERME BORGES, MOYSEIS MARQUES, RAFAEL CAVALCANTI, RENATO LUCIANO, RICCA BARROS E THOMÁS AQUINO.” (descrição do Facebook deles)

Tivemos a oportunidade de assistir à peça no dia 24 de abril e foi realmente incrível, sinceramente muito além das expectativas. Além do espetáculo, pudemos conversar com os atores no final deste. O primeiro e maior choque (I M P R E S S I O N A N T E é pouco) foi ver os homens sem maquiagem e em suas roupas do dia a dia. Incríveis atores, muuuuito inteligentes e simpáticos, falaram bem do contexto histórico e várias curiosidades sobre a peça. Acho que foi naquele momento que percebemos o quão forte e real o espetáculo é. A história pulou do palco e tocou nossas vidas ainda mais. Recomendamos muito que vocês vejam!!

(Foto: https://www.facebook.com/operadomalandro2014/photos/a.659885264100436.1073741829.652427124846250/821030404652587/?type=1&theater)

Informações:

Endereço: Theatro Net São Paulo, Shopping Vila Olímpia (Rua Olimpíadas, 360)

Data: até 3/5/15

Horários: sexta 21h | sábado 21h30 | domingo 20h

Entrada: plateias central e lateral – R$150,00 | balcão 1 – R$100,00 | balcão 2 – R$50,00

Rafa e Ana

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“O palco como caixa de Pandora”

A peça Não Nem Nada, cujo subtítulo é “O palco como caixa de Pandora”, estreou em 2014 e foi dirigida e escrita por Vinicius Calderoni, participante do 5 a Seco e com uma carreira baseada tanto na música quanto no cinema e no teatro. O elenco da produção é composto pelos atores Geraldo Rodrigues, Mayara Constantino, Renata Gaspar e Victor Mendes. Tivemos a oportunidade de assisti-la no dia 7 de março e foi, no mínimo, incrível.

Por possuir apenas 4 atores, eles se transformam em uma série de personagens diferentes em cada uma das 12 cenas que compõe a peça. Talvez esse aspecto tenha sido um dos mais impressionantes da peça, já que haviam personagens que existiam por apenas 5 segundos e os atores faziam essa troca de personalidade, voz e postura com a maior facilidade.

As cenas trazem problematizações de temas cotidianos de forma indireta, metafórica e, em alguns casos, poética. São momentos que todos presenciamos e quando postos para pensar sobre eles, acabamos percebendo todos problemas e práticas da sociedade atual que deixamos passar no nosso dia-a-dia, por comodidade ou por distração. Isso se comprova na afirmação de Calderoni: “Comparo a dramaturgia da peça à visita a uma casa de espelhos onde você enxerga objetos reconhecíveis em proporções distorcidas, estranhas, provocativas. As cenas sempre tem um ponto de partida reconhecível, mas se desenvolvem numa direção de causar um estranhamento do mundo”.

O roteiro impecável combinado com a atuação comovente e de tirar o fôlego compõe uma peça crítica na medida certa, cujos trechos martelam nossa consciência até incontáveis semanas depois de ter assistido a peça.

“Um táxi. Um táxi vazio. Um táxi vazio que transporta o amor da minha vida. Um táxi logo depois de deixar o amor da minha vida em seu destino, voltando a ser apenas um táxi vazio. Um táxi vazio no meio da madrugada, quando eu sinto medo de estar só numa avenida desconhecida.”

(Foto: http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/28370-nao-nem-nada)

Informações:

Teatro – Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Lapa)

Classificação – Espetáculo não indicado para menores de 14 anos

Período em cartaz – até 29/03/15

Horários das sessões – Sextas e sábado às 21h; domingos, às 19h